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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
O BRINQUINHO - ILHA DA MADEIRA.
É um instrumento de percussão muito vulgar e popular na Região Autónoma da Madeira e um dos mais queridos, senão o mais querido do povo e dos turistas que visitam a Madeira. Este conjunto de sete bonecos de pano tem, no seu interior, na maior parte dos casos, serradura e são revestidos com trajes típicos do nosso arquipélago, portadores de castanholas, situadas vulgarmente nas costas dos bonecos, dispostos em roda de dois arcos circulares, construídos em arame grosso. Toda esta engrenagem assenta numa cana vieira, possuindo na parte inferior um cabo em madeira (onde o tocador pega, normalmente, com a mão direita), preso a uma verga de arame centralizado no interior da mesma que, por sua vez, é ligado aos arcos circulares, acima descritos, ficando a mão esquerda fixa na cana que suporta todo o este esquema. Toca-se num movimento de acima e abaixo, de modo a ser possível percutir as castanholas. O brinquinho (em algumas zonas também chamado de bailinho), não teve a sua origem nesta ilha, dizendo-se que talvez seja de origem minhota, onde é conhecido por zuca-truca. Há quem defenda também ser de origem africana, o que não nos parece muito impossível, pois, observou-se em Luanda, capital de Angola ex-colónia Portuguesa, alguns instrumentos afins, com as castanholas construídas com formas de cabeças de animais. O brinco era o termo vulgarmente usado para definir outrora, um conjunto de romeiros a tocar e a cantar a caminho e nos arraiais, muito característicos na nossa ilha. É um marcador de ritmo, por excelência, na maioria dos grupos folclóricos existentes nesta ilha. Apesar de não ser de origem madeirense é, no entanto, um dos souvenirs mais apreciados e adquiridos como ex-libris do folclore desta ilha.
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012
A RABECA CHULEIRA
A rabeca chuleira é um violino popular especialmente utilizado no Douro Litoral e Minho. A sua utilização está muito ligada a uma forma musical chamada chula que é típica dessas regiões. A rabeca tem quatro cordas friccionadas por um arco e o seu braço é mais curto que o do violino.
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Excerto da grande obra de Michel Giacometti onde se pormenoriza sobre um dos mais antigos instrumentos tradicionais de Portugal.
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quarta-feira, 21 de março de 2012
ZAQUELITRAQUES OU TRIQUELITRAQUES
Os zaquelitraques, também conhecidos por triquelitraques, são idiofones usados na Quaresma, no Carnaval, Serrações da Velha...São matracas de martelo que constam de uma tábua (+- 40 cm de comprimento) na qual estão aplicados pequenos martelos de madeira, cujo cabo gira num eixo passado entre dois suportes fixos à tábua.
Em Afife e Montedor, os zaclitracs têm várias séries de martelos, dispostos quatro a quatro ou cinco a cinco em duas e às vezes três linhas, e com a ponta do cabo enfiado num eixo de arame.
Os zaclitracs seguram-se com uma mão no alto e outra em baixo e sacodem-se fortemente e em cadência certa, de modo que os martelos batam na tábua todos ao mesmo tempo e num ritmo variado e regular, o que é por vezes um pouco difícil de realizar com perfeição.
Tocam-se em conjunto, por muitos rapazes, ao mesmo tempo.

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sexta-feira, 16 de julho de 2010
ADUFE
Adufe, instrumento musical português. É um pandeiro bimembranofone quadrangular. No seu interior são colocadas sementes ou pequenas soalhas a fim de enriquecer a sonoridade. Os lados do caixilho medem aproximadamente 45 centímetros. O adufe é segurado pelos polegares de ambas as mãos e pelo indicador da mão direita, deixando deste modo os outros dedos livres para percutir o instrumento.
Foi introduzido pelos árabes na península Ibérica entre os séculos VIII e XII. Hoje, encontra-se essencialmente concentrado no centro-leste de Portugal (distrito de Castelo Branco), onde é executado exclusivamente por mulheres, acompanhando o canto sobretudo por ocasião das festas e romarias.
Na tradição oral, nomeadamente nos versos de algumas canções que são acompanhadas pelo adufe, é referida a madeira do instrumento como sendo de "pau de laranjeira". Esta referência, de certo simbólica pela ligação entre a flor de laranjeira e o matrimónio, é reforçada por outra particularidade da construção do instrumento que refere ser a pele de uma das membranas de um animal macho e a outra de um animal fêmea. Dizem as tocadoras de adufe que a razão de ser desta diversidade se traduz na harmonia do instrumento e na maneira como ele soa. Este testemunho dá pistas para a iconografia mágica ligada ao instrumento, à sua construção e mesmo à sua utilização, que tradicionalmente era reservada a executantes femininos.
Também a sua forma quadrada, ao tornar mais difícil a manutenção da pele esticada, levanta
questões sobre o carácter simbólico do instrumento e acentua a sua particularidade face ao "bendir" árabe ou ao "bodrum", seu congénere céltico.
Foi introduzido pelos árabes na península Ibérica entre os séculos VIII e XII. Hoje, encontra-se essencialmente concentrado no centro-leste de Portugal (distrito de Castelo Branco), onde é executado exclusivamente por mulheres, acompanhando o canto sobretudo por ocasião das festas e romarias.
Na tradição oral, nomeadamente nos versos de algumas canções que são acompanhadas pelo adufe, é referida a madeira do instrumento como sendo de "pau de laranjeira". Esta referência, de certo simbólica pela ligação entre a flor de laranjeira e o matrimónio, é reforçada por outra particularidade da construção do instrumento que refere ser a pele de uma das membranas de um animal macho e a outra de um animal fêmea. Dizem as tocadoras de adufe que a razão de ser desta diversidade se traduz na harmonia do instrumento e na maneira como ele soa. Este testemunho dá pistas para a iconografia mágica ligada ao instrumento, à sua construção e mesmo à sua utilização, que tradicionalmente era reservada a executantes femininos.
Também a sua forma quadrada, ao tornar mais difícil a manutenção da pele esticada, levanta
questões sobre o carácter simbólico do instrumento e acentua a sua particularidade face ao "bendir" árabe ou ao "bodrum", seu congénere céltico.Na Beira Baixa, sobretudo no distrito de Castelo Branco (7000 km2), o adufe é ainda na primeira metade de século XX o instrumento fundamental da região; ele ouve-se ali a acompanhar toda a espécie de cantares, profanos e festivos, danças e canções de trabalho; e outros de carácter religioso e de romaria. Trata-se porém de um instrumento festivo. O repertório é de uma extraordinária riqueza pela variedade de ritmos, por vezes muito complexos.O adufe é empunhado bastante alto, em frente à cara, com um canto para cima, segurado por um lado, entre as pontas do polegar e do indicador esquerdo sobre as peles de cada face (sem encostar o resto da mão), e mais a meio do aro, apoiado do outro lado contra o polegar da mão direita sobre o aro. Os dedos de cada mão batem sempre ao mesmo tempo, mas ficam soltos.
O interesse por este instrumento cresceu particularmente após o concurso criado pelo Secretariado de Propaganda Nacional do Estado Novo em 1938: o concurso da "Aldeia mais Portuguesa de Portugal". Monsanto e Paúl eram as duas aldeias representes desta região, e Monsanto ganhou. Durante o processo do concurso e depois, os registos do material musical intensificaram-se.
Indicação: Instrumentos Populares Portugueses (3ª Edição)

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