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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

G.F. SARGACEIROS DA CASA DO POVO DE APÚLIA - ESPOSENDE


Ligado ao mar e ao sargaço, o folclore, em Apúlia, assume características muito específicas, e únicas no litoral português.
Aqui, o agricultor-sargaceiro, sempre que o movimento das marés prenuncia a aproximação de uma boa "mareada", larga toda a sua actividade nos campos e vai para a praia. Mas, por vezes, a espera pelo "assejo" - o momento exacto em que o mar arroja a terra as primeiras algas dando lugar, então, ao ínicio da "mareada" - pode ser longa, e há que preencher esses tempos mortos.
A expectativa de mais um dia grande e enriquecedor, torna as pessoas alegres e folgazãs, e todos dão largas à ansiedade que os possui. Logo aparece alguém a tocar concertina, outros cavaquinho, viola, ferrinhos, bombo e reque-reque e a festa acontece. Homens e mulheres, principalmente os mais novos, juntando-se aos pares, ou em roda, cantam e dançam com a alegria bem característica das gentes da beira-mar. Decorrido algum tempo é necessário prestar atenção ao mar, não vá o lençol de sargaço ter-se já aproximado de terra, e o "assejo" estar iminente. Pára a dança. As mulheres sentam-se, lânguidamente, na areia da praia; os homens, de pé, observam atentamente o comportamento do mar. Se o lençol de sargaço que se vai formando ao longe ainda demora a aproximar-se da costa, a dança recomeça com a mesma alegria e vigor. Até que, a determinado momento, alguém grita a plenos pulmões "ARGAÇO" - e a festa acaba ali para dar lugar à "mareada" - quatro horas de labuta constante, no afã de ser arrecadado todo o sargaço possível.
Cada homem, munido do "galhapão" ou da "graveta" corre para o mar, enfrenta as vagas, até onde lhe for possivel, sem colocar em risco a sua segurança, e vai arrecadando as algas nelas envoltas. A mulher retira o xaile e o chapéu, coloca-os em lugar resguardado, sobre a areia, e aguarda na borda do mar o momento de ajudar o sargaceiro que vem a terra com cada carga de sargaço.
A apanha do sargaço que, como se diz antes, assume em Apúlia características únicas, fez com que o sargaceiro fosse considerado, há longos anos, o ex-líbris do concelho de Esposende.
Em Agosto de 1934 realizava-se no Palácio de Cristal, no Porto, a GRANDE EXPOSICAO DO MUNDO PORTUGUÊS, onde deveriam fazer-se representar as províncias ultramarinas portuguesas e todos os concelhos do País. O concelho de Esposende enviou uma delegação composta por sessenta sargaceiros - trinta homens e trinta mulheres - por considerar a originalidade e autenticidade do traje que, tudo o indica, parece remontar ao período da ocupação da Península pelos romanos, e ainda pela actividade agro-marítima que representava: a apanha do sargaço.
The National Geographic Magazine February, 1938
E a delegação do concelho de Esposende a todos surpreendeu e encantou, pelo garbo dos homens e pela beleza das mulheres.
ANTÓNIO TORRES, responsável por aquela delegação, decidiu, então, dar-lhe continuidade. E assim foi fundado o "GRUPO DOS SARGACEIROS DE APÚLIA".
ANTÓNIO TORRES, à época Presidente da Junta de Freguesia, era um homem dotado para as letras e para a música e, por isso, amante e cioso da cultura tradicional da sua terra, lançou-se com entusiasmo na pesquisa e recolha das danças e cantares ligados a Apúlia e à apanha do sargaço, organizando, assim, o repertório do Grupo Folclórico, e que se mantém até aos dias de hoje, sem alterações nem plágios. Contou, para tal, com a ajuda do Conde de Villas Boas, então comandante do porto de Leixões, e do escritor e etnógrafo esposendense Manuel de Boaventura, dois grandes admiradores de Apúlia e dos sargaceiros.
Em 1940 é também fundada por aquele apuliense a Casa do Povo local, onde o Grupo Folclórico é integrado e passa a designar-se, até aos dias de hoje, "GRUPO DOS SARGACEIROS DA CASA DO POVO DE APÚLIA".
Lormes - Nevers - FRANÇA (1999)
Ponta do Sol - MADEIRA (2001)
Durante a sua já longa existência são numerosos os factos dignos de referência. Registam-se, no entanto, alguns que se consideram determinantes na vida dos "SARGACEIROS": Apuramento na l.a Olimpíada Europeia de Folclore, em 1956; 1.° Prémio da "Taça Abril em Portugal", em 1968; Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Esposende, em 1993; Participações na Expo/98, em representação do Inatel, com o espectáculo "Evocação do Mar", e em representação da Área de Paisagem Protegida do Litoral de Esposende; "Troféu de Qualidade" do Inatel, em 2000; Deslocações a Espanha em 1973, 2000, 2001, 2003; a França em 1983,1984,1987, 1988, 1998, 1999; ao Brasil em 1992; à Bélgica em 1998; à Madeira em 2001.
É Membro Efectivo da Federação do Folclore Português, e Centro Cultural e Desportivo do Inatel (CCD), inscrito sob o N.° 3331.
Para assegurar, na população jovem, o gosto e orgulho por esta cultura própria, existe há vinte anos o Grupo Infantil, com cerca de sessenta crianças, de idades compreendidas entre quatro e doze anos, e que, em sessões semanais, vão aprendendo, a brincar, os usos e costumes tradicionais ligados à faina do sargaco, as danças e os cantares dos sargaceiros.
AS DANÇAS E OS CANTARES
Povoação localizada mais a sul da província do Minho e limite desta com o Douro Litoral, as danças detêm características de transição e revelam afinidades com as terras maiatas.
Adoptam, aqui, os nomes tradicionais Malhão, Chula, Cana-Verde, Vira, Vareira, Regadinho, etc. Mas nenhuma destas danças se identifica com outras de igual nome dançadas no Minho, no Douro ou nas Beiras.
Aqui, os passos de dança dos sargaceiros assemelham-se aos movimentos das ondas do mar, ora rápidas e alterosas, ora calmas e deslizando suavemente.
Assim, todas têm dois momentos: enquanto o cantador faz ouvir a sua voz, os dançadores movem-se devagar, em passos suaves, braços ao longo do corpo; quando o cantador se cala, para dar lugar ao coro, ou à música mais intensa, logo os braços se levantam e todos imprimem, então, à dança, celeridade e vigor, tal como o vai-vém das ondas do mar em maré viva.
O mar e o sargaço, o amor e a saudade, são uma constante nos cantares dos sargaceiros.
Na execução musical predomina o som da concertina, acompanhada dos cavaquinhos, viola braguesa e viola-baixo, ferrinhos, reque-reque e bombo.
Por todo o País, e pelo estrangeiro, a sua actividade tem sido constante, quer em festivais, quer em representações etnográficas.
É, reconhecidamente, um representante ímpar do folclore do litoral da Região do Baixo-Minho, quer pelas suas danças, quer pelo traje característico. É considerado, quer pelos etnógrafos, quer pela Federação do Folclore Português, um dos Grupos de maior autenticidade, pelo que a sua presença se torna requisitada nos maiores festivais de folclore do País. Pedro Homem de Mello escreveu: "Em Apúlia tudo é verdadeiro... até o traje".
Visite:http://www.sargaceiros.com.pt/index.html
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Vira de Apúlia

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