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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

LENDA DA NOITE DE SÃO SILVESTRE - ILHA DA MADEIRA.

Esta lenda assegura que há muitos, muitos anos existia no oceano Atlântico uma ilha fabulosa, a Atlântida, e nela vivia a civilização mais maravilhosa de sempre. Os seus habitantes, que Platão dizia descenderem dos amores do deus Poseidon com a mortal Clito, tornaram-se tão arrogantes que tiveram um dia a pretensão de conquistar todo o mundo, ousando mesmo o seu rei desafiar os céus. Foi então que ouviu a voz do Deus verdadeiro dizer-lhe que nada poderia contra o poder divino. Mas o teimoso rei voltou a desafiá-lo e decidiu conquistar Atenas, mas, durante a batalha o rei da Atlântida ouviu a voz de Deus dizer-lhe que a vitória seria de Atenas para castigar a sua arrogância e ingratidão. À derrota seguiram-se terríveis tempestades, terramotos e inundações que engoliram a bela Atlântida para todo o sempre.
Passaram-se muitas centenas de anos até que um dia a Virgem Maria se debruçava dos céus sobre o oceano, sentada numa nuvem quando São Silvestre lhe veio falar. Aquela era a última noite do ano e São Silvestre achava que deveria significar algo de diferente para os homens, ou seja, marcar uma fronteira entre o passado e o futuro, dando-lhes a possibilidade de se arrependerem dos seus erros e de terem esperança numa vida melhor. Nossa Senhora achou muito boa ideia e então confiou-lhe qual a razão porque estava a observar o mar com uma certa tristeza: lembrava-se da bela Atlântida que tinha sido afundada por Deus por causa dos erros e pecados dos seus habitantes. Enquanto falava, Nossa Senhora deixava cair lágrimas de tristeza e misericórdia porque a humanidade, apesar do castigo, não se tinha emendado. Emocionado, São Silvestre reparou que não eram apenas lágrimas que caíam dos olhos da Senhora, eram também pérolas autênticas que caiam dos Seus olhos. Foi então que uma dessas lágrimas foi cair no local onde a extraordinária Atlântida tinha existido, nascendo a ilha da Madeira que ficou conhecida como a Pérola do Atlântico. Dizem os antigos que durante muito tempo, na noite de S. Silvestre quando batiam as doze badaladas surgia nos céus uma visão de luz e cores fantásticas que deixava nos ares um perfume estonteante. Com o passar dos anos essa visão desapareceu, mas o povo manteve-a nas famosas festas de fim de ano com um maravilhoso fogo de artifício a celebrar a Noite de S. Silvestre.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O NATAL MADEIRENSE.


Lapinha - É com este termo que na Madeira se designam os «presépios», que desde séculos tão generalizados estão entre nós. Julgamo-lo uma palavra peculiar deste arquipélago. Deve ser o diminutivo de «lapa» com o significado de furna, gruta ou cavidade aberta em um rochedo, por analogia ou semelhança com o local do nascimento do Divino Redentor. É possível que em outros tempos conservassem essa analogia ou semelhança, mas, ao presente e na generalidade, as «lapinhas» madeirenses são armadas sôbre uma mesa, tendo como centro uma pequena escada de poucos decímetros de altura, de três lanços contíguos, e no topo da qual se coloca a imagem do Menino Jesus. Em todos os degraus da escada e em torno dela estão dispostos os «pastores» e vários objectos de ornato, por vezes bem estranhos e sem próxima afinidade com o resto do presépio(frutas, searinhas etc.) . Em obediência às condições do meio, terão algumas características próprias, como sejam as ornamentações com os ramos do arbusto «alegra-campo» e dos fetos «cabrinhas», que lhes imprimem uma feição pitoresca e alegre. Terão uma certa originalidade os chamados «pastores», isto é, pequenas figuras de barro de grosseiro fabrico local, que quase sempre não representam pastores ou zagais mas indivíduos das várias camadas sociais.

Ainda são muito vulgares as «lapinhas» com as chamadas «rochinhas», consistindo estas no simulacro de um pequeno trecho de terreno muito acidentado, feito de «socas» de canavieira e que geralmente conserva na base uma pequena «furna» representando o presépio em minúsculas figuras de barro.

Existiam, mas hoje são já muito raras, estas mesmas «rochas», talhadas em maiores proporções e em que se viam igrejas, estradas, pequenas povoações etc., embora sem grande harmonia no conjunto, mas oferecendo um certo e original pitoresco.

Natal - As festas do Natal duram na Madeira desde o dia em que se comemora o nascimento de Jesus até o dia de Reis, havendo durante êste tempo muitos folguedos, descantes e outras manifestações de regozijo, que poetizam esta bela quadra do ano. As refeições são melhoradas, e rara é a casa onde não aparecem a carne-de-vinho-e-alhos e os bolos de mel, assim como outras iguarias que são desconhecidas durante o resto do ano. Os templos enchem-se de povo por ocasião da missa do galo, em que a imagem do Deus-Menino é muitas vezes dada a beijar, e para completar as festas e solenidades do Natal, há ainda os presépios ou lapinhas, alguns deles verdadeiramente notáveis pela riqueza e variedade de seus adornos. Não há muitos anos, era uso nalgumas freguesias da Madeira «pensar» a imagem do Deus-Menino na noite do Natal, isto é levá-la e vesti-la sôbre um estrado colocado dentro da igreja, sendo êste serviço prestado sempre por uma rapariga, assim como um outro que consistia em oferecer ao mesmo Deus-Menino na referida noite, várias produçcões da terra. Rapazes e raparigas, vestidos com trajos antigos, conduziam piedosamente ao templo as suas ofertas, anunciando em seus cantares, por vezes muito harmoniosos, a quem eram destinadas as mesmas ofertas.

O velho habito de consagrar todo o dia de Natal à vida e festas recatadas da familia tende a desaparecer, e as ruas da cidade, desertas outrora naquele dia, apresentam-se hoje quase tão movimentadas como na primeira, segunda e terceira oitavas. É, no entretanto, durante estes três dias, que o povo continua a santificar não obstante ter sido dispensado disso pela Igreja, que principalmente se realizam as visitas e os cumprimentos de boas festas, os quais entre o povo rude são acompanhados quase sempre de abundantes libações, descantes e outros folguedos, que se estendem até horas mortas da noite. Desde a véspera do Natal até á Epifania, estrugem por toda a parte as bombas e busca-pés, com grave risco não só dos transeuntes, mas também daqueles que os atiram, muitos dos quais tem sido vitimas das suas loucuras e imprudencias.

O habito não muito antigo, de despedir o ano velho e receber ao ano novo com toda a espécie de fogos de artifício, é aquêle que mais chama a atenção dos forasteiros, sendo na verdade um espectáculo imponente e belo o que oferece a cidade do Funchal e seus subúrbios ao avizinhar-se a hora da meia noite do dia 31 de Dezembro, quando por tôda a parte se acendem os fósforos de côres e sobem aos ares os milhares de foguetes e granadas com que os madeirenses festejam a passagem dum para outro ano, na esperança de que aquêle que principia lhes traga tôdas as venturas que lhes negou o que vai sumir-se na voragem dos tempos. A noite de 31 de Dezembro é muito animada no Funchal, sendo a cidade percorrida por grandes ranchos que se dirigem para vários pontos dos arredores, ao som de machetes e violas, para daí contemplarem os festejos da meia noite.

É no dia 7 de Janeiro, após os Reis, que se desmancham as lapinhas e tudo volta á normalidade, mas algumas pessoas conservam os presépios armados até o dia 15, festa de Santo Amaro, que é, na opinião de alguns, quando devem ser dadas por findas as manifestações de regozijo do Natal, tanto do agrado do bom povo madeirense.

Vid. Lapinha.

Fernando Augusto da Silva, Elucidario Madeirense , vol. II, Funchal, 1965, pp.211, 406-407

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

RANCHO REGIONAL DA VILA DE LOBÃO - A COLHEITA DAS ESPIGAS E A DESFOLHADA.

Dois bonitos vídeos em que os elementos do Rancho Regional da Vila de Lobão(Santa Maria da Feira) mostram Tradições dos nossos antepassados.
O primeiro vídeo mostra a colheita das espigas e o transporte até a eira.
Quando as espigas estão maduras o pessoal da casa (incluindo os criados, quando os havia) e os vizinhos tiravam-nas e transportavam para a eira em carros de bois ou em gigas.


O segundo vídeo mostra a desfolhada.
A noite após a ceia todos se encaminhavam para junto da pilha , onde se sentavam a desfolhar as espigas.As mulheres vinham a desfolhada e quando chegavam escolhiam um lugar próprio,entoavam algumas cantigas com intuito de atrair rapazes das vizinhanças .
Logo que terminar a desfolhada das espigas as pessoas arrumam o folhedo e limpavam a eira ,enquanto que o dono ia buscar pão e vinho,e castanhas.depois de todos comer e beber, começava a esperada dança, apareciam cantadores e cantadeiras .dançava-se ao som do cavaquinho ,viola, ferrinho e concertina.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

LENÇO DOS NAMORADOS.

O lenço dos namorados é um lenço fabricado a partir de um pano de linho fino ou de lenço de algodão , bordado com motivos variados. É uma peça de artesanato e vestuário típico do Minho, sendo usado por mulheres com idade de casar.
Era hábito a rapariga apaixonada bordar o seu lenço e entregá-lo ao seu amado quando este se fosse ausentar. Nos lenços poderiam ter bordados versos, para além de vários desenhos, alguns padronizados, tendo simbologias próprias: Rosa quer dizer mulher, coração é amor, lírios simbolizam a virgindade, cravos vermelhos são sinónimo de provocação, e os pombinhos significam os namorados como não podia deixar de ser. Isto, só para fazermos uma breve idéia destes sinais de amor, pois há muitos mais.
Se bordava com erros ortográficos, isso era pormenor insignificante, o que contava - e conta - são os sentimentos:

"Bai carta feliz buando nas asas dum passarinho , cuando bires o meu amor dále um abraço e um veijinho"

'Meu Manél bai pró Brasil ,eu tamem bou no bapor , gardada no coração ,daquele qué meu amor".

Era usado como ritual de conquista. Depois de confeccionado, o lenço acabaria por chegar à posse do homem amado, que o passaria a usar em público como modo de mostrar que tinha dado início a uma relação. Se o namorado (também chamado de conversado) não usasse o lenço publicamente era sinal que tinha decidido não dar início a ligação amorosa.
É provável que a origem dos "Lenços de Namorados", também conhecidos por "Lenços de Pedidos" esteja intimamente ligada aos lenços senhoris dos séculos XVII - XVIII, que posteriormente foram adaptados pelas mulheres do povo, adquirindo os mesmos, consequentemente, um aspecto mais popular.
Existe actualmente uma comissão técnica que funciona como órgão avaliador e de certificação deste tipo de artesanato regional.


terça-feira, 25 de novembro de 2008

PRÊMIO DARDOS


Agradeço ao Blog Além Guadiana pelo selo dardos.



"Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."


1 – Quem aceitar o prêmio deve exibir a imagem acima,
2 – Linkar o blog do qual recebeu o prêmio
3 – Escolher 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos.


Os meus blogs indicados são:
http://marlygoncalves.blogspot.com/
http://gentedofado.blogspot.com/
http://beijarosa.blogspot.com/
http://adeliapedrosa.blogspot.com/
http://trajesdeportugal.blogspot.com/
http://queijadas.blogspot.com/
http://marchavilafria.blogspot.com/
http://gcvf.blogspot.com/
http://humberto-fado.blogspot.com/
http://fadosecancoes.blogspot.com/
http://ogalaico.blogspot.com/
http://rendufe.blogspot.com/
http://minhas_ideias.blog.pt/
http://www.fadocravo.blogspot.com/
http://vianacasteloterraportuguesa.blogspot.com/

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

CAPA DE HONRAS - MIRANDA DO DOURO - TRÁS OS MONTES.

A "CAPA DE HONRAS" Mirandesa é uma peça de artesanato mui "SUI GENERIS" do planalto Mirandês, que tem por finalidade proteger os "boieiros" (guardadores de vacas) e pastores de todas as intempéries nos meses mais rígidos, nomeadamente no Inverno.Como é uma das peças de artesanato mais ilustres do planalto Mirandês, como é óbvio, é indispensável a sua utilização em qualquer tipo de cerimónias, sejam de que índole forem.É uma peça com grande valor etnográfico e que requer um trabalho minucioso por parte do artesão devido à sua grande complexidade.Em terra de Miranda diz a sua gente: "Há nove meses de Inverno e três de inferno". O Clima é áspero e variável, a paisagem agreste, apenas convidativa na Primavera e em alguns dias de Outono. No resto, tocam-se os extremos do frio e do calor.Por isso, o homem que tem vivido nesta terra criou a sua maneira de vestir para se defender no trabalho do campo, destes dois extremos.A sua vida toda ela de natureza agro-pecuária, levou-o a criar os trajes de certa maneira austeros, simples e belos, artesanais e domésticos, feitos à base dos recursos locais, o linho e a lã (Burel).É, pois, feita de lã, fiada, urdida, tecida e pisoada (pardo-burel) a capa de honras Mirandesa.É uma das peças do trajo popular Português, pesada, a mais imponente e a mais antiga.Deve ter origem na capa de "Asperges" gótica, de raiz medieval de algum mosteiro Leonês. "Muito ornamentada de lavores nas bandas, gola – carapuça sui generis e rabicho que, por detrás, pende até meio dela, dando ao todo o aspecto de capa de asperges eclesiástica medieval, como observa Trindade Coelho". É parecida com a capa de Burel de Aliste mais rica e mais solene.Como diz Ernesto Veiga de Oliveira, "Vemos em terra de Miranda numa categoria à parte a capa de honras, em Burel, a mais nobre peça do nosso traje popular, de capuz, honra e aletas, com aplicações recortadas e ponteadas, em cuja confecção se chegavam a gastar 60 dias e mais".De cor castanha, fabrico caseiro, ainda hoje se confecciona em Constantim (Miranda do Douro) e é utilizada por individualidades em actos célebres e por pastores e lavradores desta região transmontana, principalmente no inverno. De notar que cabeção "HONRA", pala, orlas das abas e da racha, atrás são ornadas com aplicações de burel finamente recortadas, cosidas à mão sobre o fundo intermédio de tecidos de lã preto. O cabeção e a honra rematam em franja. A pala do capuz é debruada por uma barra de tecido de lã preta.O nome "HONRA" não provém unicamente do seu uso por pessoas mais ricas e nobres, mas sim por muito trabalhada.Antigamente era usada pelas pessoas que possuíam um estatuto social mais elevado, "mais ricas". Era um traje domingueiro. Ao longo dos tempos passou a ser usada por pastores e lavradores da região.Hoje verifica-se grande procura por pessoas de fora e autóctones, o que vem confirmar a admiração, riqueza e beleza desta preciosidade do artesanato Português.Como se pode constatar por esta descrição pormenorizada isto premeia a grande dedicação, rigor e mesmo grande imaginação por parte do artesão.Isto faz com que seja uma peça de artesanato de grande exemplar da cultura Portuguesa e além disso constitui um grande orgulho do artesão.
Domingos Raposo


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Trajes tradicionais de Terra de Miranda.
Alfaiataria do artesão, Srº Aureliano Ribeiro, em Constantim, Miranda do Douro.

domingo, 9 de novembro de 2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

RANCHO FOLCLÓRICO ROSAS DO LENA - BATALHA - ESTREMADURA.


Instituição de Utilidade Pública, a acção do Rancho Folclórico Rosas do Lena foi diversas vezes reconhecida, tendo em 1963 obtido o 1º prémio de Grupos da Região de Leiria; em 1969, o 1º prémio do VII Festival de Folclore Nacional (Lisboa); em 1979 a medalha de prata do município da Batalha; em 1984, a taça da cidade francesa de Villeurbanne; em 1991 a medalha de ouro do município da Batalha e o medalhão de prata da Região de Turismo de Leiria/Fátima (Rota do Sol); em 1998, o globo de cristal da delegação de Leiria do INATEL; em 2002, o prémio INATEL para os melhores grupos de animação do turismo sénior e, em 2003, o diploma de mérito cultural da academia de letras e artes de Paranapuã (Brasil).É membro efectivo da Federação de Folclore Português. Participou em mais de 2000 festivais nacionais e internacionais em Portugal continental e nos Açores, e espectáculos, entre eles a bordo do transatlântico grego “Golden Odissey” e na EXPO’98.Fez 28 digressões no estrangeiro, participou em festivais internacionais na Alemanha, Áustria, Croácia, Eslováquia, Espanha, França, Holanda, Itália (Sicília), Lituânia, Polónia e Sérvia. Em 11 gravações discográficas, para várias editoras, editou 5 discos pequenos, 1 disco de longa duração (LP), 3 discos compactos (CD) e 3 cassetes desde 1967. Gravou diversos programas para a televisão. É promotor das Galas Internacionais da Batalha e do FestiBatalha. Promove, anualmente, uma acção de animação e cultura (8 dias) e reconstituições de tarefas agrícolas e de manifestações religiosas populares. Fundou e administra o museu Etnográfico da Alta Estremadura.



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Atuação do Rancho Folclórico Rosas do Lena.


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

TRAJE DE NOIVOS NO SEGUNDO DIA DO CASAMENTO - SÃO BARTOLOMEU DE MESSINES - ALGARVE.


Traje do noivo:

Jaqueta de tecido de algodão preto digonal, com gola e bandas, frentes formando bico, com duas idas de botões e bolsos metidos.Colete de trespasse do mesmo tecido, com gola de rebuço. Calças de tecido idêntico ao restante fato, terminando em boca de sino sobre o pé.Na cabeça, chapéu preto de feltro de aba larga direita. Calça botas de pele preta.


Traje da noiva:

Casaquinha de tecido de algodão branco e amarelo, lavrado; frentes cruzadas simulando romeira,guarnecida com renda; peitilho com pequeno cós; mangas estreitas, decoradas com renda.

Saia comprida, justa na cintura e alargando até à orla.

Segura na mão uma sombrinha, com o pano idêntico ao do vestido, e no braço uma bolsa contornada com renda.

Em muitas regiões de Portugal, os casamentos festejavam - se não só no dia em que se realizava a cerimônia religiosa, mas prolongavam - se , em especial pelo dia seguinte.

No Algarve, era tradição almoçar - se no segundo dia de casamento em casa dos pais do noivo, reunindo - se aí a família mais próxima. O noivo vestia o mesmo trajo do dia anterior , enquanto a noiva estreava um outro trajo, menos elaborado, mas também ele especial, quer no tecido, quer no corte e nos pormenores decorativos.

Se podia, usava acessórios, como neste caso a sombrinha, indispensável nas suas deslocações à cidade, para proteger a pele do rosto do sol.

Este fato revestia - se de maior importância nos conceitos estéticos de então. A pele trigueira ( morena ) significava a pele queimada , pela exposição ao sol durante os trabalhos no campo; pelo contrário a pele branca era sinónimo de vida recatada, poupada, um luxo de quem não precisava de se expor.

Esta diferença revelava por si só, dois mundos completamente distintos, que não deviam ser confundidos.

Fonte:O trajo regional em Portugal , de Tomáz Ribas.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

TRAJES DE LAVRADEIRA REMEDIADA E LAVRADORES RICOS - VILA NOVA DE FAMALICÃO.

Lavradeira remediada:



É composto por uma saia preta de baeta avidralhada com diversas barras em veludo, avental com bastante roda em veludo igualmente avidralhada ,faixa de algodão ,blusa de linho com gola em bordado, lenço de froscos , lenço de cabeça ou cachené , meias rendadas e chinelas.Este traje era usado em dias de festas , romarias e feira.

Lavradores ricos:



Este traje era usado em dias de feiras anuais para representar os prêmios de gado recebidos.
A mulher trajava da mesma forma da lavradeira remediada á excepção da qualidade de ouro(superior nesta) , do cajado e do chapéu castanho de aba larga.
Por sua vez o homen usava calça preta enfaixado com faixa de algodão ,bota castanha de parteleira, jaqueta, colete ,camisa de linho , chapeu e cajado.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

RANCHO REGIONAL DAS LAVRADEIRAS DE CARREÇO - VIANA DO CASTELO.

O Rancho Regional das Lavradeiras de Carreço, organizado em 1923, o mais antigo agrupamento folclórico de Portugal, é uma Associação Cultural de Utilidade Pública, e Instituição de Mérito Cultural,
que preserva e divulga as tradições, usos e costumes do povo da Região de Viana do Castelo.

Tem desde a sua fundação mantido uma actividade ininterrupta, encontrando os jovens de hoje os mesmos motivos que os seus avós para continuar a expressar através do folclore o sentir das gerações
passadas, a alegria e solidariedade universais.

Foi Carlos Peixoto Freitas Sampaio, exímio bailador das modas que em Carreço o povo dançava no século passado, que há mais de setenta anos reuniu um grupo de jovens, que costumavam formar os "ranchos" para animar os serões as festas e romarias das redondezas, contando desde logo com o apoio do Pároco local, Padre Domingos Afonso do Paço.
Alguns anos mais tarde com o apoio do etnógrafo Abel Viana, deram-lhe o nome de RANCHO REGIONAL DAS LAVRADEIRAS DE CARREÇO.

Estava assim criado o primeiro rancho folclórico de Portugal.
Nascido espontaneamente, à sombra tutelar do promontório de Montedor, com o seu típico Farol, mantém-se como guardião das danças e cantares da histórica Freguesia de Santa Maria de Carreço.

Das danças e cantares, todas elas oriundas de Carreço, destacam-se: Senhor da Serra, Chula, Gota, Rusga, Tirana, Velho, Preto, Pai do Ladrão, Cana Verde, Redonda, Verde Gaio, Rosinha, Carreço por Ser Carreço, e o Vira, como não podia deixar de ser, com várias versões, todas elas de imponente beleza.

Em relação aos trajes, cada um tinha uma função específica, apropriada a cada actividade, sendo mais ou menos elaborados, conforme as posses de cada um. Assim, das várias existentes salientamos para a mulher: Traje de Lavradeira, Lavradeira de Dó, Traje de Ceifeira, Traje de Tradição, Traje de Feirar, Traje de Trabalho e embora não sendo de Carreço, mas sim da região de Viana, temos ainda o: Traje de
Mordoma e Traje de Noiva. Para os homens destacam-se: Fato de Domingo ou Dias de Festa, Traje de Mordomo, Traje de Lavrador e Traje de Trabalho.

Quanto aos instrumentos musicais, também eles recebem a herança do passado, hoje mais enriquecido. Nas primeiras actuações, havia apenas uma harmónica, depois foram-se juntando as Concertinas, as Violas, os Cavaquinhos, os Ferrinhos e mais tarde o Acordeão diatónico. Destaca-se um instrumento único no País, as Conchas de Crustáceos (Vieiras), que marcam o ritmo da música, funcionando assim, com um instrumento de percussão.

Ao longo da existência deste rancho, vários foram os seus intervenientes, destacadas cantadeiras e dançadores, quase sempre anónimos, mas que sem eles, este percurso seria impossível. Graças ao seu espírito de sacrifício, à sua devoção e ao seu temperamento artístico, após as tarefas árduas de cada dia, que este rancho é chamariz de gentes e propaganda da região minhota. Deve-se no entanto destacar o seu fundador Carlos Peixoto de Freitas Sampaio, sua filha Teresa Freitas Sampaio e seu neto e actual director Carlos Silvano Freitas Sampaio.
Estão aqui descritos vários factores ilustrativos, da importância cultural que este rancho evidência.

É de facto, uma embaixada cultural viva, não só de Carreço, mas também da Região de Viana do Castelo.
O Rancho Regional das Lavradeiras de Carreço deixa por onde passa e de forma indelével, o seu saber de cultura, com brilho e orgulho, desde o Minho ao Algarve, Madeira, Açores, Espanha, França e Brasil, onde tem recebido as mais variadas distinções nestas suas deslocações.

Este Grupo é Sócio Fundador da Federação do Folclore Português. Sócio Fundador da Associação
de Grupos Folclóricos do Alto Minho e está inscrito no INATEL, IPJ.

Site recomendado:
http://www.lavradeirascarreco.com/global.htm

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

MUSEU ETNOGRÁFICO DO TRAJO ALGARVIO.


Museu criado em 1982 e instalado num Palacete do século XIX. Nele se recolhem trajes tradicionais e material etnográfico regional. Possui mais de 1500 peças oriundas de todo o Algarve. Para além dos trajes tradicionais das várias regiões algarvias, como o serrenho, o do barrocal e o da orla marítima encontramos coleções de utensílios de barro, de cortiça, latoaria, cestaria, faianças, etc. De salientar uma coleção de bonecas, num total aproximado de 300 peças que dão a conhecer o trajo, os costumes de muitos países. A região algarvia está representada com as bonecas de Querença, Ameixial, Martinlongo e as Marafonas - bonecas com as pernas e braços de cana.O museu é constituido por 16 salas e trata-se de um edifício com uma forte ambiência arabizante principalmente nas portas rematadas com arcos em forma de ferradura e nos tetos de madeira caprichosamente trabalhados.

Vale a pena uma visita!

Localização: Rua Doutor José Dias Sancho 61 - São Brás de Alportel 8150-141 SÃO BRÁS DE ALPORTEL- Distrito: Faro- Concelho: São Brás de Alportel.Telefone:(351) 289840100. Algarve - Portugal.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

TRICANAS 1870 , 1900 , 1915 - OVAR - BEIRA LITORAL.


A Tricana de 1870

Tricana era uma qualidade de tecido, mas passou a designar-se por "Tricana" a mulher do povo que envergava uma peça de vestuário confeccionada com esse mesmo tecido.
A Tricana de 1870 era a mulher da Murtosa, normalmente filha de lavradores abastados, que caprichava quando se vestia para ir a qualquer festa popular ou à igreja.
A Tricana de 1870 vestia:

Saia preta de lã, pregada a toda a volta, com uma barra de veludo preto; Casaquinha preta de lã, debruada a veludo preto; Capoteira de Baieta – tecido de lã debruado a veludo, liso ou lavrado - muito rodada, que descia até ao joelho e se usava pelas costas;
Lenço branco de bobinete, com nó singelo à frente;
Chinelas pretas;
Meias brancas de algodão, rendadas e feitas à mão;
Muitas vezes a mulher vestia desta maneira no dia do casamento e esse mesmo traje servia para a acompanhar até à morada final.

A Tricana de 1900
Com o passar do tempo, o traje da Tricana foi sofrendo algumas alterações, acompanhando a evolução do modo de vida da população.
Esta Tricana vestia-se da seguinte forma:
O xaile de barra de seda substituiu a Capoteira;
A saia passou a ser de seda lavrada, ainda que com roda até ao tornozelo;
O lenço passou a ser de seda e de cor, amarrado à frente e atrás;
Blusa de algodão fino, com espelho e renda;
Meias de algodão brancas, rendadas, feitas à mão; Chinelas pretas.
Quando ia para a festa, levava o xaile dobrado no braço. Quando ia para a igreja, punha-o pelas costas.

A Tricana de 1915
É nesta Tricana – de 1915 a 1920 – que podemos apreciar uma maior e mais rápida evolução.
A Grande Guerra de 1914-18 trouxe uma muito maior abertura do país à Europa, tendo começado a entrar em Portugal influências diversas, tanto no modo de viver, como, principalmente, na maneira de vestir.
Essa influência traduziu-se, no caso da Tricana, da seguinte forma:
A saia passou a ser feita de lã fina, perdendo quase toda a sua roda e subindo acima do tornozelo;
A blusa abotoa à frente e sem colarinho;
O lenço de seda passou a ser preto;
O xaile é de lã de merino com pontas de seda compridas;
As chinelas são de verniz e salto alto;
As meias passaram a ser de vidro.
Era um traje de festa e de cerimónias religiosas.

Fonte: Museu Etnográfico de Ovar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

LENDA DE NOSSA SENHORA DE VAGOS - AVEIRO.


A pouco mais de um quilómetro da vila de Vagos, situada num local campestre, pitoresco e aprazível, convidativo à oração, fica a ermida de Nossa Senhora de Vagos cheia de história e tradição. Consta que antes do actual santuário, existiu outro a dois quilómetros deste de que há apenas vestígios de uma parede bastante alta, denominada «Paredes da Torre», cercada presentemente por densa floresta mas de fácil acesso. Tradições antigas com várias lendas à mistura, dizem que perto da praia da Vagueira naufragou um navio francês dentro do qual havia uma imagem de Nossa Senhora que a tripulação conseguiu salvar e esconder debaixo de arbustos que na altura rareavam no areal.

Dirigindo-se para Esgueira, freguesia mais próxima, a tripulação contou o sucedido ao Pároco que acompanhado por muitos fiéis, veio ao local onde tinham colocado a imagem, mas nada encontrou. Dizem uns que Nossa Senhora apareceu a um lavrador indicando-lhe o sítio onde se encontrava o qual aí mandou construir uma ermida; dizem outras que apareceu em sonhos a D. Sancho primeiro quando se encontrava em Viseu que dirigindo-se ao local e tendo encontrado a imagem, mandou construir uma capela e uma torre militar a fim de defender os peregrinos dos piratas que constantemente assaltavam aquela praia. Mas parece que a primeira ermida e o culto da Nossa Senhora de Vagos datam do século doze. O que fez espalhar a devoção a Nossa Senhora de Vagos foram os milagres que se lhe atribuem. Entre eles consta a cura de um leproso, Estevão Coelho, fidalgo dos arredores da Serra da Estrela que veio até ao Santuário. Ao sentir-se curado além de lhe doar grande parte das suas terras, ficou a viver na ermida, vindo a falecer em 1515. É deste Estevão Coelho, que conta a lenda ter quatro vezes a imagem de Nossa Senhora de Vagos, sido trazida para a sua nova Capela, quando das ruínas da Capela antiga (Paredes da Torre), e quatro vezes se ter ela ausentado misteriosamente para a Capela primitiva. Só à quarta vez se reparou que não tinham sido transferidos os ossos de Estêvão Coelho, e que as retiradas que a Senhora fazia eram nascidas de querer acompanhar o seu devoto servo que na sua primeira Ermida estava sepultado; trasladados os ossos daquele, logo ficou a Senhora sossegada e satisfeita. Supõe - se que ainda hoje, à entrada do Templo existe uma pedra com o nome de Estêvão Coelho.

Outro grande milagre teve como cenário os campos de Cantanhede completamente áridos e impróprios para a cultura devido a uma seca que se prolongava à mais de quatro anos. A miséria e a fome alastrou de tal maneira por aquela região que todo o povo no auge do deserto elevava preces ao Céu, para que a chuva caísse. Até que indo em procissão à Senhora da Varziela, ouviram um sino tocar para os lados do Mar de Vagos. Toda a gente tomou esse rumo. Chegados à Ermida de Nossa Senhora de Vagos, suplicaram a Deus que derramasse sobre as suas terras a tão desejada chuva o que de facto sucedeu. Em face de tão grande milagre, fizeram ali mesmo um voto de se deslocarem àquele local de peregrinação, distribuindo ao mesmo tempo as pobres esmolas, dinheiro, géneros, etc. ... Ainda hoje essa tradição se mantém numa manifestação de Fé e Amor. Ainda hoje o pão de Cantanhede continua a ser distribuído em grande quantidade no largo da Nossa Senhora de Vagos.

Perto do actual santuário que pelas lápides sepulcrais aí existentes, remonta ao século XVII, construíram-se umas habitações onde de vez em quando se recolhiam em oração os Condes de Cantanhede e os Srs. de Vila Verde. Hoje, já não existem vestígios dessas habitações.

Vagos:

É vila do distrito e diocese de Aveiro, sede de concelho, comarca e tem fronteiras com os concelhos de Ílhavo, Aveiro, Cantanhede, Mira, Oliveira do Bairro e com o Oceano Atlântico.
Em 1514 recebeu do rei D. Manuel o primeiro foral. Compõe-se das freguesias de Calvão, Covão do Lobo, Fonte de Angeão, Gafanha da Boa Hora, Ouca, Ponte de Vagos, Sosa, Santa Catarina, Santo André de Vagos, Santo António de Vagos e Vagos.
A área do concelho é de 173 Km2 e os últimos censos atribuíram-lhe 19.710 habitantes e 17.204 eleitores.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

RANCHO DE DANÇAS E CANTARES DE AFIFE - VIANA DO CASTELO.

Foi por volta de 1920 que em Afife se iniciou o primeiro esboço para a formação de um agrupamento folclórico. Assim sendo, foi sob a direcção do afifense Tomás Fernandes Pinto, que foi constituído um grupo composto apenas por elementos femininos. A partir dessa data os afifenses foram dando continuidade ao grupo folclórico, até que no ano de 1962, sob a direcção do Dr. João Barrote, foi formado o célebre Grupo Folclórico de Afife. A freguesia de Afife situa-se a 10 km a norte de Viana do Castelo, junto ao mar. Toda a freguesia é de extremo interesse, devido às suas características geográficas e estruturais. Os trajes utilizados são trazidos pelos seus próprios elementos ou por familiares. Existem até trajes autênticos, do princípio do século. Cláudio Bastos referiu num estudo que intitulou de “Traje à Vianesa''
e onde também é mencionado o traje de Afife: “Este vestuário principalmente quando batido pelo sol, é um deslumbramento de coloração, uma verdadeira romaria de cores, nada pasmando que ele seja o predilecto da massa popular, alheia ao bairrismo das freguesias”. Os mentores do grupo foram a célebre Ofélia das Cachenas e o Cácio do João Enes (Cácio Bandeira). Pedro Homem de Mello, viveu sempre com entusiasmo o folclore de Afife. Dedicou-lhe poemas e considerou a Ofélia das Cachenas como a maior folclorista da região. Organizou diversos espectáculos e acompanhou o grupo em diversas deslocações. Na década de 80 o folclore em Afife esteve estagnado, até que, por altura da preparação de uma festa da escola primária em 1994, Catarina Pires, Abílio Torres, Carlos Fernandes, liderados por Rui Manuel Areias, decidiriam incentivar as crianças a dançar folclore, daí nasceu a ideia de criar o Rancho Infantil de Danças e Cantares de Afife. No dia 10 de Junho de 1995, o Rancho volta a renascer, contando com a participação de 20 pessoas e fazendo a primeira actuação no dia 5 de Agosto no Parque de Campismo da INATEL em Viana do Castelo, perante uma assistência que ultrapassou as mil pessoas. O Rancho foi legalizado por escritura pública a 9 de Abril de 1996 e a publicação no Diário da República deu-se a 26 de Julho do mesmo ano. O grupo é membro do Registo Nacional das Associações Juvenis (RNAJ). O Rancho de Danças e Cantares de Afife tem-se mantido activo desde então, contando-se várias actuações dentro e fora do país.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

TRAJE DE TRABALHO (CEIFEIRA) - MOIMENTA DA BEIRA - VISEU.


Blusa de tecido de algodão branco estampado (chita) com pequenos motivos azuis; gola larga guarnecida com bordado estreito; frentes ajustadas com botões; mangas compridas ajustadas no punho com bordado.

Saia de tecido de algodão estampado gorgorina, franzida na cintura. Avental de riscado azul, preto e vermelho cobrindo toda a frente da saia. Sobre a anca, corda servindo de cinta, arregaçando a saia e segurando uma cabaça.

Na cabeça , lenço de algodão estampado e chapéu de palha, de abas largas dobradas e atadas com as pontas do lenço. Calça socos romeiros.

Trajo simples nos tecidos e nos pormenores decorativos, como convém ao desenpenho do árduo trabalho agrícola da ceifa.

Contudo, as mulheres desta região, quando andam no trabalho, vestem uma saia de cor vermelha ou alaranjada, designada por

bichaneira (termo usado na beira para designar uma saia de trabalho).

A cabaça que suspende na cintura serve para levar a água com que mata a sede durante a jorna.

A designação de socos romeiros significa que foram usados nas romarias enquanto novos e passaram a ser usados no dia a dia quando já estavam velhos.

Fonte: O trajo regional em Portugal , de Tomaz Ribas.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

TRAJE DE NOIVA - MINHO.

O traje de noiva é, sem dúvida, um dos mais emblemáticos do trajar no Minho. A escolha do tecido preto confere a todo o traje a solenidade exigida ao próprio ritual do casamento ou às poucas ocasiões, excepcionais, em que ele era usado. Para assinalar esses momentos, a rapariga colocava ao peito todo o ouro que possuía, mostrando, assim, o seu poder econômico. Ambicionado por todas as raparigas casadoiras minhotas, este traje era objeto dos maiores cuidados e desvelos, logo guardado na arca, após as raras aparições em público, para um dia ser doado à filha ou à neta, como se de uma jóia se tratasse. Por vezes, serviria este traje, ainda, uma última vez, como mortalha. Composto por casaca de tecido de seda preta lavrada, ajustada ao corpo, formando uma pequena aba na cintura e contando com decoração em bordados aplicados de vidrilhos, galão, e fita de cetim pregueada, tudo em preto, saia de tecido preto de lã, com barra em veludo ricamente bordada em vidrilhos, decorada na orla com aplicação de fita e tira de cetim pregueada, avental de veludo preto, decorado com bordados em vidrilhos, formando a coroa real no centro, enquadrada por motivos vegetalistas, algibeira entre o avental e a saia, em forma de coração estilizado, bordada com vidrilhos, lenço branco de tule bordado com fio de seda, meias rendadas brancas e chinelas pretas bordadas em branco. No peito, sobre o fundo negro da casaca, sobressaem os ouros tradicionais, e, nas orelhas, usa-se os brincos à rainha. A rapariga leva, ainda, em mãos, com delicado bordado a ponto de cruz com motivos de simbologia amorosa, a segurar o ramo de noiva, um lenço de amor.


Fonte: O trajo regional em Portugal , de Tomáz Ribas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ROMARIA DE N. Sra DOS REMÉDIOS - LAMEGO.

Não se pode falar sobre o culto de Nossa Senhora dos Remédios sem referir o nome de D. Manuel de Noronha, bisneto do descobridor João Gonçalves Zarco. Ocupou um importante cargo no Vaticano do papa Leão X, tendo sido nomeado bispo de Lamego a meio do séc. XVI. Foi este o fundador da devoção e da confraria da Senhora dos Remédios, tendo mandado trazer de Roma a respectiva imagem.

A primeira capela foi erguida no local de uma outra, dedicada a Santo Estêvão, que trazia a esse monte alguns fiéis já desde 1361. A imagem da Virgem ganhou fama e avultadas esmolas eram deixadas no decorrer do séc. XVIII. Serão desta altura as primeiras festas em sua honra, que então duravam apenas um dia, tendo começado também a construção do actual santuário, um dos mais belos monumentos de Portugal, que só ficou concluído em 1905. A fachada, de inspiração barroca, é ladeada por duas torres sineiras, avistando-se de toda a cidade. Um escadório com 686 degraus ergue-se desde o centro da cidade até ao cimo do monte, estando cheio de lugares surpreendentes, como o Pátio dos Reis.

Ultrapassando, há muito, as fronteiras da região, as festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios afirmaram-se como uma das mais importantes romarias que se realizam em Portugal. Desde a última quinta-feira de Agosto até ao dia 8 de Setembro, cerca de 300 mil pessoas vão agradecer à santa a resposta às suas preces ou, simplesmente, fazer a festa. A Procissão do Triunfo, nesse dia, é uma das poucas no mundo cujos andores continuam a ser puxados por juntas de bois, graças a uma especial permissão da Santa Sé, emitida em 1925. Os carros vão magnificamente engalanados.

Outra das peculiaridades desta romaria é a "marcha luminosa", que se realiza na noite do dia 6, sendo composta por uma dezena de carros alegóricos e numeroso figurado vivo, que percorre as ruas e avenidas da cidade. Na tarde do dia 7 ocorre a "batalha das flores", altura em que os romeiros lançam pequenos pedaços de papel colorido sobre o desfile. O programa fica completo com diversos eventos culturais e desportivos, folclore, espectáculos musicais e pirotécnicos, exposições e feira.


Fonte: «Enciclopédia das Festas Populares e Religiosas de Portugal, de Felipe Costa Pinto.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

RANCHO FOLCLÓRICO DA CASA DO POVO DE AROUCA.

O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca foi fundado em 1972 com o nome de rancho folclórico de Arouca. Com a integração na secção cultural da casa do povo de Arouca, em 1973, o seu nome viria a ser alterado para o nome que hoje ostenta.Os cantares e dançares de Arouca, as vozes, os costumes e os trajes das gentes da sua terra, partindo de uma recolha adjacente do cancioneiro de Arouca, da autoria de Virgílio Pereira, são aqui fielmente representados. Manter viva as tradições folclóricas e etnográficas e os traços de ruralidade do povo arouquense eram os propósitos dos seus fundadores e seguidores. da serrania ao vale, do Paiva ao Arda, Arouca e um tesouro cultural evidenciado nos tablados onde este rancho actua.Com uma escola de aprendizagem para tocadores de concertina e cavaquinho e um grupo infantil e juvenil que, para além das danças de folclore arouquense, ensaia canções do nosso cancioneiro, canções populares e leva a cena pequenos teatros. O rancho folclórico da casa do povo conta com cerca de 45 elementos.Ao longo de mais de três décadas o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca actuou em festivais de folclore nacionais e internacionais, animou festas e romarias, e organiza anualmente em Agosto o festival de folclore. Em Abril de 1990 e Maio de 2001, atravessaria o atlântico em duas digressões pelo Brasil, actuando nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos. Em 1998, representaria o folclore arouquense a quando a assinatura do protocolo de geminação entre a cidade francesa de Poligny e Arouca, sendo aí justamente homenageado pela associação portuguesa local, pelo apoio dado na criação de um Rancho Folclórico Lusitano.

Caminhando para as bodas de ouro, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca Continuará a preservar o passado e as suas tradições, legado dos antepassados para as gerações futuras, de ontem, de hoje e de amanhã. estas são as palavras do presidente da direcção:António Gonçalves Teixeira. http://ranchoarouca.blogspot.com/

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Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca - Vira de Trempes


terça-feira, 26 de agosto de 2008

GRUPO DE FOLCLORE DA PONTA DO SOL - ILHA DA MADEIRA.


Com povoadores de origens tão diversas a nível de categorias sociais e localidades, logo Ponta do Sol se torna ponto de confluência de culturas que vão sendo assimiladas e enriquecidas, constituindo uma herança etnográfica a preservar, onde estão subjacentes o trabalho, o divertimento, a religiosidade e sofrimento deste povo. Foi para salvaguardar este património cultural em risco de se perder que surgiu em 2 de Agosto de 1981 o Grupo Folclórico da Casa do Povo da Ponta do Sol, hoje designado Grupo de Folclore da Ponta do Sol, com o objectivo de recolher, preservar e divulgar, os usos, costumes e tradições da Região Autónoma da Madeira, em particular o concelho da Ponta do Sol.Foi feito um exaustivo trabalho de recolha, através de contactos directos com a população mais idosa detentora de memórias culturais significativas; danças, canções, objectos relacionados com as actividades agrícolas e domésticas do passado, bem como, roupas e artesanato que o grupo tem procurado adquirir sempre que possível.A Ponta do Sol tem inscrito o seu nome na Federação de Folclore Português, através do seu grupo que é membro efectivo daquela organização desde 1990, sendo o primeiro grupo madeirense federado.No ano de 2006, foi homenageado com o Galardão da Cultura, pelo Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional do Turismo e Cultura, pelos serviços prestados em prol da Cultura.

Site recomendado:Grupo de folclore da Ponta do Sol

http://www.grupofolclorepontadosol.net/index.htm

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Grupo de Folclore da Ponta do Sol - Baile Pesado


segunda-feira, 18 de agosto de 2008

PROGRAMA DA ROMARIA DE NOSSA SENHORA D' AGONIA 2008 - VIANA DO CASTELO.


Programa da Romaria

Dia 15 – 6.ª feira: 15h00 - Abertura da “XII Feira/Exposição de Artesanato da Romaria d'Agonia”

Decorrerá, como vem sendo hábito, esta Feira, a VII deste novo ciclo, no corredor central do Jardim Público Marginal, com mais de 40 artesãos da nossa região, muitos deles a apresentar trabalho ao vivo.

Julgamos ter sido pioneiros nestes eventos "As Feiras de Artesanato", pois já em 1964 faziam parte do programa das Festas d'Agonia, onde se pode ler:

"Ás 11 horas - Abertura da Exposição de Artesanato Regional, no Palacete Luís do Rego, à Praça General Barbosa. Mostruário dos nossos tão característicos trabalhos regionais, produtos de pequenas oficinas, bordados, etc..."

E pelo êxito alcançado, repetiu-se a "Feira de Artesanato" nos cinco anos seguintes, no pavilhão e terrenos do então demolido Mercado Municipal, hoje do conhecido "Prádio Coutinho", nos anos seguintes.

Perdido o espaço, esmorecidas as vontades, somente em 2002, e em boa hora, se reacendeu esta vontade de mostrar a todos quantos nos visitam o tradicional artesão vianense, no seu trabalho ao vivo. Que este espaço seja para todos um motivo de orgulho e atracção.

Dia 19 - 3.ª feira:
22h00 - Animação e Baile Popular

Junto da Muralha do Castelo de Santiago da Barra, arraial popular, promovida pelos pescadores da nossa ribeira. Inicio da confecção dos tapetes floridos nas ruas da ribeira.

Dia 20 – 4.ª feira: (Feriado Municipal)

DIA DE NOSSA SENHORA D'AGONIA

08h30 - ALVORADA

Já se ouvem os morteiros... são 21, bem estrondosos e com eles o atroar aumenta com os Zés P'reiras e as Bandas de Música; e a compasso, o dançar dos Gigantones e cabeçudos, que na Praça da República, a nossa Sala de Visitas, dão inicio à mais tradicional das romarias de Portugal: a Romaria de Nossa Senhora d'Agonia.

GRANDE FEIRA

Tem lugar no Campo do Castelo e Praça General Barbosa constituindo, pela sua genuinidade e animação, um dos mais interessantes e típicos aspectos das gentes deste concelho do Alto-Minho.

TAPETES FLORIDOS

Não poderemos ignorar o trabalho das gentes da ribeira que durante toda a noite labutaram, não na sua habitual e perigosa faina, mas na manifestação do seu amor pela Santa Padroeira, ao cobrirem as ruas com tapetes floridos para a passagem da Senhora.

10h00 - CONCERTO MUSICAL

No coreto do Largo de S. Domingos pela Banda de Música da Portela.

12h00 - REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS

O Largo de S. Domingos será o cenário desta primeira e tão típica manifestação.

14h00 - CONCERTO MUSICAL

No coreto do Largo de S. Domingos pela Banda de Música da Portela.

14h30 - SOLENE CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

Presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D. José Augusto Pedreira, Bispo da Diocese.

Finda a SANTA MISSA sairá do Santuário de Nossa Senhora d'Agonia, Nossa Senhora dos Mares e S. Pedro, a caminho do Cais dos Pilotos, onde , depois da alocução, será dada a "Benção ao Mar" e às embarcações, seguindo-se-lhe a

PROCISSÃO AO MAR E AO RIO com inúmeros barcos a acompanharem a Senhora na sua saída. O regresso ao Santuário será feito pelas ruas da nossa Ribeira belamente atapetadas e decoradas com motivos piscatórios. É desta forma singela mas carinhosa que os moradores demonstram a sua devoção a NOSSA SENHORA D'AGONIA.

Nota: Os maravilhosos tapetes poderão ser admirados durante todo o dia, até à hora do retorno da Procissão, cerca das 17 Horas.

21h30 - CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República pela Banda de Música da Portela.

22h00 - ARRAIAL

No campo do Castelo, Doca dos Pescadores e Praça General Barbosa com todas as diversões em funcionamento.

Sessão de FOGO DE ARTIFÍCIO, que melhor poderá ser admirada na Praça de Viana ou Praça da Ribeira,(junto à antigas Torre dos Pilotos) onde prosseguirá o "ARRAIAL MINHOTO"

Dia 21 – 5.ª feira: 08h30 - ALVORADA

GRANDE FEIRA

Continuará nos mesmos sítios e com a mesma animação.

11h00 - "CIRCUITO DO FEIRÃO"

Onde poderá encontrar, conviver e saborear alguns dos mais famosos petiscos das gentes das nossas freguesias.

Ali, durante todo o dia, estarão cinco dos muitos Grupos Folclóricos do nosso concelho, instalados em pavilhões dispersos pela cidade, exibindo em simultâneo a riqueza dos seus trajes, cantares e suas danças.

(ver programa específico com localização)

14h30 - CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República pela Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima

21h30 - ESPECTÁCULO MUSICAL

NA Praça da Liberdade, poderemos assistir ao grandioso espectáculo musical popular, com "AUGUSTO CANÁRIO E AMIGOS".

CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República pela Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima.

Dia 22 – 6.ª feira:
08h30 - ALVORADA

Repete-se aqui, nos dias seguintes, e sempre no mesmo lugar, a Praça da República e nos moldes tão tradicionais.

GRANDE FEIRA

Continuará nos locais estabelecidos e com a mesma animação.

09h30 - CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo.

10h00 - DESFILE DA MORDOMIA

750 Anos de Foral... 750 Mordomias

As Mordomas são as Rainhas da Festa. Raparigas solteiras - sem fama - que fazem os seus primeiros ex-votos de amor na Romaria da Nossa Senhora d'Agonia apresentando-se oficialmente na cidade e nos cumprimentos ao Governador Civil, à "nossa" Câmara Municipal, ao Bispo da Diocese. Desta feita, vamos tentar duplicar os números habituais! Mordomas - também Festeiras- ( Trajes de Mordoma, Morgada, Luxar no seu colorido de vermelhos, azuis e verdes); no seu primeiro "vira" de debutantes; na sua primeira "função" das Mordomarias. Para que se conste!

12h30 - REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS

Agora, na Praça da República os Grupos de Zés P'reiras e de Bombos, com o habitual barulho ensurdecedor prestam homenagem aos Gigantones e Cabeçudos.

14h30 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo e no Largo de S. Domingos pela Banda Bingre Canelense.

16h30 - ORAÇÃO DE VÉSPERAS

No Santuário de Nossa Senhora d'Agonia.

17h00 - PROCISSÃO SOLENE DA SENHORA D'AGONIA

É organizada pela Confraria de Nossa Senhora d'Agonia e será presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D. José Augusto Pedreira, o nosso Bispo. Desfilará por algumas das ruas da cidade e, como sempre,seduzirá pelo rigor das suas vestes e dos seus Quadros Bíblicos.

21h30 - VAMOS PARA O FESTIVAL

Zés P'reiras, Bandas de Música e Grupos Folclóricos, em sintonia com o muito povo que se incorpora neste desfile, fazem a festa, descendo a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra em direcção ao Jardim Marginal.

22H00 - FESTIVAL NO JARDIM

Em dois palcos poderemos assistir ao encanto e beleza das danças e cantares de Grupos Folclóricos exclusivamente do nosso concelho.

Também poderemos deliciar-nos com a Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo no coreto da Praça da República e da Banda Bingre Canelense no coreto do Jardim Marginal, enquanto aguardamos pela espectacular sessão de fogo de artifício, nesta noite o afamado "FOGO PRESO".

Dia 23 – Sábado:
08h30 - ALVORADA

Nos mesmos locais da cidade em que decorreu a anterior e nos mesmos moldes.

GRANDE FEIRA

Continuará nos locais habituais.

10h00 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima e do Largo de S. Domingos pela Banda da Sociedade Lanhelense.

12h00 - REVISTA DE “GIGANTONES E CABEÇUDOS”

De novo na Praça da Republica com toda a riqueza dos seus movimentos, do atroar dos bombos e com esfuziante alegria.

14h00 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima e do Largo de S. Domingos pela Banda da Sociedade Lanhelense.

16h00 - “CORTEJO ETNOGRÁFICO - " A voz da Romaria" - comemorativo dos cem anos de "paradas" e "cortejos" de Nossa Senhora d'Agonia.

1908 - as paradas agrícolas, os cortejos etnográficos e do trabalho; das tradições, usos e costumes; das feiras e feirões; do "fantástico" e maravilhoso"; dos cortejos temáticos: Caminhos de Santiago, Alto Minho em Festa, 500 Anos do Brasil, Pedro Homem de Mello, O Traje e o Bordado, O ouro do Minho e o Ouro de Viana, A cerâmica de Viana através dos tempos, A Voz da Romaria (2008).

21h30- CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima e do Largo de S. Domingos pela Banda da Sociedade Lanhelense.

22h00- A FESTA DO TRAJE

Tem lugar no Castelo Santiago da Barra.Numa nova encenação, procurará corresponder-se à grande expectativa que o traje à vianesa" sempre provoca a quem nos visita.

Um só palco, mas com três funções diferentes. Uma explicação pormenorizada: o vestir da "lavradeira", da "mordoma" e da "noiva". O trajo de "cotio", "domingar","peditório" , "ir à festa"; as "meias senhoras" e as "morgadas". O pormenor do "ourar", da cor. Nos seus Ofícios. Ao Vivo!

GRANDE ARRAIAL MINHOTO

As muitas e variadas diversões, as tocatas, os cantares ao desafio, as barracas de "comes e bebes", as tendinhas de café" e a alegria do muito povo que nestas noites procura esquecer as "canseiras" do dia a dia, são a garantia de que este popular número de agrado certo, se prolongará pela noite fora, como o mais típico e alegre ARRAIAL que terá lugar no Campo do Castelo e Praça General Barbosa.

Logo que termine a Festa do Traje, será queimado o fogo do ar que é, sem sombra de dúvida, um dos pontos altos do inolvidável ARRAIAL e que tem por nome “FOGO DO MEIO OU DA SANTA”

Dia 24 – Domingo:

8:30 - ALVORADA

Queimam-se os últimos foguetes da Alvorada e inicia-se aquela que será a última grande Feira do corrente ano e que ocorrerá no mesmo recinto das anteriores.

10h00 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda dos Escuteiros de Barroselas e do Largo de S. Domingos pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima.

12H00 - REVISTA DE “GIGANTONES E CABEÇUDOS”

Será esta a última revista do ano, onde os Gigantones e Cabeçudos receberão as honras dos seus "vassalos" que são os diversos Grupos de Zambumbas e que terá lugar na Praça da República

14h30 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda dos Escuteiros de Barroselas e do Largo de S. Domingos pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima.

15H30 - FESTIVAL DE CONCERTINAS E CANTARES AO DESAFIO

O genuíno e castiço espectáculo, onde dezenas de tocadores de concertina e muitos cantadores e cantadeiras, proporcionarão aos amantes deste popular "desafio cantado", uma tarde inesquecível e que terá lugar no Jardim Público Marginal.

17H30- TOURADA

No redondel da Argaçosa.

A qualidade deste "cartel inédito" é a garantia de continuidade do bom-nome de que gozam as "TOURADAS D'AGONIA"

Cavaleiros: Joquim Bastinhas / Sónia Matias / Luís Roxinol / Joana Andrade / Marcos Bastinhas e Isabel Ramos

Forcados: Grupo de Amadores de Alcochete e Grupo de amadores do Aposentado da Chamusca

Toiros: Da Prestigiada ganadaria do Dr. Brito Pais

21H30- VAMOS PARA A SERENATA

São novamente os grupos de Gaiteiros, Zés P'reiras e Bombos, as Bandas de Música e os Grupos Folclóricos que, com o entusiástico acompanhamento dos "romeiros" - este bom povo que nos visita e se sabe integrar neste espectáculo ímpar.

Terá início no Largo da Estação dos Caminhos-de-Ferro, descerá a Av. dos Combatentes da Grande Guerra em direcção ao Jardim Marginal, onde terá lugar o último Festival.

22H00- FESTIVAL NO JARDIM

Concertos musicais, nos coretos da Praça da República pela Banda dos Escuteiros de Barroselas e no do Jardim Marginal pela Banda do Povo de Moreira do Lima, exibição de Grupos Folclóricos em estrados próprios e por fim a MARAVILHOSA SERENATA NO RIO LIMA

e

Começa a Saudade....

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

ROMARIA DE N. Sra D' AGONIA - VIANA DO CASTELO.

A romaria de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do castelo, é considerada uma das maiores de Portugal. A primeira referência a este culto remonta ao século XVIII, mais precisamente a 1744. A ligação com a comunidade piscatória é forte nos festejos de Nossa Senhora da Agonia. Até 1968, quando se passou a efectuar a procissão fluvial, eram os próprios pescadores que carregavam o andor com a imagem.
A devoção começou com a imagem presente na capela do Bom Jesus de Santo Sepulcro do Calvário, que mais tarde se chamou Capela do Bom Jesus da Via Sacra e que, ainda mais tarde, se passou a chamar Capela da Senhora da Soledade. O local onde se encontrava a capela, permitia aos vianenses observar as chegadas bem sucedidas dos barcos de familiares que partiam para o mar, mas também originavam momentos de aflição com a sorte desses pescadores, entregues aos caprichos das marés. Foi por esta razão, conta-se, que o povo de Viana do Castelo, sofrendo diariamente as angústias da vida do mar, decidiu renomear a imagem que já tanta devoção originava com um novo nome: Nossa Senhora da Agonia.
Foi a partir dessa data que a romaria em torno de Nossa Senhora da Agonia começou a cativar cada vez mais devotos. Tanto que em 1772 o dia único de romaria alargou-se a 3 dias, embora o principal actrativo continuasse a ser as cerimónias religiosas. Apesar de os dias tradicionais (18, 19 e 20 de Agosto) terem mudado para coincidirem com sexta, sábado e domingo, está determinado que os festejos não podem ocorrer antes de dia 15 ou depois de dia 25 de Agosto. A partir de 1968 a Procissão da Senhora da Agonia passou a fazer-se também no mar.
Com o passar dos anos o número de visitantes tem aumentado, bem como as iniciativas paralelas aos festejos religiosos. Um Cortejo etnográfico representativo do distrito, uma feira de artesanato regional e o também já tradicional fogo de artifício junto ao Rio Lima, são algumas das actividades que animam a cidade durante a romaria.


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Romaria de Nossa Senhora d'Agonia



terça-feira, 5 de agosto de 2008

FESTAS E ROMARIAS

«As festas e romarias, tão caras à alma do nosso povo, crente e folgazão, têm uma função simultaneamente religiosa e social. A elas afluem, de todas as partes por onde andam dispersos, os filhos da terra, para alimentar a fé que os liga à sua igreja e fortalecer as raízes que os ligam ao seu torrão natal. Nelas se robustecem velhas amizades e se criam outras novas, embora, às vezes, se gerem também discórdias, porque o calor aperta e o vinho sobe à cabeça dos romeiros, o que felizmente se vai tornando cada vez mais raro. Depois de satisfeitas as devoções e cumpridos os votos, hora de dar largas à emoção e à alegria, num convívio salutar e fraterno, com os parentes e amigos, cantando e dançando, no largo da igreja ou no recinto da ermida.»(*)As Festas e Romarias são um traço típico da cultura popular e tradicional do nosso povo. Estas manifestações, extremamente numerosas e variadas, acontecem um pouco por todo o país, e fazem parte das tradições e memórias de um povo que luta para manter actual a cultura secular que lhe confere uma identidade muito própria.

Apesar de decorrerem ao longo do ano, é nos meses de Julho e Agosto que acontece a maior parte das festas e romarias em Portugal, unindo quase sempre a componente religiosa a um programa popular.

(*) Joaquim Alves Ferreira in CANCIONEIRO LITERATURA POPULAR DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO (5 vol)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

PROGRAMA DAS FESTAS DA MEADELA 2008 - VIANA DO CASTELO.

Festas da Meadela
Sexta, 01 de Agosto de 2008
Programa
Dia 1 de Agosto (Sexta Feira)
08H30 - Alvorada festiva. Uma salva de morteiros e um Grupo de Zés P’reiras, darão inicio às tradicionais Festas da Meadela em honra da sua Padroeira Santa Cristina
Entrada da Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima.
09H30 - Visita da Mordomia à Cidade. A comissão de Festas da Meadela e um grupo de jovens Meadelenses, rigorosamente trajadas, acompanhadas pela Banda de Música e pelo Grupo de Zés P’reiras, percorrerão as principais ruas da cidade, visitando e apresentando cumprimentos às Autoridades Religiosas e Civis.
13H00 - Almoço-convívio da Comissão de Festas com a mordomia, na escola Primária da Igreja n.º 5
18H30 - Celebração Solene da Eucaristia
19H30 - Abertura de Exposições.
21H00 - Abertura do 19º Arraial Inter-Associativo
21H30 - Primeiro Arraial Nocturno: música e diversões
22H00 - Espectáculo Musical com a Orquestra NORWEST
Dia 2 de Agosto (Sábado)
09H00 - Nova alvorada festiva, com o tipicísmo da do dia anterior
15H00 - Entrada do Grupo de Gaitas de S. Tiago de Cardielos, que desfilará pela Rua da Igreja
15H30 - Entrada da Banda de Música de S. Martinho da Gandra, seguida de concerto musical
16H00 - Entrada da Banda Plástica de Barcelos
17H00 - Entrada da Fanfarra dos Escuteiros da Meadela
17H30 - Cortejo Meadela/2008 “Lendas e Tradições”
19H00 - Celebração Solene da Eucaristia, por todos os Meadelenses que contribuíram para a realização da Festa em honra da sua Padroeira, Santa Cristina, e por todos os ausentes e emigrantes da Meadela
21H00 - Segundo Arraial Nocturno
21H30 - Concentração dos Grupos Folclóricos na Av. Coronel Pires, seguindo-se desfile pela Rua da Igreja até ao local do Festival de Folclore.
22H00 - XLIX Festival de Folclore da Meadela
- Ronda Típica da Meadela - Viana do Castelo
- Grupo Etnográfico de Lorvão - Mondego
- Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré - Nazaré
- Grupo Folclórico de Vila Verde - Vila Verde
- Rancho Folclórico do Calvário - Algarve
- Grupo Folclórico das Lavradeiras da Meadela - Viana do Castelo
24H00 - Monumental sessão de Fogo de Artifício
Dia 3 de Agosto (Domingo)
08H00 - Celebração da Eucaristia
09H00 - Última alvorada festiva
10H30 - Eucaristia Solene na Igreja Paroquial com veneração especial a Santa Cristina, padroeira da Meadela.
1400 - Entrada da Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo.
15H00 - Entrada da Banda Musical do Souto.
16H30 - Entrada da Fanfarra dos Escuteiros da Meadela.
17H00 - Procissão solene em honra de Santa Cristina padroeira da Meadela
18H00 - Concerto Musical
19H00 - Celebração da eucaristia
21H30 - Terceiro Arraial Nocturno
24H00 - Grande sessão de Fogo Preso, com o qual se encerrará a 51ª edição das Festas da Meadela.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O CATALÃO - PÓVOA DE VARZIM.

Nos referimos anteriormente sobre o barrete tradicional. Hoje trago o catalão, uma espécie de barrete usado no traje de pescador da Póvoa de Varzim.

O catalão, feito de tecido de flanela vermelha com forro branco.

Enfia - se na cabeça com uma dobra de cerca de dois dedos de largura.

Sem costura no fundo, o catalão não tem borla nem qualquer outro apêndice. Esta espécie de barrete usado antigamente pelos pescadores da Póvoa de Varzim era importado por contrabando nas arribadas dos barcos às praias galegas. Havia sido levado para ali por imigrantes da Catalunha que iam trabalhar nos barcos de pesca da Galiza. Daí ser designado "catalão".

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O BARRETE TRADICIONAL.

Existe o barrete preto e o barrete verde.

O preto era usado pelas pessoas que trabalhavam no campo e pelos pescadores da Beira Litoral , além de servir de agasalho, servia também de algibeira , justificando assim o seu comprimento.

O barrete verde tem a mesma finalidade embora só era, e ainda é usado pelos campinos e forcados do Ribatejo.

Esta peça é feita em pura lã no seu exterior e o forro em algodão. Depois de fabricada a malha em tear circular, centenário é devidamente tratada, recortada e colocada em formas de sol, onde se obtem o seu formato.

Depois de algumas horas de secagem o restante acabamento é totalmente artesanal, mantendo assim a tradição na sua produção.