Obrigado pela visita!!!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

APÚLIA - CONCELHO DE ESPOSENDE.

Na praia da Apúlia, a dança do Minho toma uma feição especial, devido em parte ao trajo do homem - saio romano, apertado por cinturão espesso.
Descalços, e de pernas inteiramente despidas, só bailarão os moços que a natureza tiver dotado condignamente.
Daí, o aprumo de todos os que entram para a roda. Sem ele, nada feito...

Semelhantes aos companheiros do rei Artur, os sargaceiros da Apúlia sentam - se (perdão: bailam!) à roda da Távola redonda.

E as pernas serpenteiam, enquanto os pés, na relva do prado ou na areia da praia, fazem rendilhados brancos. A quase nudez destes rapazes que, ao comparecer no Rancho, envergam a indumentária quotidiana contrasta, singularmente, com a riqueza do fato das mulheres, as quais, ao contrário dos homens, vestem, para vir a público, festivos trajos antigos. Distinguem - se elas pelos movimentos das ancas, movimento rápido, trepidente. E a faixa, à moda de Esposende, ensacando - as, realça - lhes a natural opulência...

Ao dançar, os corpos estremecem, dos pés à cabeça. No entanto esta dança surge - nos como que emparedada. À vista, os bailadores mal mudam de sítio. Todavia, a sua leveza é tal que nem parecem poisar no chão. Lembram pássaros, talvez. Mas pássaros de asas cortadas...

Fonte: Danças portuguesas , Pedro Homem de Mello.

terça-feira, 17 de junho de 2008

TRAJE DE FESTA - ÍLHAVO.

Camisa de linho, com pequeno cós guarnecido de renda larga, abotoada na frente com botões feitos de tremoço, forrados de tecido; manga comprida com punho. Colete de seda lavrada de de luxo, vermelho - vinho, debruado a preto, ajustado na frente com cinco pares de botões de prata e respectivas abotoaduras.


Saia de tecido de lã preta, comprida, franzida na cintura e guarnecida em baixo com barra de veludo recortada e contornada com galão. Sobre a anca, faixa cor de vinho, que não ajusta, decorada por vezes com as iniciais do nome e algibeira preta bordada, suspensa na cintura.

Envolvendo todo o corpo, amplo mantéu preto, com cabeção largo de veludo guarnecido a galão e frentes debruadas também a veludo e galão formando bicos. Na cabeça lenço lavrado de cor clara, com as pontas laterais levantadas, acompanhando a larga aba do chapéu de presilhas, presas à copa e rematadas com pompons catitas.
Calça meias brancas rendadas e chinelas pretas de verniz.

Trajo rico de festa, destacando - se o colete com suas abotoaduras de prata, numa clara afirmação do poder económico da rapariga.

Também o mantéu, com seus enfeites de veludo e galão idênticos aos da saia, é elemento imprescindível no trajo de luxo, coroado pelo magnífico chapéu, tão grande que se torna necessário usar presilhas, para segurar a aba á copa. As chinelas pretas e as meias brancas eram acessórios indispensáveis neste trajo.

A datação deste trajo é possível, devido ás representações pictórias deixadas por artistas como Francisco José Resende (1825 - 1893).
São dele algumas obras onde se podem observar mulheres vestindo este trajo.


Fonte: O trajo regional em Portugal , de Tomaz Ribas.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

É URGENTE QUE SE LEVE ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS NO ESTRANGEIRO O CONHECIMENTO DO FOLCLORE PORTUGUÊS.

O folclore português no estrangeiro carece de um premente apoio técnico.
As raízes culturais tradicionais portuguesas promovem - se de uma forma bem ativa no seio das comunidades lusas radicadas em grande parte dos países de emigração, implícito no trabalho de centenas de grupos de folclore ou de inspiração folclórica. Todavia, essas formações progridem mercê de boas vontades , mas quase sempre enfermam de erros de representação, arredados que estão de uma correta e cuidada recriação dos aspectos etnográficos e folclóricos.
É urgente que se promovam as necessárias ações de formação e de sensibilização, ministradas por emissários competentes, estabelecidos nas diversas regiões de Portugal que são representadas pelo movimento folclórico nas comunidades. Ao Estado português competirá ajudar a uma tão necessária e urgente ação de pedagogia e de sensibilização, patrocinando visitas de pedagogos folcloristas, com reconhecidos conhecimentos técnicos. Pelo respeito que nos deve merecer a cultura popular.
Se é certo que por cá, em matéria de sensibilização da representação tradicional , as coisas não correm de forma satisfatória no que respeita à preservação e divulgação dos aspectos culturais e tradicionais, no estrangeiro os "embaixadores" lusos não fogem à regra, instruídos que estão a reproduzir mal o nosso folclore. Salvam - se algumas boas execeções. Todavia raras.

Matéria do jornal folclore - junho / 2008.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

SETE SAIAS - NAZARÉ.

O traje da mulher nazarena é de extrema riqueza, quer pela sua história, quer pela sua harmonia estética. Rico ou pobre, de festa ou de trabalho, o traje feminino da Nazaré ainda é bastante usado no dia a dia desta terra de pescadores, cheia de lendas, mitos e tradições.

As sete saias fazem parte da tradição, do mito e das lendas desta terra tão intimamente ligada ao mar. Diz o povo que representam as sete virtudes; os sete dias da semana; sete cores do arco - íris; as sete ondas do mar, entre outras atribuições bíblicas, míticas e mágicas que envolvem o número sete.

A sua origem não é simples explicação e a opinião dos estudiosos e conhecedores da matéria sobre o uso das sete saias não é coincidente nem conclusiva. No entanto, num ponto todos parecem estar de acordo: as várias saias da mulher da Nazaré estão sempre relacionadas com a vida do mar. As nazarenas tinham o hábito de esperar os maridos e filhos, da volta da pesca, na praia, sentadas no areal, passando aí muitas horas de vigília. Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima para protegerem a cabeça e ombros do frio e da maresia e as restantes a taparem as pernas, estando desse modo sempre "compostas".

De acordo com outras opiniões, as mulheres usariam sete saias para as ajudar a contar as ondas do mar (isto porque "o barco só encalhava quando viesse raso, ora as mulheres sabiam que de sete em sete ondas alterosas o mar acalmava; para não se enganarem nas contas elas desfiavam as saias e quando chegavam à última, vinha o raso e o barco encalhava "). Certo é que a mulher foi adotando o uso das sete saias nos dias de festa , e a tradição começou e continua até ao presente.

No entanto, no traje de trabalho são usadas, normalmente, um menor número de saias (3 a 4).

No traje de festa as saias interiores são brancas, sobre essas duas ou três ou mesmo mais de flanela colorida, debruadas a renda ou crochet de várias cores, cobrindo- as, a saia de cima de escocês plissada ou de chita azul com barra de veludo preto, cobertas por um avental de cetim artísticamente bordado; casaco florido com mangas de renda ou de veludo bordado na gola e nos punhos; lenço cachené e chapéu , capa preta; chinelas de verniz; cordão e brincos de ouro. A nazarena mostra assim, com orgulho, a riqueza da família através do traje.

O traje de trabalho é mais pobre em cor e em tecidos, com duas ou três saias de baixo, que variam consoante a época do ano (inverno / verão); saia de cima simples e avental sem bordados, mas com uma renda aplicada e com bolso; cachené e xaile traçado. Existe ainda um terceiro traje - o das viúvas, todo preto e sem rendas ou bordados, com as saias de baixo brancas; sendo este usado atualmente apenas pelas mulheres mais idosas.

O traje nazareno feminino continua a ser usado no dia a dia pelas mulheres de mais idade, sobretudo as mais ligadas ao mar e à venda de peixe. O traje de festa é normalmente usado por todas na época de carnaval(de 3 de fevereiro - São Brás - até terça feira de carnaval ), domingo de Páscoa e também pelos Ranchos Folclóricos da Nazaré.

É importante salientar que o traje nazareno feminino não parou no tempo, nem se tornou uma peça museológica. É um traje que renasce cada ano, tornando a Nazaré única entre as demais.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

RANCHO REGIONAL DE SÃO SALVADOR DE FOLGOSA - MAIA.


O Rancho Regional de São Salvador de Folgosa, nasceu por ocasião da angariação de fundos para as obras de remodelação da igreja paroquial, em finais da década de cinquenta, tendo desde logo procurado afirmar - se no panorama folclórico nacional e regional.

No entanto, e na sequência de algumas dificuldades, a sua atividade foi interronpida de 1961 a 1980. A partir desta altura o Rancho têm vindo a aperfeiçoar a sua atividade de reprodução dos trajes, danças e cantares dos tempos remotos nas terras da Maia, através de recolhas que garantem a autenticidade do que pretende representar.


Em termos de folclore, representa a zona do chamado Vale do Coronado , no leste maiato. É dentro destes limites que se propõe recolher e depois reproduzir o mais fidedignamente possível as vivências quotidianas e festivas dos seus antepassados.

Além de outros festivais realiza anualmente no segundo sábado de agosto o seu festival de folclore, a sua desfolhada em outubro assim como canta as janeiras de porta em porta desde o natal até o dia de Reis.

O Rancho Regional de São Salvador de Folgosa é composto por cerca de cinquenta elementos. É membro efetivo da federação de folclore português e inscrito no INATEL.

Representa o Douro Litoral, tem participado e continua a participar em festivais nacionais e internacionais quer no país como no estrangeiro. Tem um cd gravado e já fez várias aparições em programas de tv quer na RTP como na tv Galiza.

As danças e cantares interpretados contituem uma recolha da tradição maiata e pretendem exemplificar vários momentos dos seus antepassados. O fim dos trabalhos agrícolas, sobretudo na época das colheitas, em que a vizinhança se juntava nas eiras onde cantavam e dançavam procurando esquecer a vida difícil de então.

As caminhadas ou rusgas para as romarias onde associado à fé ao Santo
que iam venerar se divertiam cantando e dançando.
Encontros nas tardes domingueiras ou dias santos nos adros ou largos das igrejas em que rapazes e raparigas animados pelo som dos cavaquinhos e concertinas alegravam o ambiente cantando e dançando.


Alguns trajes apresentados pelo Rancho Regional de São Salvador de Folgosa - Maia.










Site recomendado: Rancho Regional de São Salvador de Folgosa - Maia.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

TRAJE DE "MEIA SENHORA" OU "MORGADA" - VIANA DO CASTELO.

Este traje significava que a lavradeira, mesmo com o seu casamento , não atingiria o título de "senhora ", dentro do quadro das distancias sociais.

Mesmo assim, o traje de "meia senhora" ou "morgada" era sinônimo de casa farta, boa lavoura , criadagem, tulha cheia, soalhos encerados e do cheiro a mosto das adegas.

O traje de meia senhora era composto por uma casaquinha justa em fazenda preta bordada a vidrilhos, saia rodada em tecidos de chita das mais variadas cores . Podemos destacar neste traje a substituição da algibeira pelo saco de mão em crochê ou tecido e uma sombrinha. Lenço de seda na cabeça ou nos ombros, meias rendadas e chinelas pretas.

Sempre de sombrinha quando passeava pelas ruas da cidade, a rapariga queria proteger - se do sol e manter a pele clara, sendo esse, um sinal de que não trabalhava.

O ouro demonstrava a riqueza da sua casa.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

CAMISOLA POVEIRA - PÓVOA DE VARZIM.

Camisolas de lã branca, bordadas em ponto de cruz com motivos em preto e vermelho(escudo nacional, com coroa real,siglas, remos cruzados etc.) produzidas por dezenas de artesãs poveiras que destinam a sua produção às casas de artigos regionais.


"A camisola poveira era inicialmente(primeira metade do século XIX) feita em Azurara e Vila do Conde e bordada na Póvoa pelos velhos pescadores.

Em evolução, passou a ser bordada pelas mães , esposas e noivas dos pescadores , e , depois feita e bordada na Póvoa" .

Esta peça integrava o traje masculino de romaria e festa do pescador poveiro, cuja origem remonta ao primeiro quartel do século XIX.

Este traje branco ou de branqueta ( tecido manual) foi o que mais perdurou , mantendo - se até finais do século passado, sendo sempre o traje escolhido aquando da presença de elementos da comunidade junto das mais altas individualidades políticas.

Com a grande tragédia marítima de 27 de fevereiro de 1892, o luto decretou a sentença de morte deste traje branco, assim como de outros trajes garridos.

A camisola poveira,sobreviveu,
ainda , pela primeira metade do século XX, mantendo - se como peça de luxo de velhos e novos.

A recuperação do vistoso traje branco deveu - se a Santos Graça que, ao organizar o Grupo Folclórico Poveiro,em 1936, o ressuscitou e divulgou.

"hoje a classe piscatória já não se vislumbra qualquer vestígio do modo de trajar antigo. Nem mesmo essas camisolas poveiras(...)traduzem uma realidade atual".


Fonte: Câmara municipal da Póvoa de Varzim.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

TRAJE DE LAVRADEIRA - SANTA MARTA DE PORTUZELO - VIANA DO CASTELO.

Camisa, saias e colete.

Acessórios:lenço de cabeça, lenço de peito, algibeira, avental, meias, chinelas e ouros.

Trajo vermelho, assim designado pela predominância desta cor no colete, saia, avental, e lenços de cabeça.

Cláudio basto aponta os aventais das raparigas de Santa Marta como as peças mais caprichadas do ponto de vista de concepção e execução dos motivos decorativos, obtidos pelos puxados moscas(pequena argola feita com fio de trama puxado, utilizado na decoração dos tecidos de vestuário e peças de casa).

As tecedeiras, verdadeiras artistas na sua criação, contornam os elementos decorativos com cores diferentes, conseguindo maior destaque em toda composição. Quanto aos lenços, o mesmo autor refere em 1930: O lenço de cabeça é de campo vermelho e o do peito igualmente, quanto ao amarelo, também então usado, acrescenta:não é regra. Mas adianta:não há, em cada aldeia, uniformidade absoluta nas cores dos lenços.

E continuando, salienta os bordados azuis na camisa de linho, sobre as ombreiras, punho e colarete, destacando também os bordados policromos no colete e algibeira, não esquecendo os bordados a branco nas chinelas de verniz e os bordados feitos com abertos ou com relevos de "vário feitio" nas meias.

Na saia de listas, não há uniformidade no padrão, embora sejam fiéis na cor vermelha, intercalada por listas pretas cortadas ou não por fios brancos . E, diz ainda o autor: vai enraizando o costume de bordar à margem superior do forro da saia , que é preto, uma silva clara, raramente de cores.


Como toque final, as lavradeiras colocam sobre si, os ouros tradicionais ,brincos à rainha, o colar de contas, os cordões e fios com respectivas medalhas e cruzes, isto é, no seu modo de dizer, ouravam - se.


Existem outras variantes do traje de lavradeira :O azul da freguesia de Dem, o verde de Geraz do Lima e o de cores sóbrias designado traje de dó.

Fonte: O trajo regional em Portugal, de Tomaz Ribas.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

RANCHO FOLCLÓRICO TRICANAS DE COIMBRA - SANTOS - BRASIL.

Atuação do Rancho Folclórico Tricanas de Coimbra - Fado.

terça-feira, 6 de maio de 2008

O BRINQUINHO MADEIRENSE.

O brinquinho é um instrumento musical típico do folclore madeirense, constituído por bonecos vestidos com trajes característicos da região e fitilhos, estão dispostos numa cana de roca e são movimentados pelo portador, com movimentos verticais.


Os bonecos distribuem - se por círculos, a alturas diferentes, e estão munidos de castanholas penduradas às costas, que batem ao compasso da dança tradicional madeirense, designada por bailinho da Madeira.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

TRAJE DE IR À VEIGA - CARREÇO.


Este traje era usado ao domingo, para ir à veiga com as vacas para que estas pudessem comer a erva dos pastos.

Era um traje mais complexo e mais rebuscado que o usado ao longo da semana.Compunha - se de uma saia de algodão de risca preta, avental de riscado vermelho ou azul, um colete com uma parte inferior preta e a superior florida, uma camisa de linho bordada a branco, um lenço sem franjas na cabeça.

Nos pés, usavam - se socos. Como era domingo, a mulher usava algum ouro.

Site recomendado: Ronda Típica de Carreço

quarta-feira, 30 de abril de 2008

CORRIDINHO - ALGARVE.

No Algarve o ritmo é veloz e não há calor que faça abrandar, os fãs do corridinho. Vai de roda, vai de roda, vai de roda sem parar...

É dada a ordem pelo mandador e imediatamente os pares obedecem, como se o ritmo lhes corresse nas veias. É assim de uma ponta à outra do Algarve, onde quem dança também ri.

Das serras ao litoral, toda gente dança o corridinho. É assim desde há muitos anos. Não se sabe como começou a tradição desta marcação algarvia tão acelerada.

Há quem alvitre hipotéticas influências das danças lentas da Europa central, que o algarvio adotou e transformou de acordo com a sua maneira de ser e até com o ambiente em que vive.

Há ainda quem considere que essas influências podem ter chegado da Escócia. Isto porque na serra algarvia ainda é comum pedir - se um scot, nos bailaricos. Scot tem na região da serra precisamente o mesmo significado que corridinho, o que faz pensar na sua possível relação com a Escócia. Mas não passam de meras suposições.

O que importa é que o corridinho continua bem vivo na "guelra" dos algarvios. Sete passos para a frente três passos para a direita e três passos para a esquerda, volta e segue a dança.

Esta é a marcação básica do corridinho. É um baile mandado e uma dança de roda que começou por esta marcação simples e que depois foi evoluindo para outras mais complexas. Evolução que se começou a verificar a partir da chegada quase triunfal do acordeão. Os seus tocadores surgiram como pessoas cheias de habilidades, dando um novo impulso á dança algarvia.

Surgiram então as florestrias (espécie de floreados) e o corridinho foi ainda mais galvanizado.

Dessas florestrias fazem parte as 'escovinhas" que é quando os pares giram sobre si mesmos em "pião" ou em "moinho" (conseguido pela saia da mulher quando roda).

O nome de "escovinhas" supõe - se que tenha sido dado pelo facto do som emitido pelos pés em contato com o chão, se assemelhar a uma escova a escovar um fato. Os "sapateados" as "carreirinhas" ou a perna do homem por cima da anca da mulher são mais algumas "florestrias" que os bailadores algarvios mostram cheios de vida e energia.

*********************************
Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão - Algarve-
Alma Algarvia.

sábado, 26 de abril de 2008

FESTA DO SENHOR SANTO CRISTO DOS MILAGRES - AÇORES.


A festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres é uma festa vistosa e clássica. A imagem votiva, venerada no convento de Nossa Senhora da Esperança (edificado na primeira metade do século XVI ) concentra a grande devoção religiosa de todos os açorianos. Há já 300 anos que no quinto domingo depois da páscoa, muitos peregrinos visitam este santuário, participando na maior procissão dos Açores, que percorre as artérias da cidade, todas ornamentadas com tapetes florais ricamente trabalhados, onde a criatividade está presente.


A grande fé dos açorianos e de outros peregrinos expressa - se, também, através de ofertas beneméritas ao convento e ao Senhor Santo Cristo, sob a forma de jóias, das quais se destacam o Resplendor, o Cetro, a Coroa de espinhos, o Relicário e as Cordas, magníficos exemplares de joalheria portuguesa do Século XVIII. O fervor religioso dos açorianos pelo Senhor Santo Cristo está solidamente enraizado no povo, como símbolo de um forte elo de identidade cultural e religiosa.

Madre Teresa d´Anunciada, foi uma freira clarissa que se celebrizou como iniciadora da devoção ao Senhor Santo Cristo dos Milagres na cidade de Ponta Delgada, hoje a maior festividade religiosa dos Açores.

Morreu com fama de santidade, tendo sido oficialmente declarada venerável, decorrendo o processo de canonização.


quarta-feira, 23 de abril de 2008

FESTA DAS ROSAS - VILA FRANCA DO LIMA - VIANA DO CASTELO.


Todos os anos, no segundo fim de semana do mês de Maio, mês das flores e também mês de Maria, Vila Franca do Lima leva a efeito as suas festas seculares em honra de Nossa Senhora das Rosas. A festa das Rosas é, sem dúvida, uma das mais típicas e tradicionais da terra portuguesa.

Todos os anos, atrai multidões, milhares de forasteiros, vindos de todo o país mas também do estrangeiro, que aqui se deslocam para apreciar a verdadeira arte popular representada nos famosos cestos floridos de Vila Franca do Lima.

Estas festividades têm início na sexta feira, mas é no sábado que atingem seu apogeu com o "cortejo das das rosas" onde, pela primeira vez, se podem apreciar os monumentais "cestos floridos" transportados à cabeça , durante todo o desfile, pelas mordomas que, no final do cortejo, os oferecem à Virgem Nossa Senhora.

Os cestos, ex - líbris da festa das rosas, são autênticas maravilhas floridas totalmente feitos à mão.

Geralmente construídos e revestidos com flores naturais acabadinhas de chegar do campo ou do jardim. Milhares de pétalas multicolores, caules, raízes e folhas.

Botões são fixados com pequenos alfinetes dando corpo a diferentes motivos bastante criativos.

Paisagens , brasões, monumentos, santuários , figuras, uma dedicátoria ou uma simples homenagem servem de fundo a estas magníficas criações.

A festa das Rosas é da responsabilidade da confraria de Nossa Senhora do Rosário, fundada em 1622 por frades dominicanos, e dos seus estatutos constava que as mordomas levariam nos dias de festa, flores a Nossa Senhora. Assim, todas as mordomas caprichavam em levar as mais belas flores e em grandes quantidades e que se destinavam à decoração dos altares, e ao adorno do adro.

Os cestos são transportados à cabeça pelas mordomas na procissão de sábado,e que se repete na tarde de domingo. Cada uma das mordomas, pode recorrer à ajuda de colegas e amigas para ajudar na tarefa.

É que cada cesto pesa, em média, mais de cinquenta quilos, dificultando o equilíbrio das jovens raparigas da freguesia.

**********************
Festa das Rosas em Vila Franca do Lima.

sábado, 19 de abril de 2008

TRAJE DE PAULITERO - MIRANDA DO DOURO.

Camisa, saias e colete.

Acessórios: lenços,chapéu, meias, botas e palotes(pequeno bastão de madeira rija e resistente, usado pelos pauliteiros nas suas danças.)

Camisa de linho branca de corte tradicional. Enáguas (saias) de algodão branco, de alturas desiguais, franzidas na cintura e guarnecidas com folho bordado a branco na orla.

Colete de saragoça( tecido de lã castanha ou branca, grossa. usava - se na confecção do trajo de trabalho.) recortada e pespontada, enfeitadas com fitas de várias cores e fios de ouro cosidos. Sobre os ombros, lenço estampado colorido e, presos na cintura, 4 lenços estampados, dobrados.

Na cabeça, chapéu de feltro preto de aba larga e copa decorada com fitas policromas, flores e penas. Calça meias de lã com riscas castanhas e brancas rendadas e botas de bezerro ferradas. Nas mãos segura um par de palotes.

As pesquisas efetuadas até hoje para explicar as origens deste traje, não têm sido consensuais. Várias hipóteses foram apontadas como prováveis, desde a sua filiação na tradição celta ou na herança greco - romana ou ainda na própria cultura ibérica medieval.

Este traje enigmático é vestido unicamente por homens, quando executam uma dança de caráter acentuadamente guerreiro, marcado pela coreografia dos passos e gestualidade agressiva dos componentes, reforçada pelo uso dos palotes, simulando as espadas.


Fonte: O trajo regional em Portugal, de Tomaz Ribas.

******************

Pauliteiros de Miranda


quarta-feira, 16 de abril de 2008

DESFOLHADAS.


A desfolhada tradicional é um duro trabalho agrícola em que se retira a espiga (ou maçaroca) da planta.

Antigamente, marcavam - se o dia das desfolhadas com os vizinhos, a família e os amigos. Durante o dia, juntavam - se os lavradores e cortavam o milho com uma foicinha.

À medida que se desfolha vai - se amontoando as espigas em cestos que, depois de cheios, são carregados no carro de bois para ser despejados no canastro ou espigueiro.

A palha do milho servia para a alimentação dos animais . Os jovens participavam entusiasmados nas desfolhadas, sempre na esperança de encontrar o milho rei (espiga vermelha) para poderem dar um beijo ou um abraço à namorada (é que o feliz achador tem a obrigação de gritar bem alto:Milho rei!- e o direito de dar uma volta a todos os trabalhadores, distribuindo abraços).Antigamente, esta era uma oportunidade única para se aproximar fisicamente das raparigas, das namoradas, até das noivas porque, na época as convenções sociais eram muitas e a vigilância por parte dos pais era muito apertada.

À noite, à luz das candeias faziam - se grandes desfolhadas, dançava - se e cantava - se, ao som da concertina. Apesar do cansaço, as desfolhadas eram sempre motivos de grandes satisfações e alegrias para aqueles que nelas participavam.


As desfolhadas da aldeia
são cheias de vida e cor
até a luz da candeia,
suspiram versos de amor.

Ai as desfolhadas ,lindas desfolhadas
onde as raparigas vão todas lavadas,
saem de casa preparam - se bem
porque os seus amores lá irão também.

********************************
Desfolhada à moda de Perre em Viana do Castelo.



domingo, 13 de abril de 2008

TRAJE DE NOIVOS - SÃO BARTOLOMEU DE MESSINES - ALGARVE - INÍCIO DO SÉCULO XX.

Traje masculino:

Jaqueta, colete, calças e camisa.
acessórios: chapéu, cinta e botas.

Jaqueta de tecido de algodão preto digonal, com gola e bandas, frentes formando bico, com duas idas de botões e bolsos metidos.

Colete de trespasse do mesmo tecido, com gola de rebuço. Calças de tecido idêntico ao restante fato, terminando em boca de sino sobre o pé.
Na cabeça, chapéu preto de feltro de aba larga direita. Calça botas de pele preta.

Traje feminino:

Casaquinha e saia.
Acessórios: mantilha, bolsinha, meias e sapatos.

Casaquinha com aba, de tecido de algodão azul-céu, frente decorada com refegos, entremeios de renda mecânica, contornada com fita sugerindo peitilho; mangas tufadas em cima e justas a partir do cotovelo até o punho.
Saia do mesmo tecido azul, ligeiramente franzida, alargando para a orla, decorada com pregas sobre os panos laterais. Na cabeça, mantilha de renda de algodão creme, com as pontas traçadas caídas sobre os ombros. Calça meias brancas rendadas e sapatos pretos com presilha. Segura na mão uma bolsinha do mesmo tecido do fato.

Quando o branco não era ainda a cor escolhida pelas noivas nos meios rurais, optava - se para o fato de casamento por um tom claro, normalmente o azul-céu, a cor de pomba ou a cor de grão, que se pudesse vestir também em muitas outras ocasiões festivas.
Também o noivo opta pelo trajo negro que usaria, em todas as cerimónias ao longo da sua vida.
Tradicionalmente, não usava nem laço, nem gravata, a menos que já seguisse os padrões da moda citadina.
O chapéu de aba direita completava esta indumentária cerimonial.

Fonte: O trajo regional em Portugal , de Tomaz Ribas.