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domingo, 8 de março de 2009

SALOIAS - ILHA DA MADEIRA.




As saloias são duas meninas que acompanhavam as insígnias do Espírito Santo e respectivos festeiros por ocasião da visita Pascal. As saloias trajavam e trajam, ainda hoje, vestido branco de linho, com botões de ouro no colarinho . Habitualmente o vestido é ornamentado com colares de ouro e folhas de alegra-campo verde. Sobre o cabelo trançado coloca-se uma carapuça enfeitada com colares e prendas de ouro. E, para completar o conjunto, bota chã e rica capa vermelha ornada de flores (perpétua amarela) e muitas prendas de ouro.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

GRUPO FOLCLÓRICO DA CASA DO POVO DE CEIRA - COIMBRA.


O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Ceira nasceu em Maio de 1962, sendo fiel representante da região de Coimbra. Tem base numa série de recolhas de cantigas, danças e trajes característicos da sua região, do final do século XIX e princípios do século XX.
É graças ao seu trabalho de recolha, preservação e divulgação, que se mantêm vivas as tradições do povo, os seus usos e costumes, trabalho exaustivo dos seus componentes que assim conseguem recolher e preservar a história e a cultura popular da sua terra.
Entre os trajes que exibe destacamos as Lavadeiras do rio Ceira, as Vendedeiras, a Pastora do Carvalho, os Trabalhadores Agrícolas, o Barqueiro, o Marchante, os Romeiros, os Noivos e as Tricanas de Coimbra.
Está filiado na Federação do Folclore Português e na Associação de Folclore e Etnografia da Região do Mondego e é considerado de interesse folclórico pela Câmara Municipal de Coimbra, por quem foi homenageado com a atribuição da medalha de prata de mérito cultural.
Tem levado as suas danças e cantares a todo o país e ao estrangeiro, onde já actuou nos principais festivais da Europa.


sábado, 21 de fevereiro de 2009

TRAJE DE IR À FONTE - CORRELHÃ - PONTE DE LIMA


Traje usado pelas raparigas para irem buscar água à fonte.
Simples e funcional,compoem - se de: Saia de xadrez vermelho e preto. Duas saias brancas, sendo uma pelo joelho e outra do comprimento da saia de fora. Avental de cetim (o mais antigo) e de veludo o mais recente, com uma renda à volta se for arredondado ou só na parte inferior se for quadrado.Blusa de chita com folhinhos nos punhos e na cinta. Lenço da cabeça (cochiné), liso.Calçam Socas.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

TRAJE DE CAMPO - SANTA MARTA DE PORTUZELO - FINAL DO SÉCULO XIX


Camisa , saia e colete
Acessórios:Lenço de peito , lenço de cabeça , avental chapéu de palha e socos.

Cesto merendeiro e toalha.
De um modo geral , o trajo de campo caracteriza - se por uma maior simplicidade dos tecidos , da decoração e das cores sóbrias. As camisas são talhadas no linho mais grosso , a estopa , quase sem decoração .

As saias , com menos pano, às riscas(designação proveniente da decoração produzida pela lã vermelha , castanha , preta e azul), têm barra lisa sem bordados . Os aventais , de tecido de riscos , têm decoração modesta feita com topes.

Os coletes, de chita e flanela , são decorados com simplicidade , mas indispensáveis para o amparo do peito.

Os lenços quer o da cabeça , quer os do peito , são de algodão sem franja e de decoração estampada simples. Grandes chapéus de palha protegem a cabeça do sol.

As pernas nuas calçam unicamente socos grosseiros. Também as peças de ouro são reduzidas ao essencial , os brincos e o fio de contas.

Neste conjunto , merecem ainda destaque as toalhas que cobrem os cestos , tecidas em linho e decoradas com motivos florais e legendas , produzidas por topes ou guarnecidas com rendas , executadas pelas raparigas e que se incluíam no seu enxoval.


Fonte: O trajo regional em Portugal , de Tomáz Ribas.

GRUPO FOLCLÓRICO DE DANÇAS E CANTARES DE MAFAMUDE - VILA NOVA DE GAIA.


O ano de 1982 viu nascer em Vila Nova de Gaia o Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Mafamude.

Não obstante o grupo estar sediado numa zona citadina, os seus componentes não esmoreceram, desenvolvendo um trabalho idóneo que lhes permitiu um conhecimento mais amplo e profundo de Gaia e das suas gentes, nos finais do século XIX e princípios do século XX.

O Grupo Folclórico de Danças e Cantares é um harmonioso conjunto de lavradeiras e lavradores que envergam trajes que eram usados em solenidades religiosas, em romarias e no trabalho diário; uns mais ricos do que outros mas todos eles espelham o inegável gosto e brio das gentes de Gaia. A mulher que cozia o pão, transportando a escudela; a leiteira com os canados; a mulher que à soleira da porta fiava o linho, com a roca e o fuso; o homem da palhoça e a alegre e vistosa romeira, são algumas das figuras que em tempos idos se viam em Mafamude e que são agora saudosamente recordados pelo Grupo Folclórico de Danças e Cantares.

Também as danças e os cantares são objecto de divulgação do Grupo, pois muito se dançava e cantava na nossa Terra. Os viras, a cana verde, o velho e a velha, o malhão, o verdegar e a tirana, entre muitas outras; sem esquecer as melodiosas e dolentes cantigas que ecoavam nas noites luarentas em tempo de desfolhadas e os alegres, por vezes brejeiros, cantares ao desafio, sempre do agrado de quem cantava e de quem ouvia.

O Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Mafamude possui também uma sonante tocata onde não faltam a viola braguesa, o violão, os cavaquinhos, o bombo, os ferrinhos, o reco-reco e os acordeões.

Com o objectivo de difundir as tradições populares da sua Freguesia, O grupo Folclórico de Danças e Cantares de Mafamude tem participado em festivais de folclore, em festas e romarias populares. A sua presença em lares da terceira idade, tem também sido enriquecedor e compensador para o grupo. De referir ainda as actuações em Caves de Vinhos do Porto e em Hotéis, destinadas a presentear, com a beleza do nosso folclore, os turistas que visitam o nosso País e que têm sido um êxito. Teve como ponto mais alto das suas inúmeras deslocações a participação nas monumentais Festas de Gràcia - Barcelona, em 15 de Agosto de 2008.

São muitas e diversificadas as actividades deste Grupo. Não poderíamos, contudo, deixar de fazer referência à "Esfolhada do Resto" que o Grupo organiza anualmente e ainda à participação brilhante na romaria do Senhor da Pedra (de grandes tradições em Vila Nova de Gaia) com a sua jovem e animada rusga.

Desde sempre ao serviço do folclore, o Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Mafamude vê hoje compensados todos os seus esforços com a obtenção de uma sede própria, sendo relevante o interesse que tem despertado junto dos jovens e da Freguesia.

Preservar e enriquecer o nosso Património Cultural é o lema de todos os jovens componentes deste brioso Grupo Folclórico.

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Grupo Folclórico Danças e Cantares de Mafamude


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

TRAJES DE LAVRADORES RICOS - MAFAMUDE - VILA NOVA DE GAIA - DOURO LITORAL.

Entre os belíssimos Trajes apresentados pelo Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Mafamude , Destacam - se os Lavradores Ricos.


Homem - Fato preto de fazenda de lã e colete do mesmo fitado com fita de seda, chapéu de feltro preto, camisa de linho branco, botas pretas de elástico ou de cordões com ilhós, com ou sem laço preto, corrente de ouro ou prata (para relógio) que é posto no bolso do colete.
Mulher - Camisa de linho, dois saiotes brancos de linho com rendas feitas à mão, blusa ou paletó e saia (em merino brocado ou seda), lenço de seda ou chapéu, pucho na cabeça, chinelos de tacão em camurça ou verniz e meia rendada branca. Ao pescoço cordões, grilhões, trancelins com medalhas e ainda as famosas filigranas em ouro (tão características do norte de Portugal), cruzes de Malta, corações, relicários, etc... Nas orelhas, brincos de filigrana e gramalheiras de ouro

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

GRUPO FOLCLÓRICO E CULTURAL DA BOA VISTA - ALENTEJO.


Fundado em 1967, o Grupo Folclórico e Cultural apareceu como uma necessidade absoluta de salvaguarda e divulgação dos usos e costumes e tradições das gentes serranas de São Mamede.

A sua acção vem sendo no sentido de não deixar perder a identidade cultural do Povo Alentejano, especialmente do concelho de Portalegre.
Da pesquisa que vem efectuando, possui no seu repositório preciosos exemplares do modo de trajar, de cantar, de tocar e de balhar no início do século XX, tais como:
Pastor, Semeador, Tirador de Cortiça; Trajos Domingueiros e de Festa de Alagoa, Alegrete, Fortios, Reguengo, Ribeira Nisa, São Julião, Urra, e da própria Cidade de Portalegre, Lavrador, casamento, e a incomparável Côca de Portalegre.
As modas de saias, Balhos de Saias, Balhos de Terreiro ou Campaniços, Viras ou Modas Viradas, Balhações de Inspiração Palaciana, marcações em roda, coluna e Quadrilha.
Já gravou 3 discos, cassete áudio e cassete vídeo, estando a preparar-se para gravar um cd; participou em 16 programas de rádio e televisão nacionais. Obteve diversos prémios em Festivais, nomeadamente:
1º Classificado no I concurso de Danças e Cantares do Alentejo
2º Prémio no VII Festival Nacional de Folclóre de Lisboa.

Galardoado, com a Medalha de Ouro de Mérito Municipal, pela Câmara Municipal de Portalegre. É membro da Federação Nacional de Folclore Português, do INATEL, da federação das Colectividades de Cultura e Recreio e da Associação dos Folcloristas do Alto Alentejo.
Além fronteiras esteve nas Espanha, no Canadá, na Geórgia, nas Rússia, na Polónia, França, Alemanha, Áustria, Marrocos e Itália.
Realiza anualmente:
1 Festival de Folclóre com Grupos Infantis e Juvenis em Maio
1 Festival de Folclóre de Grupos Adultos nas Monforfeira, em Monforte
1 Festival de Folclóre de Grupos Adultos no último fim-de-semana de Julho,
contando actualmente com 95 membros, incluindo Grupo Adulto e Infantil/Juvenil.

Localização:

Portalegre, capital de distrito do mesmo nome, com uma área de 6132km, fica situada numa das mais belas províncias de Portugal, o Alto Alentejo.Construída num planalto da Serra de São Mamede, tem simultaneamente características montanhosas e de planície alentejana que se conjugam num harmonioso e variado conjunto paisagistico.A Sé de Portalegre é o seu principal monumento(séc. XVI e restaurada no fim de séc. XVIII), onde, além de paramentos valiosos e alguns únicos no país, avultam os riquissimos "arcazes" de estilo D. João V. Outros monumentos dignos de visita atenta são os antigos conventos de S. Bernardo (príncipio do séc. XVI, com um dos mais belos pórticos barrocos da cidade e o túmulo do seu fundador, D. Jorge de Melo, obra sumptuosa de mármore primorosamente lavrado), de santa clara (séc. XIV) e de S. Francisco (séc. XIII e restaurado no príncipio do séc. XVIII).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

TRAJES DO ALENTEJO - CÔCA DE PORTALEGRE E AZEITONEIRA.

Dois trajes muito interessantes do Alentejo , e que são apresentados pelo Grupo Folclórico e Cultural da Boavista - Portalegre.

O primeiro Traje é a Côca de Portalegre:

Trata-se de um trajo de mulher, todo de cor preta, que no início do século XIX era utilizado no dia do casamento, no início do século XX e com a introdução de cores claras nos trajos de casamento, a côca passou a ser fato de viúva, de se ir confessar na semana santa, de ir à missa, ou para efectuar visitas ou encontros clandestinos/proibidos. Este trajo deixou de se ver na cidade de Portalegre por volta dos anos 30 do século XX.Era confeccionado em tecido de algodão, em brocado de seda, e em merino de lã sedoso de acordo com as posses de cada pessoa e condição social.


O trajo é composto por:

Blusa: com franzido nos punhos e na cintura, finge uma blusa sob uma casaquinha com colarete, abotoa de lado ao pescoço,descendo depois ao meio do peito à cintura.Saia: franzida na cintura e comprida até aos pés.
Manto: colocado sobre a cabeça, tapando o corpo da mulher até à cintura ou até à anca de acordo com o nível social de quem o veste (até à cintura para as mulheres abastadas e pela anca para as mulheres da classe média) sendo na parte da frente pendurada, a cair sobre o rosto, uma renda (espessa de forma a que a pessoa não possa ser reconhecida.Meias: pretas ou cinza feitas à mão de cordãozinho.
Sapatos: pretos, tipo chinelo com um botão de lado ou cordão atado no peito do pé, de fivela ou de atanado.Nota: a roupa interior usada era semelhante à das outras mulheres variando apenas a qualidade do plano utilizado na sua confecção, em vez de pano cru era utilizado pano branco (conhecido por "casquinha de ovo" mais fino do que o pano cru ou linho.

O segundo Traje é de trabalho - Azeitoneira:

Azeitoneira é a mulher que ripa e apanha a azeitona. Porque se tratava de um trabalho efectuado no Inverno, os tecidos utilizados eram de algodão com pêlo por dentro ou de flanela.

O trajo é composto por:

Blusa: era confeccionada em chita ou em lainete quase sempre de cores vivas. Saia: feita de riscado, às riscas ou aos quadrados, ou de gorgorina às flores. Franzida na cintura ou de pregas soltas.Avental: de chita ou de riscado, quase acompanhava o comprimento da saia. Atando atrás na cintura com um laço tendo uma ou duasalgibeiras.Meias: feitas à mão, tecidas com fio de algodão (cordãozinho no dizer do povo).Sapatos ou botas de atanado: tipo de cabedal grosseiro. Usavam-se botas ou sapatos de acordo com as "posses", o poder de compra de cada um.
Lenço: de algodão ramejados, que usava na cabeça.
Chapéu: de feltro, de abas viradas para baixo.
Manguitos: espécie de meias mangas que utilizavam para proteger as mangas da blusa. Camisa: usada como roupa interior. Tipo de vestido sem mangas, com pouca roda e a bater por cima do joelho. Feita de pano cru.
Saiote ou saia de baixo: com franzido na cintura e a acompanhar o comprimento da saia. Era feita de flanela.Corpete ou colete: para aconchegar os seios - substituído nos nossos dias pelo soutien. Feita de pano cru.
Utensílios:Cesta: para ir depositando as azeitonas que ia apanhando.
Cocho de cortiça: por bebiam os trabalhadores.
Xaile de lã: que servia de protecção e agasalho em todas as épocas do ano. Servia também de toalha na hora das refeições.
Tarro de cortiça: para transportar os alimentos. Este recepiente tem qualidades termicas que lhe permitem manter os alimentos à temperatura original durante várias horas..Talega ou bolsa: recipiente confeccionado em tecido onde se transportavam os alimentos sólidos - pão, toucinho, queijo, etc.

domingo, 18 de janeiro de 2009

FESTA DAS FOGACEIRAS - SANTA MARIA DA FEIRA.

A Festa das Fogaceiras é a mais emblemática festividade do concelho de Santa Maria da Feira, contando já 503 anos de história, marcados pela devoção do povo das Terras de Santa Maria.Esta festa teve origem num voto ao mártir S. Sebastião, em 1505, altura em que a região foi assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de protecção, o povo prometeu ao Santo a oferta de um pão doce chamado Fogaça.S. Sebastião, que segundo a lenda padeceu de todos os sofrimentos aquando do seu martírio em nome da fé cristã, tornou-se, assim, o santo padroeiro de todo o condado da Feira.No cumprimento do voto, os ofertantes incorporavam-se numa procissão que saía do Paço dos Condes (Castelo) e seguia pela Igreja do Convento do Espírito Santo (Lóios), onde eram benzidas as Fogaças, divididas em fatias, posteriormente repartidas pelo povo. Assim nasceu a Festa das Fogaceiras. Cumprida em cada dia 20 de Janeiro, esta promessa constitui uma referência histórica e cultural para as Terras de Santa Maria.A Festa das Fogaceiras chegou até aos nossos dias com dois traços essenciais: a realização da Missa Solene, com sermão, precedida da Bênção das Fogaças, celebrada na Igreja Matriz, e a Procissão, que sai da Igreja Matriz , percorrendo algumas ruas da cidade.Com a proclamação da República, acrescentou-se um novo ritual: a formação de um Cortejo Cívico, desde os Paços do Concelho até à Igreja Matriz, antes da Missa Solene, que integra as meninas “Fogaceiras”, que levam as Fogaças à cabeça, bem como as autoridades políticas, administrativas, judiciais e militares e personalidades de relevo na vida municipal.A Procissão festiva realiza-se a meio da tarde e congrega símbolos religiosos, com destaque para o Mártir S. Sebastião, bem como uma representação civil, com símbolos autárquicos, económicos, sociais e culturais de cada uma das 31 freguesias do concelho, numa curiosa mistura entre o civil e o religioso.


No Cortejo e Procissão as atenções recaem, naturalmente, sobre as Fogaceiras, segundo a tradição “crianças impúberes”, provenientes de todo o concelho, vestidas e calçadas de branco, cintadas com faixas coloridas, que levam à cabeça as fogaças do voto, coroadas de papel de prata de diferentes cores, recortado com perfis do castelo.Inicialmente, as “Fogaças do Voto” eram distribuídas pela população em geral, depois pelos pobres e mais tarde pelos presos, pobres e personalidades concelhias, em fatias chamadas “mandados”. Actualmente, são entregues às autoridades religiosas, políticas e militares que têm jurisdição sobre o município de Santa Maria da Feira.


Símbolo de união:

Tal como outrora, hoje as gentes do concelho da Feira têm a oportunidade de mostrar o culto a S. Sebastião numa festa que é, acima de tudo, símbolo de união e de identidade colectiva. Manda a tradição que, por ocasião da Festa das Fogaceiras, os feirenses enviem Fogaças aos familiares e amigos que se encontrem longe.A Fogaça é um pão doce tradicional de Santa Maria da Feira, cujas primeiras referências conhecidas aparecem nas inquirições de D. Afonso III, no século XIII (1254/1284) e que era usada como pagamento de foros. O seu formato estiliza a torre de menagem do Castelo com os seus quatro coruchéus.A Fogaça é cozida diariamente em várias casas de fabrico do concelho e distingue-se por tradicionais aprestos, quer no preparo, quer na forma como vai ao forno. Os ingredientes base utilizados na confecção desta iguaria são água, fermento, farinha, ovos, manteiga, canela, açúcar e sal.


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Festa das Fogaceiras




Reportagem da RTP sobre a Festa das Fogaceiras 2008


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

TRAJE DE TRABALHO - CARREÇO.


Este fato era utilizado quando o homem ia trabalhar para o campo. Compõe-se de umas calças de fraldilha(pano grosseiro de estopa e lã castanha), camisa de linho ou de estopa, sem bordados, faixa preta com franjas à cinta, chapéu de palha e socos.
Para ir ao monte, o homem usava o mesmo traje. Como calçado, usava umas chancas, sendo este elemento a única diferença com o fato de trabalho no campo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

LENDA DA NOITE DE SÃO SILVESTRE - ILHA DA MADEIRA.

Esta lenda assegura que há muitos, muitos anos existia no oceano Atlântico uma ilha fabulosa, a Atlântida, e nela vivia a civilização mais maravilhosa de sempre. Os seus habitantes, que Platão dizia descenderem dos amores do deus Poseidon com a mortal Clito, tornaram-se tão arrogantes que tiveram um dia a pretensão de conquistar todo o mundo, ousando mesmo o seu rei desafiar os céus. Foi então que ouviu a voz do Deus verdadeiro dizer-lhe que nada poderia contra o poder divino. Mas o teimoso rei voltou a desafiá-lo e decidiu conquistar Atenas, mas, durante a batalha o rei da Atlântida ouviu a voz de Deus dizer-lhe que a vitória seria de Atenas para castigar a sua arrogância e ingratidão. À derrota seguiram-se terríveis tempestades, terramotos e inundações que engoliram a bela Atlântida para todo o sempre.
Passaram-se muitas centenas de anos até que um dia a Virgem Maria se debruçava dos céus sobre o oceano, sentada numa nuvem quando São Silvestre lhe veio falar. Aquela era a última noite do ano e São Silvestre achava que deveria significar algo de diferente para os homens, ou seja, marcar uma fronteira entre o passado e o futuro, dando-lhes a possibilidade de se arrependerem dos seus erros e de terem esperança numa vida melhor. Nossa Senhora achou muito boa ideia e então confiou-lhe qual a razão porque estava a observar o mar com uma certa tristeza: lembrava-se da bela Atlântida que tinha sido afundada por Deus por causa dos erros e pecados dos seus habitantes. Enquanto falava, Nossa Senhora deixava cair lágrimas de tristeza e misericórdia porque a humanidade, apesar do castigo, não se tinha emendado. Emocionado, São Silvestre reparou que não eram apenas lágrimas que caíam dos olhos da Senhora, eram também pérolas autênticas que caiam dos Seus olhos. Foi então que uma dessas lágrimas foi cair no local onde a extraordinária Atlântida tinha existido, nascendo a ilha da Madeira que ficou conhecida como a Pérola do Atlântico. Dizem os antigos que durante muito tempo, na noite de S. Silvestre quando batiam as doze badaladas surgia nos céus uma visão de luz e cores fantásticas que deixava nos ares um perfume estonteante. Com o passar dos anos essa visão desapareceu, mas o povo manteve-a nas famosas festas de fim de ano com um maravilhoso fogo de artifício a celebrar a Noite de S. Silvestre.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O NATAL MADEIRENSE.


Lapinha - É com este termo que na Madeira se designam os «presépios», que desde séculos tão generalizados estão entre nós. Julgamo-lo uma palavra peculiar deste arquipélago. Deve ser o diminutivo de «lapa» com o significado de furna, gruta ou cavidade aberta em um rochedo, por analogia ou semelhança com o local do nascimento do Divino Redentor. É possível que em outros tempos conservassem essa analogia ou semelhança, mas, ao presente e na generalidade, as «lapinhas» madeirenses são armadas sôbre uma mesa, tendo como centro uma pequena escada de poucos decímetros de altura, de três lanços contíguos, e no topo da qual se coloca a imagem do Menino Jesus. Em todos os degraus da escada e em torno dela estão dispostos os «pastores» e vários objectos de ornato, por vezes bem estranhos e sem próxima afinidade com o resto do presépio(frutas, searinhas etc.) . Em obediência às condições do meio, terão algumas características próprias, como sejam as ornamentações com os ramos do arbusto «alegra-campo» e dos fetos «cabrinhas», que lhes imprimem uma feição pitoresca e alegre. Terão uma certa originalidade os chamados «pastores», isto é, pequenas figuras de barro de grosseiro fabrico local, que quase sempre não representam pastores ou zagais mas indivíduos das várias camadas sociais.

Ainda são muito vulgares as «lapinhas» com as chamadas «rochinhas», consistindo estas no simulacro de um pequeno trecho de terreno muito acidentado, feito de «socas» de canavieira e que geralmente conserva na base uma pequena «furna» representando o presépio em minúsculas figuras de barro.

Existiam, mas hoje são já muito raras, estas mesmas «rochas», talhadas em maiores proporções e em que se viam igrejas, estradas, pequenas povoações etc., embora sem grande harmonia no conjunto, mas oferecendo um certo e original pitoresco.

Natal - As festas do Natal duram na Madeira desde o dia em que se comemora o nascimento de Jesus até o dia de Reis, havendo durante êste tempo muitos folguedos, descantes e outras manifestações de regozijo, que poetizam esta bela quadra do ano. As refeições são melhoradas, e rara é a casa onde não aparecem a carne-de-vinho-e-alhos e os bolos de mel, assim como outras iguarias que são desconhecidas durante o resto do ano. Os templos enchem-se de povo por ocasião da missa do galo, em que a imagem do Deus-Menino é muitas vezes dada a beijar, e para completar as festas e solenidades do Natal, há ainda os presépios ou lapinhas, alguns deles verdadeiramente notáveis pela riqueza e variedade de seus adornos. Não há muitos anos, era uso nalgumas freguesias da Madeira «pensar» a imagem do Deus-Menino na noite do Natal, isto é levá-la e vesti-la sôbre um estrado colocado dentro da igreja, sendo êste serviço prestado sempre por uma rapariga, assim como um outro que consistia em oferecer ao mesmo Deus-Menino na referida noite, várias produçcões da terra. Rapazes e raparigas, vestidos com trajos antigos, conduziam piedosamente ao templo as suas ofertas, anunciando em seus cantares, por vezes muito harmoniosos, a quem eram destinadas as mesmas ofertas.

O velho habito de consagrar todo o dia de Natal à vida e festas recatadas da familia tende a desaparecer, e as ruas da cidade, desertas outrora naquele dia, apresentam-se hoje quase tão movimentadas como na primeira, segunda e terceira oitavas. É, no entretanto, durante estes três dias, que o povo continua a santificar não obstante ter sido dispensado disso pela Igreja, que principalmente se realizam as visitas e os cumprimentos de boas festas, os quais entre o povo rude são acompanhados quase sempre de abundantes libações, descantes e outros folguedos, que se estendem até horas mortas da noite. Desde a véspera do Natal até á Epifania, estrugem por toda a parte as bombas e busca-pés, com grave risco não só dos transeuntes, mas também daqueles que os atiram, muitos dos quais tem sido vitimas das suas loucuras e imprudencias.

O habito não muito antigo, de despedir o ano velho e receber ao ano novo com toda a espécie de fogos de artifício, é aquêle que mais chama a atenção dos forasteiros, sendo na verdade um espectáculo imponente e belo o que oferece a cidade do Funchal e seus subúrbios ao avizinhar-se a hora da meia noite do dia 31 de Dezembro, quando por tôda a parte se acendem os fósforos de côres e sobem aos ares os milhares de foguetes e granadas com que os madeirenses festejam a passagem dum para outro ano, na esperança de que aquêle que principia lhes traga tôdas as venturas que lhes negou o que vai sumir-se na voragem dos tempos. A noite de 31 de Dezembro é muito animada no Funchal, sendo a cidade percorrida por grandes ranchos que se dirigem para vários pontos dos arredores, ao som de machetes e violas, para daí contemplarem os festejos da meia noite.

É no dia 7 de Janeiro, após os Reis, que se desmancham as lapinhas e tudo volta á normalidade, mas algumas pessoas conservam os presépios armados até o dia 15, festa de Santo Amaro, que é, na opinião de alguns, quando devem ser dadas por findas as manifestações de regozijo do Natal, tanto do agrado do bom povo madeirense.

Vid. Lapinha.

Fernando Augusto da Silva, Elucidario Madeirense , vol. II, Funchal, 1965, pp.211, 406-407

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

RANCHO REGIONAL DA VILA DE LOBÃO - A COLHEITA DAS ESPIGAS E A DESFOLHADA.

Dois bonitos vídeos em que os elementos do Rancho Regional da Vila de Lobão(Santa Maria da Feira) mostram Tradições dos nossos antepassados.
O primeiro vídeo mostra a colheita das espigas e o transporte até a eira.
Quando as espigas estão maduras o pessoal da casa (incluindo os criados, quando os havia) e os vizinhos tiravam-nas e transportavam para a eira em carros de bois ou em gigas.


O segundo vídeo mostra a desfolhada.
A noite após a ceia todos se encaminhavam para junto da pilha , onde se sentavam a desfolhar as espigas.As mulheres vinham a desfolhada e quando chegavam escolhiam um lugar próprio,entoavam algumas cantigas com intuito de atrair rapazes das vizinhanças .
Logo que terminar a desfolhada das espigas as pessoas arrumam o folhedo e limpavam a eira ,enquanto que o dono ia buscar pão e vinho,e castanhas.depois de todos comer e beber, começava a esperada dança, apareciam cantadores e cantadeiras .dançava-se ao som do cavaquinho ,viola, ferrinho e concertina.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

LENÇO DOS NAMORADOS.

O lenço dos namorados é um lenço fabricado a partir de um pano de linho fino ou de lenço de algodão , bordado com motivos variados. É uma peça de artesanato e vestuário típico do Minho, sendo usado por mulheres com idade de casar.
Era hábito a rapariga apaixonada bordar o seu lenço e entregá-lo ao seu amado quando este se fosse ausentar. Nos lenços poderiam ter bordados versos, para além de vários desenhos, alguns padronizados, tendo simbologias próprias: Rosa quer dizer mulher, coração é amor, lírios simbolizam a virgindade, cravos vermelhos são sinónimo de provocação, e os pombinhos significam os namorados como não podia deixar de ser. Isto, só para fazermos uma breve idéia destes sinais de amor, pois há muitos mais.
Se bordava com erros ortográficos, isso era pormenor insignificante, o que contava - e conta - são os sentimentos:

"Bai carta feliz buando nas asas dum passarinho , cuando bires o meu amor dále um abraço e um veijinho"

'Meu Manél bai pró Brasil ,eu tamem bou no bapor , gardada no coração ,daquele qué meu amor".

Era usado como ritual de conquista. Depois de confeccionado, o lenço acabaria por chegar à posse do homem amado, que o passaria a usar em público como modo de mostrar que tinha dado início a uma relação. Se o namorado (também chamado de conversado) não usasse o lenço publicamente era sinal que tinha decidido não dar início a ligação amorosa.
É provável que a origem dos "Lenços de Namorados", também conhecidos por "Lenços de Pedidos" esteja intimamente ligada aos lenços senhoris dos séculos XVII - XVIII, que posteriormente foram adaptados pelas mulheres do povo, adquirindo os mesmos, consequentemente, um aspecto mais popular.
Existe actualmente uma comissão técnica que funciona como órgão avaliador e de certificação deste tipo de artesanato regional.


terça-feira, 25 de novembro de 2008

PRÊMIO DARDOS


Agradeço ao Blog Além Guadiana pelo selo dardos.



"Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."


1 – Quem aceitar o prêmio deve exibir a imagem acima,
2 – Linkar o blog do qual recebeu o prêmio
3 – Escolher 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos.


Os meus blogs indicados são:
http://marlygoncalves.blogspot.com/
http://gentedofado.blogspot.com/
http://beijarosa.blogspot.com/
http://adeliapedrosa.blogspot.com/
http://trajesdeportugal.blogspot.com/
http://queijadas.blogspot.com/
http://marchavilafria.blogspot.com/
http://gcvf.blogspot.com/
http://humberto-fado.blogspot.com/
http://fadosecancoes.blogspot.com/
http://ogalaico.blogspot.com/
http://rendufe.blogspot.com/
http://minhas_ideias.blog.pt/
http://www.fadocravo.blogspot.com/
http://vianacasteloterraportuguesa.blogspot.com/

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

CAPA DE HONRAS - MIRANDA DO DOURO - TRÁS OS MONTES.

A "CAPA DE HONRAS" Mirandesa é uma peça de artesanato mui "SUI GENERIS" do planalto Mirandês, que tem por finalidade proteger os "boieiros" (guardadores de vacas) e pastores de todas as intempéries nos meses mais rígidos, nomeadamente no Inverno.Como é uma das peças de artesanato mais ilustres do planalto Mirandês, como é óbvio, é indispensável a sua utilização em qualquer tipo de cerimónias, sejam de que índole forem.É uma peça com grande valor etnográfico e que requer um trabalho minucioso por parte do artesão devido à sua grande complexidade.Em terra de Miranda diz a sua gente: "Há nove meses de Inverno e três de inferno". O Clima é áspero e variável, a paisagem agreste, apenas convidativa na Primavera e em alguns dias de Outono. No resto, tocam-se os extremos do frio e do calor.Por isso, o homem que tem vivido nesta terra criou a sua maneira de vestir para se defender no trabalho do campo, destes dois extremos.A sua vida toda ela de natureza agro-pecuária, levou-o a criar os trajes de certa maneira austeros, simples e belos, artesanais e domésticos, feitos à base dos recursos locais, o linho e a lã (Burel).É, pois, feita de lã, fiada, urdida, tecida e pisoada (pardo-burel) a capa de honras Mirandesa.É uma das peças do trajo popular Português, pesada, a mais imponente e a mais antiga.Deve ter origem na capa de "Asperges" gótica, de raiz medieval de algum mosteiro Leonês. "Muito ornamentada de lavores nas bandas, gola – carapuça sui generis e rabicho que, por detrás, pende até meio dela, dando ao todo o aspecto de capa de asperges eclesiástica medieval, como observa Trindade Coelho". É parecida com a capa de Burel de Aliste mais rica e mais solene.Como diz Ernesto Veiga de Oliveira, "Vemos em terra de Miranda numa categoria à parte a capa de honras, em Burel, a mais nobre peça do nosso traje popular, de capuz, honra e aletas, com aplicações recortadas e ponteadas, em cuja confecção se chegavam a gastar 60 dias e mais".De cor castanha, fabrico caseiro, ainda hoje se confecciona em Constantim (Miranda do Douro) e é utilizada por individualidades em actos célebres e por pastores e lavradores desta região transmontana, principalmente no inverno. De notar que cabeção "HONRA", pala, orlas das abas e da racha, atrás são ornadas com aplicações de burel finamente recortadas, cosidas à mão sobre o fundo intermédio de tecidos de lã preto. O cabeção e a honra rematam em franja. A pala do capuz é debruada por uma barra de tecido de lã preta.O nome "HONRA" não provém unicamente do seu uso por pessoas mais ricas e nobres, mas sim por muito trabalhada.Antigamente era usada pelas pessoas que possuíam um estatuto social mais elevado, "mais ricas". Era um traje domingueiro. Ao longo dos tempos passou a ser usada por pastores e lavradores da região.Hoje verifica-se grande procura por pessoas de fora e autóctones, o que vem confirmar a admiração, riqueza e beleza desta preciosidade do artesanato Português.Como se pode constatar por esta descrição pormenorizada isto premeia a grande dedicação, rigor e mesmo grande imaginação por parte do artesão.Isto faz com que seja uma peça de artesanato de grande exemplar da cultura Portuguesa e além disso constitui um grande orgulho do artesão.
Domingos Raposo


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Trajes tradicionais de Terra de Miranda.
Alfaiataria do artesão, Srº Aureliano Ribeiro, em Constantim, Miranda do Douro.

domingo, 9 de novembro de 2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

RANCHO FOLCLÓRICO ROSAS DO LENA - BATALHA - ESTREMADURA.


Instituição de Utilidade Pública, a acção do Rancho Folclórico Rosas do Lena foi diversas vezes reconhecida, tendo em 1963 obtido o 1º prémio de Grupos da Região de Leiria; em 1969, o 1º prémio do VII Festival de Folclore Nacional (Lisboa); em 1979 a medalha de prata do município da Batalha; em 1984, a taça da cidade francesa de Villeurbanne; em 1991 a medalha de ouro do município da Batalha e o medalhão de prata da Região de Turismo de Leiria/Fátima (Rota do Sol); em 1998, o globo de cristal da delegação de Leiria do INATEL; em 2002, o prémio INATEL para os melhores grupos de animação do turismo sénior e, em 2003, o diploma de mérito cultural da academia de letras e artes de Paranapuã (Brasil).É membro efectivo da Federação de Folclore Português. Participou em mais de 2000 festivais nacionais e internacionais em Portugal continental e nos Açores, e espectáculos, entre eles a bordo do transatlântico grego “Golden Odissey” e na EXPO’98.Fez 28 digressões no estrangeiro, participou em festivais internacionais na Alemanha, Áustria, Croácia, Eslováquia, Espanha, França, Holanda, Itália (Sicília), Lituânia, Polónia e Sérvia. Em 11 gravações discográficas, para várias editoras, editou 5 discos pequenos, 1 disco de longa duração (LP), 3 discos compactos (CD) e 3 cassetes desde 1967. Gravou diversos programas para a televisão. É promotor das Galas Internacionais da Batalha e do FestiBatalha. Promove, anualmente, uma acção de animação e cultura (8 dias) e reconstituições de tarefas agrícolas e de manifestações religiosas populares. Fundou e administra o museu Etnográfico da Alta Estremadura.



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Atuação do Rancho Folclórico Rosas do Lena.


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

TRAJE DE NOIVOS NO SEGUNDO DIA DO CASAMENTO - SÃO BARTOLOMEU DE MESSINES - ALGARVE.


Traje do noivo:

Jaqueta de tecido de algodão preto digonal, com gola e bandas, frentes formando bico, com duas idas de botões e bolsos metidos.Colete de trespasse do mesmo tecido, com gola de rebuço. Calças de tecido idêntico ao restante fato, terminando em boca de sino sobre o pé.Na cabeça, chapéu preto de feltro de aba larga direita. Calça botas de pele preta.


Traje da noiva:

Casaquinha de tecido de algodão branco e amarelo, lavrado; frentes cruzadas simulando romeira,guarnecida com renda; peitilho com pequeno cós; mangas estreitas, decoradas com renda.

Saia comprida, justa na cintura e alargando até à orla.

Segura na mão uma sombrinha, com o pano idêntico ao do vestido, e no braço uma bolsa contornada com renda.

Em muitas regiões de Portugal, os casamentos festejavam - se não só no dia em que se realizava a cerimônia religiosa, mas prolongavam - se , em especial pelo dia seguinte.

No Algarve, era tradição almoçar - se no segundo dia de casamento em casa dos pais do noivo, reunindo - se aí a família mais próxima. O noivo vestia o mesmo trajo do dia anterior , enquanto a noiva estreava um outro trajo, menos elaborado, mas também ele especial, quer no tecido, quer no corte e nos pormenores decorativos.

Se podia, usava acessórios, como neste caso a sombrinha, indispensável nas suas deslocações à cidade, para proteger a pele do rosto do sol.

Este fato revestia - se de maior importância nos conceitos estéticos de então. A pele trigueira ( morena ) significava a pele queimada , pela exposição ao sol durante os trabalhos no campo; pelo contrário a pele branca era sinónimo de vida recatada, poupada, um luxo de quem não precisava de se expor.

Esta diferença revelava por si só, dois mundos completamente distintos, que não deviam ser confundidos.

Fonte:O trajo regional em Portugal , de Tomáz Ribas.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

TRAJES DE LAVRADEIRA REMEDIADA E LAVRADORES RICOS - VILA NOVA DE FAMALICÃO.

Lavradeira remediada:



É composto por uma saia preta de baeta avidralhada com diversas barras em veludo, avental com bastante roda em veludo igualmente avidralhada ,faixa de algodão ,blusa de linho com gola em bordado, lenço de froscos , lenço de cabeça ou cachené , meias rendadas e chinelas.Este traje era usado em dias de festas , romarias e feira.

Lavradores ricos:



Este traje era usado em dias de feiras anuais para representar os prêmios de gado recebidos.
A mulher trajava da mesma forma da lavradeira remediada á excepção da qualidade de ouro(superior nesta) , do cajado e do chapéu castanho de aba larga.
Por sua vez o homen usava calça preta enfaixado com faixa de algodão ,bota castanha de parteleira, jaqueta, colete ,camisa de linho , chapeu e cajado.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

RANCHO REGIONAL DAS LAVRADEIRAS DE CARREÇO - VIANA DO CASTELO.

O Rancho Regional das Lavradeiras de Carreço, organizado em 1923, o mais antigo agrupamento folclórico de Portugal, é uma Associação Cultural de Utilidade Pública, e Instituição de Mérito Cultural,
que preserva e divulga as tradições, usos e costumes do povo da Região de Viana do Castelo.

Tem desde a sua fundação mantido uma actividade ininterrupta, encontrando os jovens de hoje os mesmos motivos que os seus avós para continuar a expressar através do folclore o sentir das gerações
passadas, a alegria e solidariedade universais.

Foi Carlos Peixoto Freitas Sampaio, exímio bailador das modas que em Carreço o povo dançava no século passado, que há mais de setenta anos reuniu um grupo de jovens, que costumavam formar os "ranchos" para animar os serões as festas e romarias das redondezas, contando desde logo com o apoio do Pároco local, Padre Domingos Afonso do Paço.
Alguns anos mais tarde com o apoio do etnógrafo Abel Viana, deram-lhe o nome de RANCHO REGIONAL DAS LAVRADEIRAS DE CARREÇO.

Estava assim criado o primeiro rancho folclórico de Portugal.
Nascido espontaneamente, à sombra tutelar do promontório de Montedor, com o seu típico Farol, mantém-se como guardião das danças e cantares da histórica Freguesia de Santa Maria de Carreço.

Das danças e cantares, todas elas oriundas de Carreço, destacam-se: Senhor da Serra, Chula, Gota, Rusga, Tirana, Velho, Preto, Pai do Ladrão, Cana Verde, Redonda, Verde Gaio, Rosinha, Carreço por Ser Carreço, e o Vira, como não podia deixar de ser, com várias versões, todas elas de imponente beleza.

Em relação aos trajes, cada um tinha uma função específica, apropriada a cada actividade, sendo mais ou menos elaborados, conforme as posses de cada um. Assim, das várias existentes salientamos para a mulher: Traje de Lavradeira, Lavradeira de Dó, Traje de Ceifeira, Traje de Tradição, Traje de Feirar, Traje de Trabalho e embora não sendo de Carreço, mas sim da região de Viana, temos ainda o: Traje de
Mordoma e Traje de Noiva. Para os homens destacam-se: Fato de Domingo ou Dias de Festa, Traje de Mordomo, Traje de Lavrador e Traje de Trabalho.

Quanto aos instrumentos musicais, também eles recebem a herança do passado, hoje mais enriquecido. Nas primeiras actuações, havia apenas uma harmónica, depois foram-se juntando as Concertinas, as Violas, os Cavaquinhos, os Ferrinhos e mais tarde o Acordeão diatónico. Destaca-se um instrumento único no País, as Conchas de Crustáceos (Vieiras), que marcam o ritmo da música, funcionando assim, com um instrumento de percussão.

Ao longo da existência deste rancho, vários foram os seus intervenientes, destacadas cantadeiras e dançadores, quase sempre anónimos, mas que sem eles, este percurso seria impossível. Graças ao seu espírito de sacrifício, à sua devoção e ao seu temperamento artístico, após as tarefas árduas de cada dia, que este rancho é chamariz de gentes e propaganda da região minhota. Deve-se no entanto destacar o seu fundador Carlos Peixoto de Freitas Sampaio, sua filha Teresa Freitas Sampaio e seu neto e actual director Carlos Silvano Freitas Sampaio.
Estão aqui descritos vários factores ilustrativos, da importância cultural que este rancho evidência.

É de facto, uma embaixada cultural viva, não só de Carreço, mas também da Região de Viana do Castelo.
O Rancho Regional das Lavradeiras de Carreço deixa por onde passa e de forma indelével, o seu saber de cultura, com brilho e orgulho, desde o Minho ao Algarve, Madeira, Açores, Espanha, França e Brasil, onde tem recebido as mais variadas distinções nestas suas deslocações.

Este Grupo é Sócio Fundador da Federação do Folclore Português. Sócio Fundador da Associação
de Grupos Folclóricos do Alto Minho e está inscrito no INATEL, IPJ.

Site recomendado:
http://www.lavradeirascarreco.com/global.htm

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

MUSEU ETNOGRÁFICO DO TRAJO ALGARVIO.


Museu criado em 1982 e instalado num Palacete do século XIX. Nele se recolhem trajes tradicionais e material etnográfico regional. Possui mais de 1500 peças oriundas de todo o Algarve. Para além dos trajes tradicionais das várias regiões algarvias, como o serrenho, o do barrocal e o da orla marítima encontramos coleções de utensílios de barro, de cortiça, latoaria, cestaria, faianças, etc. De salientar uma coleção de bonecas, num total aproximado de 300 peças que dão a conhecer o trajo, os costumes de muitos países. A região algarvia está representada com as bonecas de Querença, Ameixial, Martinlongo e as Marafonas - bonecas com as pernas e braços de cana.O museu é constituido por 16 salas e trata-se de um edifício com uma forte ambiência arabizante principalmente nas portas rematadas com arcos em forma de ferradura e nos tetos de madeira caprichosamente trabalhados.

Vale a pena uma visita!

Localização: Rua Doutor José Dias Sancho 61 - São Brás de Alportel 8150-141 SÃO BRÁS DE ALPORTEL- Distrito: Faro- Concelho: São Brás de Alportel.Telefone:(351) 289840100. Algarve - Portugal.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

TRICANAS 1870 , 1900 , 1915 - OVAR - BEIRA LITORAL.


A Tricana de 1870

Tricana era uma qualidade de tecido, mas passou a designar-se por "Tricana" a mulher do povo que envergava uma peça de vestuário confeccionada com esse mesmo tecido.
A Tricana de 1870 era a mulher da Murtosa, normalmente filha de lavradores abastados, que caprichava quando se vestia para ir a qualquer festa popular ou à igreja.
A Tricana de 1870 vestia:

Saia preta de lã, pregada a toda a volta, com uma barra de veludo preto; Casaquinha preta de lã, debruada a veludo preto; Capoteira de Baieta – tecido de lã debruado a veludo, liso ou lavrado - muito rodada, que descia até ao joelho e se usava pelas costas;
Lenço branco de bobinete, com nó singelo à frente;
Chinelas pretas;
Meias brancas de algodão, rendadas e feitas à mão;
Muitas vezes a mulher vestia desta maneira no dia do casamento e esse mesmo traje servia para a acompanhar até à morada final.

A Tricana de 1900
Com o passar do tempo, o traje da Tricana foi sofrendo algumas alterações, acompanhando a evolução do modo de vida da população.
Esta Tricana vestia-se da seguinte forma:
O xaile de barra de seda substituiu a Capoteira;
A saia passou a ser de seda lavrada, ainda que com roda até ao tornozelo;
O lenço passou a ser de seda e de cor, amarrado à frente e atrás;
Blusa de algodão fino, com espelho e renda;
Meias de algodão brancas, rendadas, feitas à mão; Chinelas pretas.
Quando ia para a festa, levava o xaile dobrado no braço. Quando ia para a igreja, punha-o pelas costas.

A Tricana de 1915
É nesta Tricana – de 1915 a 1920 – que podemos apreciar uma maior e mais rápida evolução.
A Grande Guerra de 1914-18 trouxe uma muito maior abertura do país à Europa, tendo começado a entrar em Portugal influências diversas, tanto no modo de viver, como, principalmente, na maneira de vestir.
Essa influência traduziu-se, no caso da Tricana, da seguinte forma:
A saia passou a ser feita de lã fina, perdendo quase toda a sua roda e subindo acima do tornozelo;
A blusa abotoa à frente e sem colarinho;
O lenço de seda passou a ser preto;
O xaile é de lã de merino com pontas de seda compridas;
As chinelas são de verniz e salto alto;
As meias passaram a ser de vidro.
Era um traje de festa e de cerimónias religiosas.

Fonte: Museu Etnográfico de Ovar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

LENDA DE NOSSA SENHORA DE VAGOS - AVEIRO.


A pouco mais de um quilómetro da vila de Vagos, situada num local campestre, pitoresco e aprazível, convidativo à oração, fica a ermida de Nossa Senhora de Vagos cheia de história e tradição. Consta que antes do actual santuário, existiu outro a dois quilómetros deste de que há apenas vestígios de uma parede bastante alta, denominada «Paredes da Torre», cercada presentemente por densa floresta mas de fácil acesso. Tradições antigas com várias lendas à mistura, dizem que perto da praia da Vagueira naufragou um navio francês dentro do qual havia uma imagem de Nossa Senhora que a tripulação conseguiu salvar e esconder debaixo de arbustos que na altura rareavam no areal.

Dirigindo-se para Esgueira, freguesia mais próxima, a tripulação contou o sucedido ao Pároco que acompanhado por muitos fiéis, veio ao local onde tinham colocado a imagem, mas nada encontrou. Dizem uns que Nossa Senhora apareceu a um lavrador indicando-lhe o sítio onde se encontrava o qual aí mandou construir uma ermida; dizem outras que apareceu em sonhos a D. Sancho primeiro quando se encontrava em Viseu que dirigindo-se ao local e tendo encontrado a imagem, mandou construir uma capela e uma torre militar a fim de defender os peregrinos dos piratas que constantemente assaltavam aquela praia. Mas parece que a primeira ermida e o culto da Nossa Senhora de Vagos datam do século doze. O que fez espalhar a devoção a Nossa Senhora de Vagos foram os milagres que se lhe atribuem. Entre eles consta a cura de um leproso, Estevão Coelho, fidalgo dos arredores da Serra da Estrela que veio até ao Santuário. Ao sentir-se curado além de lhe doar grande parte das suas terras, ficou a viver na ermida, vindo a falecer em 1515. É deste Estevão Coelho, que conta a lenda ter quatro vezes a imagem de Nossa Senhora de Vagos, sido trazida para a sua nova Capela, quando das ruínas da Capela antiga (Paredes da Torre), e quatro vezes se ter ela ausentado misteriosamente para a Capela primitiva. Só à quarta vez se reparou que não tinham sido transferidos os ossos de Estêvão Coelho, e que as retiradas que a Senhora fazia eram nascidas de querer acompanhar o seu devoto servo que na sua primeira Ermida estava sepultado; trasladados os ossos daquele, logo ficou a Senhora sossegada e satisfeita. Supõe - se que ainda hoje, à entrada do Templo existe uma pedra com o nome de Estêvão Coelho.

Outro grande milagre teve como cenário os campos de Cantanhede completamente áridos e impróprios para a cultura devido a uma seca que se prolongava à mais de quatro anos. A miséria e a fome alastrou de tal maneira por aquela região que todo o povo no auge do deserto elevava preces ao Céu, para que a chuva caísse. Até que indo em procissão à Senhora da Varziela, ouviram um sino tocar para os lados do Mar de Vagos. Toda a gente tomou esse rumo. Chegados à Ermida de Nossa Senhora de Vagos, suplicaram a Deus que derramasse sobre as suas terras a tão desejada chuva o que de facto sucedeu. Em face de tão grande milagre, fizeram ali mesmo um voto de se deslocarem àquele local de peregrinação, distribuindo ao mesmo tempo as pobres esmolas, dinheiro, géneros, etc. ... Ainda hoje essa tradição se mantém numa manifestação de Fé e Amor. Ainda hoje o pão de Cantanhede continua a ser distribuído em grande quantidade no largo da Nossa Senhora de Vagos.

Perto do actual santuário que pelas lápides sepulcrais aí existentes, remonta ao século XVII, construíram-se umas habitações onde de vez em quando se recolhiam em oração os Condes de Cantanhede e os Srs. de Vila Verde. Hoje, já não existem vestígios dessas habitações.

Vagos:

É vila do distrito e diocese de Aveiro, sede de concelho, comarca e tem fronteiras com os concelhos de Ílhavo, Aveiro, Cantanhede, Mira, Oliveira do Bairro e com o Oceano Atlântico.
Em 1514 recebeu do rei D. Manuel o primeiro foral. Compõe-se das freguesias de Calvão, Covão do Lobo, Fonte de Angeão, Gafanha da Boa Hora, Ouca, Ponte de Vagos, Sosa, Santa Catarina, Santo André de Vagos, Santo António de Vagos e Vagos.
A área do concelho é de 173 Km2 e os últimos censos atribuíram-lhe 19.710 habitantes e 17.204 eleitores.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

RANCHO DE DANÇAS E CANTARES DE AFIFE - VIANA DO CASTELO.

Foi por volta de 1920 que em Afife se iniciou o primeiro esboço para a formação de um agrupamento folclórico. Assim sendo, foi sob a direcção do afifense Tomás Fernandes Pinto, que foi constituído um grupo composto apenas por elementos femininos. A partir dessa data os afifenses foram dando continuidade ao grupo folclórico, até que no ano de 1962, sob a direcção do Dr. João Barrote, foi formado o célebre Grupo Folclórico de Afife. A freguesia de Afife situa-se a 10 km a norte de Viana do Castelo, junto ao mar. Toda a freguesia é de extremo interesse, devido às suas características geográficas e estruturais. Os trajes utilizados são trazidos pelos seus próprios elementos ou por familiares. Existem até trajes autênticos, do princípio do século. Cláudio Bastos referiu num estudo que intitulou de “Traje à Vianesa''
e onde também é mencionado o traje de Afife: “Este vestuário principalmente quando batido pelo sol, é um deslumbramento de coloração, uma verdadeira romaria de cores, nada pasmando que ele seja o predilecto da massa popular, alheia ao bairrismo das freguesias”. Os mentores do grupo foram a célebre Ofélia das Cachenas e o Cácio do João Enes (Cácio Bandeira). Pedro Homem de Mello, viveu sempre com entusiasmo o folclore de Afife. Dedicou-lhe poemas e considerou a Ofélia das Cachenas como a maior folclorista da região. Organizou diversos espectáculos e acompanhou o grupo em diversas deslocações. Na década de 80 o folclore em Afife esteve estagnado, até que, por altura da preparação de uma festa da escola primária em 1994, Catarina Pires, Abílio Torres, Carlos Fernandes, liderados por Rui Manuel Areias, decidiriam incentivar as crianças a dançar folclore, daí nasceu a ideia de criar o Rancho Infantil de Danças e Cantares de Afife. No dia 10 de Junho de 1995, o Rancho volta a renascer, contando com a participação de 20 pessoas e fazendo a primeira actuação no dia 5 de Agosto no Parque de Campismo da INATEL em Viana do Castelo, perante uma assistência que ultrapassou as mil pessoas. O Rancho foi legalizado por escritura pública a 9 de Abril de 1996 e a publicação no Diário da República deu-se a 26 de Julho do mesmo ano. O grupo é membro do Registo Nacional das Associações Juvenis (RNAJ). O Rancho de Danças e Cantares de Afife tem-se mantido activo desde então, contando-se várias actuações dentro e fora do país.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

TRAJE DE TRABALHO (CEIFEIRA) - MOIMENTA DA BEIRA - VISEU.


Blusa de tecido de algodão branco estampado (chita) com pequenos motivos azuis; gola larga guarnecida com bordado estreito; frentes ajustadas com botões; mangas compridas ajustadas no punho com bordado.

Saia de tecido de algodão estampado gorgorina, franzida na cintura. Avental de riscado azul, preto e vermelho cobrindo toda a frente da saia. Sobre a anca, corda servindo de cinta, arregaçando a saia e segurando uma cabaça.

Na cabeça , lenço de algodão estampado e chapéu de palha, de abas largas dobradas e atadas com as pontas do lenço. Calça socos romeiros.

Trajo simples nos tecidos e nos pormenores decorativos, como convém ao desenpenho do árduo trabalho agrícola da ceifa.

Contudo, as mulheres desta região, quando andam no trabalho, vestem uma saia de cor vermelha ou alaranjada, designada por

bichaneira (termo usado na beira para designar uma saia de trabalho).

A cabaça que suspende na cintura serve para levar a água com que mata a sede durante a jorna.

A designação de socos romeiros significa que foram usados nas romarias enquanto novos e passaram a ser usados no dia a dia quando já estavam velhos.

Fonte: O trajo regional em Portugal , de Tomaz Ribas.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

TRAJE DE NOIVA - MINHO.

O traje de noiva é, sem dúvida, um dos mais emblemáticos do trajar no Minho. A escolha do tecido preto confere a todo o traje a solenidade exigida ao próprio ritual do casamento ou às poucas ocasiões, excepcionais, em que ele era usado. Para assinalar esses momentos, a rapariga colocava ao peito todo o ouro que possuía, mostrando, assim, o seu poder econômico. Ambicionado por todas as raparigas casadoiras minhotas, este traje era objeto dos maiores cuidados e desvelos, logo guardado na arca, após as raras aparições em público, para um dia ser doado à filha ou à neta, como se de uma jóia se tratasse. Por vezes, serviria este traje, ainda, uma última vez, como mortalha. Composto por casaca de tecido de seda preta lavrada, ajustada ao corpo, formando uma pequena aba na cintura e contando com decoração em bordados aplicados de vidrilhos, galão, e fita de cetim pregueada, tudo em preto, saia de tecido preto de lã, com barra em veludo ricamente bordada em vidrilhos, decorada na orla com aplicação de fita e tira de cetim pregueada, avental de veludo preto, decorado com bordados em vidrilhos, formando a coroa real no centro, enquadrada por motivos vegetalistas, algibeira entre o avental e a saia, em forma de coração estilizado, bordada com vidrilhos, lenço branco de tule bordado com fio de seda, meias rendadas brancas e chinelas pretas bordadas em branco. No peito, sobre o fundo negro da casaca, sobressaem os ouros tradicionais, e, nas orelhas, usa-se os brincos à rainha. A rapariga leva, ainda, em mãos, com delicado bordado a ponto de cruz com motivos de simbologia amorosa, a segurar o ramo de noiva, um lenço de amor.


Fonte: O trajo regional em Portugal , de Tomáz Ribas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ROMARIA DE N. Sra DOS REMÉDIOS - LAMEGO.

Não se pode falar sobre o culto de Nossa Senhora dos Remédios sem referir o nome de D. Manuel de Noronha, bisneto do descobridor João Gonçalves Zarco. Ocupou um importante cargo no Vaticano do papa Leão X, tendo sido nomeado bispo de Lamego a meio do séc. XVI. Foi este o fundador da devoção e da confraria da Senhora dos Remédios, tendo mandado trazer de Roma a respectiva imagem.

A primeira capela foi erguida no local de uma outra, dedicada a Santo Estêvão, que trazia a esse monte alguns fiéis já desde 1361. A imagem da Virgem ganhou fama e avultadas esmolas eram deixadas no decorrer do séc. XVIII. Serão desta altura as primeiras festas em sua honra, que então duravam apenas um dia, tendo começado também a construção do actual santuário, um dos mais belos monumentos de Portugal, que só ficou concluído em 1905. A fachada, de inspiração barroca, é ladeada por duas torres sineiras, avistando-se de toda a cidade. Um escadório com 686 degraus ergue-se desde o centro da cidade até ao cimo do monte, estando cheio de lugares surpreendentes, como o Pátio dos Reis.

Ultrapassando, há muito, as fronteiras da região, as festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios afirmaram-se como uma das mais importantes romarias que se realizam em Portugal. Desde a última quinta-feira de Agosto até ao dia 8 de Setembro, cerca de 300 mil pessoas vão agradecer à santa a resposta às suas preces ou, simplesmente, fazer a festa. A Procissão do Triunfo, nesse dia, é uma das poucas no mundo cujos andores continuam a ser puxados por juntas de bois, graças a uma especial permissão da Santa Sé, emitida em 1925. Os carros vão magnificamente engalanados.

Outra das peculiaridades desta romaria é a "marcha luminosa", que se realiza na noite do dia 6, sendo composta por uma dezena de carros alegóricos e numeroso figurado vivo, que percorre as ruas e avenidas da cidade. Na tarde do dia 7 ocorre a "batalha das flores", altura em que os romeiros lançam pequenos pedaços de papel colorido sobre o desfile. O programa fica completo com diversos eventos culturais e desportivos, folclore, espectáculos musicais e pirotécnicos, exposições e feira.


Fonte: «Enciclopédia das Festas Populares e Religiosas de Portugal, de Felipe Costa Pinto.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

RANCHO FOLCLÓRICO DA CASA DO POVO DE AROUCA.

O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca foi fundado em 1972 com o nome de rancho folclórico de Arouca. Com a integração na secção cultural da casa do povo de Arouca, em 1973, o seu nome viria a ser alterado para o nome que hoje ostenta.Os cantares e dançares de Arouca, as vozes, os costumes e os trajes das gentes da sua terra, partindo de uma recolha adjacente do cancioneiro de Arouca, da autoria de Virgílio Pereira, são aqui fielmente representados. Manter viva as tradições folclóricas e etnográficas e os traços de ruralidade do povo arouquense eram os propósitos dos seus fundadores e seguidores. da serrania ao vale, do Paiva ao Arda, Arouca e um tesouro cultural evidenciado nos tablados onde este rancho actua.Com uma escola de aprendizagem para tocadores de concertina e cavaquinho e um grupo infantil e juvenil que, para além das danças de folclore arouquense, ensaia canções do nosso cancioneiro, canções populares e leva a cena pequenos teatros. O rancho folclórico da casa do povo conta com cerca de 45 elementos.Ao longo de mais de três décadas o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca actuou em festivais de folclore nacionais e internacionais, animou festas e romarias, e organiza anualmente em Agosto o festival de folclore. Em Abril de 1990 e Maio de 2001, atravessaria o atlântico em duas digressões pelo Brasil, actuando nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos. Em 1998, representaria o folclore arouquense a quando a assinatura do protocolo de geminação entre a cidade francesa de Poligny e Arouca, sendo aí justamente homenageado pela associação portuguesa local, pelo apoio dado na criação de um Rancho Folclórico Lusitano.

Caminhando para as bodas de ouro, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca Continuará a preservar o passado e as suas tradições, legado dos antepassados para as gerações futuras, de ontem, de hoje e de amanhã. estas são as palavras do presidente da direcção:António Gonçalves Teixeira. http://ranchoarouca.blogspot.com/

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Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca - Vira de Trempes