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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

ROMARIA SENHORA D'AGONIA 2010 - VIANA DO CASTELO


7 AGOSTO A 22 DE AGOSTO
Feira de Artesanato Contemporaneo e Artesanato Tradicional


19 AGOSTO – QUINTA FEIRA

22h00 Espectáculo na Rua dos Mareantes ( Zona Portuária)
Junto à Muralha do Castelo de Santiago da Barra, arraial popular
Início da confecção dos tapetes floridos nas ruas da ribeira.


20 AGOSTO – SEXTA FEIRA

DIA DE NOSSA SENHORA D’AGONIA
08h30 Ouvem-se já os morteiros… 21, anunciando o primeiro dia da “Rainha das Romarias de Portugal” e com eles o atroar dos Zés P’reiras e das Bandas de Música; e a compasso, o dançar dos Gigantones e Cabeçudos que, na Praça da República, a nossa Sala de Visitas, dão início à mais tradicional das romarias de Portugal: a ROMARIA DE NOSSA SENHORA D’AGONIA.
GRANDE FEIRA
No Campo do Castelo e Praça General Barbosa, constituindo, pela sua genuinidade e animação, um dos mais interessantes e típicos aspectos das gentes deste concelho do Alto – Minho.
TAPETES FLORIDOS – Visita
Na manhã deste dia, torna-se obrigatória a visita ao trabalho das gentes da nossa Ribeira que, durante toda a noite labutaram, não na sua habitual e perigosa faina, mas na confecção desses maravilhosos tapetes floridos que cobrem as suas ruas tão típicas, numa manifestação do seu amor pela Santa Padroeira.

09h30 ABERTURA DO CIRCUITO DO FEIRÃO (6 PONTOS DA CIDADE)
Onde poderá encontrar, conviver e saborear alguns dos mais famosos petiscos das gentes das nossas freguesias. Ali estarão cinco dos muitos Grupos Folclóricos do nosso concelho, instalados em pavilhões dispersos pela cidade, exibindo em simultâneo a riqueza dos seus trajes, cantares e suas danças, além dos petiscos…

10h00 DESFILE DA MORDOMIA
As Mordomas são as Rainhas da Festa. Raparigas solteiras – sem fama – que fazem os seus primeiros ex-votos de amor na Romaria da Nossa Senhora d’Agonia apresentando-se oficialmente na cidade e nos cumprimentos ao Governador Civil, à “nossa” Câmara Municipal, ao Bispo da Diocese.
Trajes de Mordoma, Morgada, Luxar no seu colorido de vermelhos, azuis e verdes, no seu primeiro “vira” de debutantes; na sua primeira “função” das Mordomarias.

12h30 REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS
O Praça da Républica será o cenário desta primeira e tão típica manifestação.

14h00 CONCERTO MUSICAL
No coreto do Largo de S. Domingos pela Banda de Música de Sanguinhedo.

14h30 SOLENE CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA
Presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D. Anacleto Cordeiro Gonçalves de Oliveira, Bispo da Diocese.
Finda a SANTA MISSA CAMPAL sairá do Santuário de Nossa Senhora d’Agonia a tradicional PROCISSÃO DOS PESCADORES com os andores de Nossa Senhora d’Agonia, Nossa Senhora dos Mares, S. Pedro e Sr.ª de Monserrate a caminho do Cais dos Pilotos, onde, depois da alocução, será dada a “Bênção ao Mar” e às embarcações, seguindo-se-lhe a PROCISSÃO AO MAR E AO RIO, sendo as embarcações que transportam os referidos andores acompanhadas de dezenas doutras, numa espontânea procissão e manifestação da fé dos pescadores à sua Padroeira.
O regresso ao Santuário será feito por aquelas ruas da nossa Ribeira belamente atapetadas e
decoradas com motivos piscatórios.
Nota: Os maravilhosos tapetes poderão ser admirados durante todo o dia, até à hora do retorno da Procissão, cerca das 17 horas.

21h00 VAMOS PARA O FESTIVAL
Zés P’reiras, Bandas de Música e Grupos Folclóricos, em sintonia com o muito povo que se incorpora neste desfile, fazem a festa, descendo a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra em direcção ao Jardim Marginal espectáculos

22h00 FESTIVAL DE FLOCLORE
No coreto da Praça d'Marina , Rua dos Mareantes e Pr. da Liberdade.


21 AGOSTO – SÁBADO

08h30 ALVORADA
Repete-se, como em todos os dias, na Praça da República e nos moldes tão tradicionais.
GRANDE FEIRA
Continuará nos locais estabelecidos e com a mesma animação

09h30 CONCERTO MUSICAL
No coreto da Praça da República pela Banda Bingre Canelense.

12h30 REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS
Agora, na Praça da República os Grupos de Zés P’reiras e de Bombos, com o habitual barulho ensurdecedor prestam homenagem aos Gigantones e Cabeçudos.

14h30 CONCERTOS MUSICAIS

16h00 CORTEJO ETNOGRÁFICO

16h30 ORAÇÃO DE VÈSPERAS
No Santuário de Nossa Senhora D’Agonia.

21h30 VAMOS PARA O FESTIVAL
Zés P’reiras, Bandas de Música e Grupos Folclóricos, em sintonia com o muito povo que se incorpora neste desfile, fazem a festa, descendo a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra em direcção ao Jardim Marginal.

22h00 FESTIVAL NO JARDIM
No palco do Anfiteatro do Jardim da Marina e no palco da Praça da Liberdade poderemos assistir ao encanto e beleza dos Trajes, das danças e das músicas de Grupos Folclóricos,
exclusivamente do nosso concelho.
Também poderemos deliciar-nos com a Banda de Música Bingre Canelense no coreto da Praça da República e da Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo no coreto do Jardim Marginal, enquanto aguardamos pela espectacular sessão de fogo de artifício, nesta noite o afamado “FOGO DA FESTA”.
ARRAIAL
No Campo do Castelo e Praça General Barbosa com todas as diversões em funcionamento.
Sessão de FOGO DO MEIO OU DA SANTA, que melhor poderá ser admirada na Praça de Viana ou Praça da Ribeira, (junto à antiga Torre dos Pilotos), onde prosseguirá o “Arraial Minhoto”..



22 AGOSTO – DOMINGO

08h30 ALVORADA
Nos mesmos locais da cidade em que decorreu a anterior e nos mesmos moldes.
GRANDE FEIRA
Continuará nos locais habituais.

10h00 CONCERTOS MUSICAIS

12h00 REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS
De novo na Praça da República com toda a riqueza dos seus movimentos, do atroar dos bombos e com esfuziante alegria.

15h00 CONCERTOS MUSICAIS

17h00 PROCISSÃO SOLENE DA SENHORA D’AGONIA
É organizada pela Real Irmandade de Nossa Senhora da Agonia e será presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D. José Augusto Pedreira, o nosso Bispo. Desfilará por algumas das ruas da cidade e, como sempre, seduzirá pelo rigor das suas vestes e dos seus Quadros Bíblicos.
(ver programa especial).

21h30 CONCERTOS MUSICAIS
Nos coretos da Praça da República pela Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima e do Largo de S. Domingos pela Banda da Escola de Música da Quinta do Picado.

22h00 FESTA DO TRAJE
Tem lugar no Castelo de Santiago da Barra.
Um só palco, mas com três funções diferentes. Uma explicação pormenorizada: o vestir da “lavradeira”, da “mordoma” e da “noiva”; o trajo do “cotio”, “domingar”, “peditório”, “ir à feira”, as “meias senhoras” e as” Morgadas”.
O pormenor da filigrana, das jóias tradicionais; duma identidade cultural - também Memórias de Fidalguia, como se de um ex-voto à Terra-Nai se tratasse - que levam à ribalta citadina e europeia, ao Mundo, o “Traje” e o “ourar” de Viana, a “marca” de Portugal. Por isso a nossa Homenagem (durante a Festa do Traje), a Kátia Guerreiro, Dulce Pontes, Mariza, Teresa Salgueiro, pelos seus “brincos à Rainha” e diversos adereços do “traje à moda de Viana” que apresentam nos seus espectáculos. O nosso agradecimento, o nosso aplauso. (Ver programa especial)
GRANDE ARRAIAL MINHOTO
As muitas e variadas diversões, as tocatas, os cantares ao desafio, as barracas de “comes e bebes”, as “tendinhas de café” e a alegria do muito povo que nestas noites procura esquecer as “canseiras” do dia a dia, são a garantia de que este popular número de agrado certo, se prolongará pela noite fora, como o mais típico e alegre ARRAIAL que terá lugar no Campo do Castelo e Praça General Barbosa.
Logo que termine a Festa do Traje, será queimado o fogo do ar que é, sem sombra de dúvida, um dos pontos altos do inolvidável ARRAIAL e que tem por nome “FOGO DO MEIO OU DA SANTA”
Nota: para uma melhor apreciação deste espectáculo aconselhamos as pessoas a deslocarem-se para a Praça de Viana ou Praça da Ribeira, (junto à antiga Torre dos Pilotos).

quarta-feira, 23 de junho de 2010

TRADIÇÕES DO SÃO JOÃO NO PORTO


Em tempos idos, tal como hoje, os moradores dos bairros populares do Porto organizavam-se em comissões, para angariarem donativos, que revertiam para as despesas destinadas a enfeitar as ruas do seu bairro em homenagem ao Santo Precursor.

Festejou-se, entretanto, o São João da Corujeira, de Cedofeita, da Lapa (inicialmente o mais burguês), do Bonfim e do Palácio de Cristal (o eleito dos namorados) – supostamente, sendo em Cedofeita que o povo, primitivamente, se reunia para festejar o santo, com actos religiosos e pagãos (bailaricos, descantes, bombos e violas).

Já referenciados no século XIV, os festejos mudaram-se depois para a Lapa e o Bonfim, locais onde o São João, por volta de 1834, era festejado com a maior animação popular. Nas Fontainhas, por esses anos, começou por se fazer uma «cascata», que criou fama, dando origem a que se deslocassem ali diversos grupos – as rusgas – com roupas festivas, cantos e balões dependurados em ramos, numa afluência de gente ida de todos os cantos do Porto para se divertir e comemorar o santo.

Havia também o hábito de servir café quente, aguardente e aletria. Tanto bastou para que o povo (ainda por isso) acorresse às Fontainhas, aproveitando para lavar o rosto numa fonte existente no local.

Sempre antes de nascer o Sol no dia 24, a manter o ritual da água benta, propiciatória e purificadora.

Nos mercados do Anjo (hoje Praça de Lisboa) e do Bolhão era grande a procura das plantas e ervas sagradas e profilácticas (procura que se mantém), principalmente do indispensável «alho-porro» ou «alho de São João».

É com ele que se bate na cabeça de quem passa, a manter a tradição do desejo ritual de boa sorte e de fortuna. Desde os anos sessenta com o martelinho de plástico colorido a substituir a tradição da planta sagrada, que muitos, felizmente, teimam em levar à festa, no desejo de conservar a antiga praxe (atitude que o santo não deixará, por certo, de ter em conta). Actualmente (recuperado que foi o São João em 1924, após vários anos em que não se realizou), diz-se que “tudo começa e acaba na Ribeira”, estendendo-se às praias da Foz e à Boavista.

Todavia, parece ser no Bonfim que se concentra a maior parte do povo e se faz a grande festa são-joanina portuense, embora os pequenos arraiais dos bairros se espalhem por toda a cidade: Massarelos, Vilar, Miragaia, Entre-Quintas, São Pedro de Azevedo, Cantareira, Terreiro da Catedral, São Nicolau, Bairro da Sé, Cais da Estiva, entre outros.

Arraiais todos eles com ornamentações e iluminações festivas, tasquinhas de comes e bebes, fogueiras e bailaricos, num São João popular, folião, de convívio e alegria.

Por épocas mais antigas o São João no Porto contava já com iluminações e ornamentações nas ruas, música, descantes e danças, barracas de petiscos, diversões de todo o género, marchas dos bairros populares, colchas nas janelas, grandes ramos de carvalho encostados às casas ao longo das ruas, o chão coberto de juncos, espadanas, alecrim, rosmaninho e outras plantas aromáticas, que perfumavam a cidade, como acontece actualmente, ao juntarem-se às fogueiras.

O grande momento da noite é ainda o fogo-de-artifício, ou «fogo-de-São João», lançado da serra do Pilar (Cova da Onça), agora visto da Ribeira, lançado à meia-noite de 23 para 24 nas margens do rio Douro, junto da Ponte D. Luís.

Dos costumes antigos, nenhum se perdeu. Ganhou-se, isso sim, em 1911 o feriado municipal do Porto, instituído no dia de São João.
Os altares ao Santo Precursor, continuam também a armar-se dentro das igrejas, constituindo as imagens de São João Baptista, espalhadas em número considerável pelas igrejas do Porto (algumas de grande qualidade artística), assim como as preciosas pinturas onde ressalta a figura do santo, um património de valor inestimável.

As pequenas «cascatas» são-joaneiras, que povoam a cidade (com origem provável nos presépios), são erguidas num qualquer recanto, junto de uma parede, no passeio público ou nas soleiras das portas, geralmente pelas crianças. Embora surjam as «cascatas» mecânicas ou de grandes dimensões. Mas a mais importante, conhecida e tradicional é, sem dúvida, a da Alameda das Fontainhas, erguida, anualmente, há perto de setenta anos na fonte ali existente.

Outra alegoria a merecer a atenção dos Portuenses e de quem visita o Porto no São João, é a que se ergue ao cimo da Avenida dos Aliados, por deliberação da Câmara Municipal, frente aos Paços do Concelho.

Concebida sempre de forma diferente em cada ano, em 2008 a cascata da Câmara Municipal do Porto é constituida por uma espécie de labirinto que pode ser percorrido pelos visitantes.

As tradicionais «cascatas» – sinónimo de água, alusiva ao rio Jordão – com a figura do santo em lugar de destaque, incluem uma imensidade de enfeites e de figurinhas de barro, fabricadas outrora, como hoje, principalmente, em Avintes e Barcelos, pelos artistas oleiros dessas localidades.

Os manjares cerimoniais desta data continuam a ser o caldo-verde com broa e o carneiro ou anho assado. Se bem que a sardinha assada acompanhada com broa e salada de pimentos constitua o prato mais popular da noite da festa. Depois disso, manda a tradição que se beba o café com leite (a lembrar o antigo café servido nas Fontainhas) e saboreie o pão com manteiga – sem esquecer as «orvalhadas», que obrigam a que ninguém se deite antes de apanhar o orvalho bento «para ser feliz e ter saúde o resto do ano».

Devoção popular feita de alegria contagiante, a Festa de São João no Porto há quem a considere única no Mundo.

Fonte:“Festas e Tradições Portuguesas” Vol. V


----------------------------Alho Porro----------------------


-------------------------Cascata do São João---------------

-------------Fonte das Fontaínhas (final do sec.XIX).----------

sábado, 27 de março de 2010

COMPASSO PASCAL NO MINHO

O Minho é uma região rica em costumes e tradições. A visita pascal, ou compasso, é uma das Festas mais marcantes. Bem cedo, em cada aldeia estoiram foguetes, tocam os sinos e sai a visita Pascal que percorre todas as casas que abrem as portas ao compasso. É bonito de se ver! Vizinhos e amigos apressam-se a desejar "Feliz Páscoa" ao dono e ao pessoal das casas: Feliz Páscoa! Aleluia! Aleluia!
Atapetam-se as ruas e os caminhos com flores. Grupos de pessoas correm de casa em casa, não esquecendo um vizinho, pobre ou rico, um amigo. É um reboliço! Há risadas e gritos. Beijos e abraços. Em cada casa põe-se uma farta mesa de iguarias, doces e salgadas, vinho do Porto, vinho corrente, e outras bebidas. Quando chega o compasso é o Pároco que saúda todos os presentes dizendo: "Paz a esta casa e a todos os seus habitantes, Aleluia", enquanto asperge com água benta a "sala grande" onde, por hábito, está colocada a "mesa".
Depois, o mordomo dá a cruz ornamentada a beijar ao dono que, depois de beijar a cruz, a dá a beijar aos presentes. O dono da casa ou a pessoa mais velha convida, então, o senhor Abade a sentar-se um bocadinho (que a caminhada é grande), oferecendo-lhe da "mesa" onde nada falta, desde o pão-de-ló até ao "sortido", passando pelo vinho da última colheita que graças a Deus, era de estalar … até ao vinho "fino", geropiga ou algum licor conventual.
As pessoas abeiram-se, ordeiramente, da mesa e tudo come sem cerimónia, distinguindo, no entanto, o dono da casa, o pessoal do "compasso" a quem, depois, entrega o "folar" do senhor Abade (actualmente dinheiro num envelope fechado) e outras esmolas para as Almas e o Senhor, não esquecendo, também, o folar do rapazio da campainha e da caldeira.
Por volta do meio-dia, recolhe o compasso à Igreja para os elementos que o compõem irem almoçar. No final, uma girândola de foguetes diz que o "almoço" já terminou e que o ritual vai continuar da parte de tarde, visitando os restantes lugares e casas da freguesia e é ver novos e velhos a gozar um belo Domingo que só regressa 12 meses depois. Bem no fim da visita organiza-se uma procissão de retorno à Igreja e aí é ver toda a gente a entoar cânticos religiosos.


Páscoa.


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É tempo de Páscoa no Minho florido. Já se ouvem os trinos dos sinos festeiros Na igreja vestida de branco vestido, Entre o verde manso dos altos pinheiros.

Caminhos de aldeia, que o funcho recobre, Esperam, cheirosos, que passe o compasso À casa do rico, cabana do pobre... Já voam foguetes e pombas no espaço.

Lá vêm dois meninos, com opas vermelhas, Tocando a sineta. Logo atrás, o abade Já trôpego e lento. (As pernas são velhas? Mas no seu sorriso tudo é mocidade.)

Com que unção o moço sacristão, nos braços, Traz a cruz de prata que Jesus cativa, Para ser beijada! Enfeitam-na laços De fitas de seda e uma rosa viva.

Um outro, ajoujado ao peso das prendas (Não há quem não tenha seu pouco pra dar...) Traz, num largo cesto de nevadas rendas, Os ovos, o açúcar e os pães do folar.

Mais um outro, ainda, de hissope e caldeira Cheia de água benta, abre um guarda-sol. Seguem-nos, e alegram céus e terra inteira, Estrondos de bombos e gaitas de fole.

Haverá visita mais honrosa e bela? Famílias ajoelham. A cruz é beijada. (Pratos de arroz-doce, com flores de canela, Aguardam gulosos na mesa enfeitada.)

Santa Aleluia! Oh, festa maior! Haverá mais bela e honrosa visita? É tempo de Páscoa.
O Minho está em flor. Em cada alma pura Jesus ressuscita!

António Manuel Couto Viana.

terça-feira, 9 de março de 2010

CANTO DAS SANTAS CRUZES - SOAJO - ARCOS DE VALDEVEZ.

Uma das tradições mais antigas de Soajo , é a comemoração da Paixão de Cristo vulgarmente conhecida pelo canto das Santas Cruzes. Celebra-se todos os anos com início na Quarta Feira de Cinzas e dura até as endoenças da Quinta Feira Santa . Os homens reunem - se ao toque do sino depois da ceia , no Adro da Igreja e dividem - se em dois grupos . Cada grupo integra um rapazinho para fazer o desdobramento com a sua vóz aguda .
Sobre o ponto de vista musical as Santas Cruzes constituem uma espécie de salmodia tripartida, Como eram aliás as antigas salmodias.
******************
Vídeo gravado para o programa POVO QUE CANTA, RTP 1970.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

CARETOS DE PODENCE - TRÁS OS MONTES



A atual manifestação dos Caretos de Podence, na época de Carnaval, é a reminiscência de rituais religiosos pré e proto-históricos, que nos lançam para um universo fantástico, no qual o religioso e o profano se confundem. Fazem parte de uma tradição secular transmontana, que se julga estar associada a práticas mágicas, relacionadas com os cultos agrários da fertilidade.

O Domingo Gordo e a terça-feira de Carnaval são os dias da folia dos Caretos, que surgem em bandos de todos os cantos da aldeia de Podence, em frenéticas correrias, "assaltando" transeuntes e adegas. As marafonas(HOMENS VESTIDOS DE MULHER E VICE VERSA) são os únicos seres que os Caretos respeitam nas suas tropelias, gritarias e chocalhadas.

As raparigas solteiras, principal alvo destes bandos mascarados, levam-nos a trepar muros e varandas para as "chocalhar". Ainda não há muitos anos, as pessoas punham trancas às portas e janelas, assustadas com o que lhes podia acontecer.
Hoje em dia, os Caretos são mais moderados, mas mesmo assim, as suas correrias e os seus gritos não deixam de ser assustadores para a maioria dos forasteiros desprevenidos.

Os Caretos usam máscaras, feitas de latão, madeira ou couro, pintadas de cores vivas, onde sobressai o nariz pontiagudo. As suas vestes são confeccionadas a partir de colchas franjadas de lã de verde, azul, preta, vermelha e amarela. Usam chocalhos presos à cintura, que servem para "chocalhar" os seus alvos. Da sua indumentária faz igualmente parte um pau ou moca, que lhes serve de apoio nas suas correrias e saltos.



sábado, 6 de fevereiro de 2010

ENTRUDO NO ALTO MINHO , O PAI VELHO NO LINDOSO - PONTE DA BARCA.


Entrudo e Carnaval são duas palavras com etimologias diferentes mas significando este mesmo periodo que vai desde o Domingo da Septuagésima até à Quarta - Feira de Cinzas.

Entrudo, deriva do latim (introitus) significando "entrada" ou começo do ano, da primavera ou, mesmo, da entrada da Quaresma.

As interpretações, dentro da tradição romana remontam às Saturnalias, festas em honra de Saturno cujos ritos e cerimonias tinham como objectivo despertar do novo ciclo da Mãe / Natureza; às Lupercalias, que se celebravam ao redor do 15 de Fevereiro, assegurando a fecundidade dos homens, animais e campos e às Matronalias, festa dedicada às mulheres que nestas datas tinham poderes especiais sobre os homens!

Quanto à origem Grega provém das festas em honra de Dionísios, Deus do vinho e da inspiração.

É com o aparecimento da cultura cristã que o Entrudo nos aparece como celebração fortemente ligada ao período abstinencial imposto durante o período da Quaresma.

Outras etimologias são atribuídas à palavra carnaval: uma Italiana "Carnevale" isto é proibir a carne, em período de quaresma; uma outra origem celta ou germânica, ligada aos " Carrus Navalis" isto é, barcos com rodas, apresentação tão querida dos romanos que passeavam assim o seu "Carnaval".

Seja como for o Entrudo ou Carnaval seria uma festa cujo significado e vivência estará sempre de acordo com a cultura de cada povo.

Representando um subconsciente colectivo, não deixa de ser, também, uma festa de liberdade, onde tudo é permitido fazer-se, e onde preceitos e costumes se esquecem para permanecer durante três dias o quase "vale tudo".

Válvula de segurança do sistema de poder ( cansados da vida rotineira de um ano), há um clássico abrandamento da autoridade no Entrudo sempre mais atenta à problemática social que às manifestações lúdicas e festivas.

Por isso, as máscaras, a censura popular e a moda colectiva de se parodiar toda uma existência satirizando-se, ridicularizando, causticando, virando-se, praticamente, tudo do avesso: os homens viram mulheres; as mulheres, homens e a máscara é a caricatura da própria vida local.

No Alto Minho, felizmente, o Carnaval vai-se mantendo em todos os Concelhos com os tradicionais corsos. Porém, a tradição obriga-nos a ir até ao Lindoso (Ponte da Barca) e, ai, assistir aos cortejos imemoriais do Pai Velho.


Pai Velho :

Quem é este Pai Velho? Uma espécie de despedida do Inverno e o acolhimento à Primavera que está a chegar? Recordação das festas dos "loucos medievais", colocando um ponto final ao tempo de excessos que precedem a Quarta – Feira de cinzas ? O rito da fecundidade estimulado por uma nova seiva que vai surgir após as longas noites do solstício do Inverno?

O cerimonial mantem-se quase com os mesmos ingredientes medievos que encontramos na "Vaca das Cordas", ou na "Procissão do Corpo de Deus", em Monção com a tradição do Boi Bento, do Carro das Ervas, do Dragão e do S. Jorge, ou na Senhora D’Agonia com os seus Gigantones e Cabeçudos. Cumpre-se a tradição em Terras do Lindoso, sempre na época do Entrudo, nos lugares de Castelo e de Parada. Em dias de Domingo Gordo e Terça – feira de Carnaval .

Em frente aos espigueiros e à eira comunitária, tendo como cenário o Castelo Medievo, o busto de madeira do Pai Velho transportado num carro de bois, seguido de outro carro de bois, Carro das Ervas, engalanados, com a chiadeira habitual, tilintando de campainhas e com as cangas ornamentadas de monelhas, ramos de flores em cada chifre; à frente a lavradeira, camponesa rústica qual loura Ceres ( Deusa da Fecundidade), bem ourada com os cordões das avós; atrás as rusgas de concertinas, bombos, ferrinhos e castanholas e a que não faltam as máscaras dos mais foliões… eis os cortejos de Domingo Gordo no lugar do Castelo, depois da missa (11.00 horas ) e, da parte de tarde, no lugar de Parada (14.30 horas), com idêntico cerimonial. Tudo se esconde até terça – feira de carnaval onde idênticos cortejos se realizam ainda com festa mais rija, para terminar depois dos bailaricos, nos dois lugares, com o enterro do Pai Velho, cerca da meia noite, em que se atinge o clímax do ritual colectivo concretizado na queima do boneco de palha e a leitura do seu testamento. Pai Velho que não despensa o "seu" ritual gastronómico em dia de Domingo Gordo.

E são os rapazes e raparigas que cantam os Reis que tem a obrigação da ceia composta pelo tradicional cozido onde não faltam a orelheira, salpicão de fumeiro, tracanaz de presunto (e o que lhe davam mais), os chispes (unhas de porco) e o focinho do reco.
Se lhe acrescentarmos umas boas costelas barrosãs e um pé descalço, mais umas chouriças de cabaço, ai temos o cozido do Lindoso em honra do Pai Velho: duas travessas fumegantes a rescender a sabores de salgadeira, da vezeira e do quinteiro: a das carnes; outra com batatas, cenoura e couve galega; o alguidar tortulho com arroz branco e rodelas de chouriça, paio e salpicão, tudo acompanhado de um verde tinto a deixar nas malgas vidradas uma velatura de musselina rósea.

E as grâ - mestras da cozinha do Lindoso a dizerem-me prazenteiras e sorridentes: bom proveito, que lh’apreste. Cá fora, no terreiro do Castelo as concertinas e as vozes diziam :

A tarde foi para cantar e dançar
"O Carnaval de Lindoso
É o melhor do Concelho
Todos gostamos de ver
O enterro do Pai Velho"
Ass: Gracinda Amorim


"Lindoso terra bonita
Onde se colhe bom Pão!
Festejam o Carnaval
Que não acabe a tradição!
"Pai Velho Não Morras!"


Dr. Francisco José Torres Sampaio -
Presidente da RTAM (Região de turismo do Alto Minho)




http://www.youtube.com/profile?user=alsotomas#p/u/2/1zv-RrjDOek

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

FESTA DE SÃO GONÇALINHO - AVEIRO



Uma das festas mais queridas das gentes do bairro da Beira-Mar realiza-se no Domingo mais próximo do dia 10 de Janeiro.
A festa faz-se em honra de São Gonçalo, conhecido naquele bairro por S. Gonçalinho. Este terá nascido em 1190 em Arriconha, perto de Guimarães, ganhando fama de santo casamenteiro quando pregava na freguesia da Aboadela do Marão onde, como bom pároco que era, queria sacramentar os casais que viviam em situação imoral.
S. Gonçalo terá morrido em meados do século XIII. O seu culto expandiu-se, tendo chegado rapidamente a Aveiro, mais precisamente ao bairro da Beira-Mar.
Neste bairro é-lhe atribuído poder curandeiro em doenças ósseas e na resolução de problemas conjugais.
O afecto da população local ao seu Santo padroeiro é de tal forma que o seu tratamento toma aspectos particulares. São utilizadas, por exemplo, expressões como, "o nosso santinho", "o nosso menino", bem como, o uso da segunda pessoa do singular ("tu") para se dirigir ao Santo.
Durante os dias de festa pagam-se promessas ao São Gonçalinho, atirando quilos de cavacas doces do cimo da capela, enquanto na rua uma multidão de pessoas as tenta apanhar. As cavacas são doces cobertos de açúcar, podendo ser de dois tipos: redondas e relativamente moles (para serem comidas), ou alongadas e muito duras (para serem lançadas da platibamba da capela).
A prática de atirar cavacas é uma característica desta peculiar festa, transformando-a numa original manifestação de tributo, culto e veneração prestada ao Santo pelos romeiros.
Outro ritual da festa, realizado ao fim da tarde no interior da capela, é a entrega do ramo. Trata-se de um ramo de flores artificiais, conservado há muitos anos com religioso cuidado. A festa de S. Gonçalinho inclui ainda a Dança dos Mancos, ritual tradicional realizado também dentro da pequena capela. Esta dança é executada por um grupo de homens que, fingindo de mancos e deficientes físicos, movem-se circularmente, mancando e dançando ao som dos cantares que ecoam na capela.

domingo, 3 de janeiro de 2010

AS JANEIRAS E OS REIS

A tradição continua! Apesar de já quase nada ser como dantes as tradicionais Janeiras andam nas ruas em Portugal. "Cantar as Janeiras" terá mais a ver com as celebrações do início do ano, podendo ser cantadas em qualquer dia do mês de Janeiro.

Ocorrem em Janeiro, o primeiro mês do ano. Este mês era o mês do deus Jano, o deus das portas e da entrada. Era o porteiro dos Céus e por isso muito importante para os romanos que esperavam a sua protecção. Era-lhe pedido que afastasse das casas os espíritos maus, sendo especialmente invocado no mês de Janeiro. Era tradição que os romanos se saudassem em sua honra no começar de um novo ano e daí derivam as Janeiras.
Já os Reis são cantados na noite do dia 5 para 6 de Janeiro(Dia de Reis) com um sentido mais religioso lembrando a visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus .
Com ou sem instrumentos musicais, a tradição manda que os grupos saiam à rua para cantar à porta das pessoas da terra.

Também há, regra geral, um solista que canta os primeiros versos, que depois são repetidos pelo côro.

Os donos das casas costumam receber os cantadores, e servem frutos secos, doces tradicionais,chouriço assado e, claro, um copito de vinho ou um licor, que as noites de Janeiro são frias e há que afinar as gargantas...

Nesse caso, quando saem, os "janeireiros" cantam um verso de agradecimento, desejando coisas boas aos donos da casa, como este: "Esta casa é tão alta/É forrada de papelão/Aos senhores que cá moram/Deus lhes dê a salvação".
Caso os donos da casa não abram sequer a porta, recebem um "mimo" diferente: "Esta casa é tão alta/É forrada de madeira/ Aos senhores que cá moram/Deus lhes dê uma caganeira".
(Os versos variam de região para região).
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Cantar Janeiras e Reis nas Terras da Feira - Rancho Regional da Vila de Lobão .

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PELO SÃO MARTINHO VAI À ADEGA E PROVA O VINHO...

À medida em que se percorre o país, as comemorações do São Martinho vão sofrendo alterações, embora a receita base seja sempre a mesma: castanhas e vinho. Só mudam os hábitos. Sinónimo de festa muito popular e de grandes tradições, São Martinho é festejado, a 11 de Novembro, com castanhas assadas e água pé(bebida alcoólica, com baixo teor de álcool, resultante da adição de água ao bagaço (ou pé) de uva ). De acordo com a sabedoria popular, «No São Martinho abre o teu pipinho, mata o teu porquinho, bebe-lhe um copinho e come-lhe um bocadinho.» Lume, castanhas e vinho são os ingredientes indispensáveis para os tão desejados magustos.

Em Portugal, e sobretudo no norte e centro do País, o dia 11 de Novembro é de um modo geral festejado com «magustos» de vinho e castanhas em todas as partes onde estes ocorrem no dia de Todos os Santos, tomando assim o aspecto de um prolongamento especial dessas celebrações, a ponto de se falar em «Magustos dos Santos» e «Magustos de S. Martinho».

Os «magustos» aparecem sob esta forma em todo o Minho, em casa ou nos campos, em Trás-os-Montes, nas Beiras e no Douro, em terras de Arouca, e na região e na própria cidade do Porto. Por exemplo em Vila do Conde, as castanhas comem-se com roscas de pão de trigo e nozes. Em Fafe, eles começam à tarde e duram até à noite, as castanhas assam-se em fogueiras que se acendem no meio da rua, e o vinho circula em cântaro. Nessa noite, geralmente, joga-se o jogo do pau. No sul o costume não apresenta este caráter de generalidade, mas assinala-se em várias partes.

Em muitas regiões rurais do país, nomeadamente no noroeste, a festa anda associada à matança do porco, e é influenciada, sob certos aspectos, pela euforia e pelo sentido de plenitude que decorre desse acontecimento que possui a natureza de uma verdadeira festa doméstica, muitas vezes mesmo a mais importante do calendário privado. No Minho, por exemplo, o dia situa-se na época das primeiras matanças e nas provas do vinho novo. Segundo a tradição popular, «No dia de S. Martinho / Mata o teu porco / E prova o teu vinho».


Nas Beiras, um pouco por toda a parte, os rapazes, no dia de S. Martinho, andam em fila pela aldeia a «furar as adegas», para provarem o vinho novo e também aí se conhecem as procissões dos bêbados. No concelho de Foz Côa, mais concretamente em Pocinho, conhece-se o costume de, na noite de 11 de Novembro, os rapazes percorrerem todas as ruas da povoação com campainhas e chocalhos das cabras e ovelhas, acordando toda a gente com o barulho que fazem.

Lenda de São Martinho :

Reza a lenda que São Martinho pertencia às legiões do imperador Juliano. Num certo dia, em pleno Inverno, sob vendaval e neve, equipado e armado, montado a cavalo, S. Martinho viu, às portas de Amiens, um mendigo semi nu, tiritando de frio. O Santo parou o cavalo, pegou na espada e cortou ao meio a sua capa de agasalho, dando metade dela a esse peregrino. Envolto na outra metade, S. Martinho sacudiu a rédea e prosseguiu a viagem no meio da tormenta. Porém, subitamente a tempestade desfez-se, amainou o tufão e a geada, o céu descobriu instantaneamente, aparecendo assim um sol resplandecente. Segundo a mesma lenda, para que não se apagasse da memória dos homens a notícia deste acto de bondade, Deus dispôs que em cada ano, na mesma época em que São Martinho se desapossou da metade da sua capa, que se interrompesse o frio e que sorrisse o céu e a terra.

De acordo com a lenda de São Martinho, é raro o ano que o tempo, nesta altura, não melhore, aproveitando o povo para denominar "O Verão de São Martinho".


"VAMOS ASSAR AS CASTANHAS , VAMOS PROVAR NOSSO VINHO É FESTA NA NOSSA ALDEIA, É DIA DE SÃO MARTINHO."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

TRAJE DE IR AO SARGAÇO OU FATO DE MAR (TRAJE DE TRABALHO) - AFIFE



Saia de "estopa" (linho grosso) de cor branca com "forro de riscado", estreito, aos quadrados azuis e brancos. Colete de pano cuja barra é preta e corpo de "riscado" florido, sem enfeites. Camisa de linho branco sem bordados e bastante decotada. Lenço de peito "franjado" de campo vermelho com ramagens e quadrados. Calçam "alpergatas", acalcanhadas, e sem meias. Este calçado grosseiro de lona, assente sobre corda ou borracha, tem também ps nomes de Alpargata, Alparca e Alparcata. Usam chapéu de palha de aba larga e sobre este uma trouxa de roupa para vestir depois da apanha do sargaço (função). Ao ombro trasportam o redenho (rede para colher sargaço).


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ROMARIA DE SANTA MARTA DE PORTUZELO


A Romaria de santa Marta de Portuzelo realizada no segundo fim de semana do mês de agosto, tem no Cortejo Etnográfico, uma inquestionável consagração pública. Do Programa da festa constam diversos números, todos eles cheios de simbolismo, desde a decoração da Igreja Paroquial, realizada por mãos de fada, das mulheres Santamartenses, até ao estoirar do último foguete, tudo materializado num único sentido, o de mostrar o que há de mais belo e puro nesta terra .
Os Cortejos Etnográficos, outrora designados por “Paradas Agrícolas”, constituem hoje, a par da Procissão de Santa Marta, um número do Programa que mais visitantes traz a esta localidade, daí, o especial cuidado que a Comissão de festas coloca neste programa, não se poupando esforços de cada vez mais valorizar a amostragem dos usos e costumes do Povo de Santa Marta de Portuzelo.


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Romaria de Santa Marta de Portuzelo



sexta-feira, 31 de julho de 2009

PROGRAMA DAS FESTAS DA MEADELA 2009


Dias 31 de Julho , 01 e 02 de Agosto de 2009

Programa
Dia 31 de Julho (Sexta-feira)
08.30 horas - Alvorada festiva.
Uma salva de morteiros e um Grupo de Zés P´reiras, darão início às tradicionais Festas da Meadela em honra da sua Padroeira Santa Cristina.
Entrada da Banda de Música de Estorãos - Ponte de Lima.
09.30 horas - Visita da Mordomia à Cidade.
A Comissão de Festas da Meadela e um grupo de jovens Meadelenses, rigorosamente trajadas, acompanhadas pela Banda de Mú´sica e pelo Grupo de Zés P´reiras, percorrerão as principais ruas da cidade, visitando e apresentando cumprimentos às Autoridades Religiosas e Civis.
13.00 horas - Almoço-convívio da Comissão de Festas com a mordomia, na escola Primária da Igreja.
18.30 horas - Celebração Solene da Eucaristia
19.30 horas - Abertura de exposições.
21.00 horas - Abertura do 20.º Arraial Inter-Associativo
21.30 horas - Primeiro Arraial Nocturno: música e diversões
22.00 horas - Espectáculo de Música Portuguesa com Augusto Canário e amigos. Organização do Grupo Folclórico das Lavradeiras da Meadela em colaboração com a Comissão de Festas.

Dia 1 de Agosto (Sábado)
09.00 horas - Nova alvorada festiva, com o tipicísmo da do dia anterior
15.00 horas - Entrada do Grupo de Gaitas de S. Tiago de Cardielos, que desfilará pela Rua da Igreja
15.30 - Entrada da Banda de Música de Estorãos - Ponte de Lima, seguida de concerto musical
16.30 horas - Entrada da Fanfarra dos Escuteiros da Meadela
17.30 horas - Cortejo Meadela 2009
19.00 horas - Celebração Solene da Eucaristia, por todos os Meadelenses que contribuíram para a realização da Festa em honra da sua Padroeira, Santa Cristina, e por todos os ausentes e emigrantes da Meadela
21.00 horas - Segundo Arraial Nocturno
21.30 horas - Concentração dos Grupos Folclóricos na AV. Coronel Pires, seguindo-se desfile pela Rua da Igreja até ao local do Festival de Folclore.
22.00 horas - 50.º Festival de Folclore da Meadela
Organização da Ronda Típica da Meadela em colaboração com a Comissão de Festas
Grupo Folclórico das Lavradeiras da Meadela; Grupo Típico “O Cancioneiro de Águeda” - Águeda; Rancho Folclórico “Danças e Cantares de Vale Paraíso” - Azambuja; Rusga de S. Vicente - Braga; Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia - Esposende e a Ronda Típica da Meadela
24.00 horas - Monumental sessão de Fogo de Artifício

Dia 2 de Agosto (Domingo)
08.30 horas - Celebração da Eucaristia
09.00 horas - Última alvorada festiva
10.30 horas - Eucaristia solene na Igreja Paroquial com veneração especial a Santa Cristina, padroeira da Meadela.
14.30 horas - Entrada da Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo.
15.00 horas - Entrada da Banda de Música Bingre Canelense.
16.30 horas - Entrada da Fanfarra dos Escuteiros da Meadela.
17.00 horas - Procissão solene em honra de Santa Cristina padroeira da Meadela
18.00 horas - Concerto Musical
19.00 horas - Celebração da Eucaristia
21.30 horas - Terceiro Arraial Nocturno
24.00 horas - Sessão de Fogo de Artifício, com o qual se encerrará a 52.ª edição das Festas da Meadela.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

FESTA DAS ROSAS - VILA FRANCA DO LIMA - VIANA DO CASTELO


Todos os anos, no segundo fim de semana do mês de Maio, mês das flores e também mês de Maria, Vila Franca do Lima leva a efeito as suas festas seculares em honra de Nossa Senhora das Rosas. A festa das Rosas é, sem dúvida, uma das mais típicas e tradicionais desta terra
portuguesa.
(8,9, 10 e 11 de Maio de 2009)
Saiba mais em :

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Festa das Rosas - A tradição.

domingo, 8 de março de 2009

SALOIAS - ILHA DA MADEIRA.




As saloias são duas meninas que acompanhavam as insígnias do Espírito Santo e respectivos festeiros por ocasião da visita Pascal. As saloias trajavam e trajam, ainda hoje, vestido branco de linho, com botões de ouro no colarinho . Habitualmente o vestido é ornamentado com colares de ouro e folhas de alegra-campo verde. Sobre o cabelo trançado coloca-se uma carapuça enfeitada com colares e prendas de ouro. E, para completar o conjunto, bota chã e rica capa vermelha ornada de flores (perpétua amarela) e muitas prendas de ouro.

domingo, 18 de janeiro de 2009

FESTA DAS FOGACEIRAS - SANTA MARIA DA FEIRA.

A Festa das Fogaceiras é a mais emblemática festividade do concelho de Santa Maria da Feira, contando já 503 anos de história, marcados pela devoção do povo das Terras de Santa Maria.Esta festa teve origem num voto ao mártir S. Sebastião, em 1505, altura em que a região foi assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de protecção, o povo prometeu ao Santo a oferta de um pão doce chamado Fogaça.S. Sebastião, que segundo a lenda padeceu de todos os sofrimentos aquando do seu martírio em nome da fé cristã, tornou-se, assim, o santo padroeiro de todo o condado da Feira.No cumprimento do voto, os ofertantes incorporavam-se numa procissão que saía do Paço dos Condes (Castelo) e seguia pela Igreja do Convento do Espírito Santo (Lóios), onde eram benzidas as Fogaças, divididas em fatias, posteriormente repartidas pelo povo. Assim nasceu a Festa das Fogaceiras. Cumprida em cada dia 20 de Janeiro, esta promessa constitui uma referência histórica e cultural para as Terras de Santa Maria.A Festa das Fogaceiras chegou até aos nossos dias com dois traços essenciais: a realização da Missa Solene, com sermão, precedida da Bênção das Fogaças, celebrada na Igreja Matriz, e a Procissão, que sai da Igreja Matriz , percorrendo algumas ruas da cidade.Com a proclamação da República, acrescentou-se um novo ritual: a formação de um Cortejo Cívico, desde os Paços do Concelho até à Igreja Matriz, antes da Missa Solene, que integra as meninas “Fogaceiras”, que levam as Fogaças à cabeça, bem como as autoridades políticas, administrativas, judiciais e militares e personalidades de relevo na vida municipal.A Procissão festiva realiza-se a meio da tarde e congrega símbolos religiosos, com destaque para o Mártir S. Sebastião, bem como uma representação civil, com símbolos autárquicos, económicos, sociais e culturais de cada uma das 31 freguesias do concelho, numa curiosa mistura entre o civil e o religioso.


No Cortejo e Procissão as atenções recaem, naturalmente, sobre as Fogaceiras, segundo a tradição “crianças impúberes”, provenientes de todo o concelho, vestidas e calçadas de branco, cintadas com faixas coloridas, que levam à cabeça as fogaças do voto, coroadas de papel de prata de diferentes cores, recortado com perfis do castelo.Inicialmente, as “Fogaças do Voto” eram distribuídas pela população em geral, depois pelos pobres e mais tarde pelos presos, pobres e personalidades concelhias, em fatias chamadas “mandados”. Actualmente, são entregues às autoridades religiosas, políticas e militares que têm jurisdição sobre o município de Santa Maria da Feira.


Símbolo de união:

Tal como outrora, hoje as gentes do concelho da Feira têm a oportunidade de mostrar o culto a S. Sebastião numa festa que é, acima de tudo, símbolo de união e de identidade colectiva. Manda a tradição que, por ocasião da Festa das Fogaceiras, os feirenses enviem Fogaças aos familiares e amigos que se encontrem longe.A Fogaça é um pão doce tradicional de Santa Maria da Feira, cujas primeiras referências conhecidas aparecem nas inquirições de D. Afonso III, no século XIII (1254/1284) e que era usada como pagamento de foros. O seu formato estiliza a torre de menagem do Castelo com os seus quatro coruchéus.A Fogaça é cozida diariamente em várias casas de fabrico do concelho e distingue-se por tradicionais aprestos, quer no preparo, quer na forma como vai ao forno. Os ingredientes base utilizados na confecção desta iguaria são água, fermento, farinha, ovos, manteiga, canela, açúcar e sal.


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Festa das Fogaceiras




Reportagem da RTP sobre a Festa das Fogaceiras 2008


quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

LENDA DA NOITE DE SÃO SILVESTRE - ILHA DA MADEIRA.

Esta lenda assegura que há muitos, muitos anos existia no oceano Atlântico uma ilha fabulosa, a Atlântida, e nela vivia a civilização mais maravilhosa de sempre. Os seus habitantes, que Platão dizia descenderem dos amores do deus Poseidon com a mortal Clito, tornaram-se tão arrogantes que tiveram um dia a pretensão de conquistar todo o mundo, ousando mesmo o seu rei desafiar os céus. Foi então que ouviu a voz do Deus verdadeiro dizer-lhe que nada poderia contra o poder divino. Mas o teimoso rei voltou a desafiá-lo e decidiu conquistar Atenas, mas, durante a batalha o rei da Atlântida ouviu a voz de Deus dizer-lhe que a vitória seria de Atenas para castigar a sua arrogância e ingratidão. À derrota seguiram-se terríveis tempestades, terramotos e inundações que engoliram a bela Atlântida para todo o sempre.
Passaram-se muitas centenas de anos até que um dia a Virgem Maria se debruçava dos céus sobre o oceano, sentada numa nuvem quando São Silvestre lhe veio falar. Aquela era a última noite do ano e São Silvestre achava que deveria significar algo de diferente para os homens, ou seja, marcar uma fronteira entre o passado e o futuro, dando-lhes a possibilidade de se arrependerem dos seus erros e de terem esperança numa vida melhor. Nossa Senhora achou muito boa ideia e então confiou-lhe qual a razão porque estava a observar o mar com uma certa tristeza: lembrava-se da bela Atlântida que tinha sido afundada por Deus por causa dos erros e pecados dos seus habitantes. Enquanto falava, Nossa Senhora deixava cair lágrimas de tristeza e misericórdia porque a humanidade, apesar do castigo, não se tinha emendado. Emocionado, São Silvestre reparou que não eram apenas lágrimas que caíam dos olhos da Senhora, eram também pérolas autênticas que caiam dos Seus olhos. Foi então que uma dessas lágrimas foi cair no local onde a extraordinária Atlântida tinha existido, nascendo a ilha da Madeira que ficou conhecida como a Pérola do Atlântico. Dizem os antigos que durante muito tempo, na noite de S. Silvestre quando batiam as doze badaladas surgia nos céus uma visão de luz e cores fantásticas que deixava nos ares um perfume estonteante. Com o passar dos anos essa visão desapareceu, mas o povo manteve-a nas famosas festas de fim de ano com um maravilhoso fogo de artifício a celebrar a Noite de S. Silvestre.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O NATAL MADEIRENSE.


Lapinha - É com este termo que na Madeira se designam os «presépios», que desde séculos tão generalizados estão entre nós. Julgamo-lo uma palavra peculiar deste arquipélago. Deve ser o diminutivo de «lapa» com o significado de furna, gruta ou cavidade aberta em um rochedo, por analogia ou semelhança com o local do nascimento do Divino Redentor. É possível que em outros tempos conservassem essa analogia ou semelhança, mas, ao presente e na generalidade, as «lapinhas» madeirenses são armadas sôbre uma mesa, tendo como centro uma pequena escada de poucos decímetros de altura, de três lanços contíguos, e no topo da qual se coloca a imagem do Menino Jesus. Em todos os degraus da escada e em torno dela estão dispostos os «pastores» e vários objectos de ornato, por vezes bem estranhos e sem próxima afinidade com o resto do presépio(frutas, searinhas etc.) . Em obediência às condições do meio, terão algumas características próprias, como sejam as ornamentações com os ramos do arbusto «alegra-campo» e dos fetos «cabrinhas», que lhes imprimem uma feição pitoresca e alegre. Terão uma certa originalidade os chamados «pastores», isto é, pequenas figuras de barro de grosseiro fabrico local, que quase sempre não representam pastores ou zagais mas indivíduos das várias camadas sociais.

Ainda são muito vulgares as «lapinhas» com as chamadas «rochinhas», consistindo estas no simulacro de um pequeno trecho de terreno muito acidentado, feito de «socas» de canavieira e que geralmente conserva na base uma pequena «furna» representando o presépio em minúsculas figuras de barro.

Existiam, mas hoje são já muito raras, estas mesmas «rochas», talhadas em maiores proporções e em que se viam igrejas, estradas, pequenas povoações etc., embora sem grande harmonia no conjunto, mas oferecendo um certo e original pitoresco.

Natal - As festas do Natal duram na Madeira desde o dia em que se comemora o nascimento de Jesus até o dia de Reis, havendo durante êste tempo muitos folguedos, descantes e outras manifestações de regozijo, que poetizam esta bela quadra do ano. As refeições são melhoradas, e rara é a casa onde não aparecem a carne-de-vinho-e-alhos e os bolos de mel, assim como outras iguarias que são desconhecidas durante o resto do ano. Os templos enchem-se de povo por ocasião da missa do galo, em que a imagem do Deus-Menino é muitas vezes dada a beijar, e para completar as festas e solenidades do Natal, há ainda os presépios ou lapinhas, alguns deles verdadeiramente notáveis pela riqueza e variedade de seus adornos. Não há muitos anos, era uso nalgumas freguesias da Madeira «pensar» a imagem do Deus-Menino na noite do Natal, isto é levá-la e vesti-la sôbre um estrado colocado dentro da igreja, sendo êste serviço prestado sempre por uma rapariga, assim como um outro que consistia em oferecer ao mesmo Deus-Menino na referida noite, várias produçcões da terra. Rapazes e raparigas, vestidos com trajos antigos, conduziam piedosamente ao templo as suas ofertas, anunciando em seus cantares, por vezes muito harmoniosos, a quem eram destinadas as mesmas ofertas.

O velho habito de consagrar todo o dia de Natal à vida e festas recatadas da familia tende a desaparecer, e as ruas da cidade, desertas outrora naquele dia, apresentam-se hoje quase tão movimentadas como na primeira, segunda e terceira oitavas. É, no entretanto, durante estes três dias, que o povo continua a santificar não obstante ter sido dispensado disso pela Igreja, que principalmente se realizam as visitas e os cumprimentos de boas festas, os quais entre o povo rude são acompanhados quase sempre de abundantes libações, descantes e outros folguedos, que se estendem até horas mortas da noite. Desde a véspera do Natal até á Epifania, estrugem por toda a parte as bombas e busca-pés, com grave risco não só dos transeuntes, mas também daqueles que os atiram, muitos dos quais tem sido vitimas das suas loucuras e imprudencias.

O habito não muito antigo, de despedir o ano velho e receber ao ano novo com toda a espécie de fogos de artifício, é aquêle que mais chama a atenção dos forasteiros, sendo na verdade um espectáculo imponente e belo o que oferece a cidade do Funchal e seus subúrbios ao avizinhar-se a hora da meia noite do dia 31 de Dezembro, quando por tôda a parte se acendem os fósforos de côres e sobem aos ares os milhares de foguetes e granadas com que os madeirenses festejam a passagem dum para outro ano, na esperança de que aquêle que principia lhes traga tôdas as venturas que lhes negou o que vai sumir-se na voragem dos tempos. A noite de 31 de Dezembro é muito animada no Funchal, sendo a cidade percorrida por grandes ranchos que se dirigem para vários pontos dos arredores, ao som de machetes e violas, para daí contemplarem os festejos da meia noite.

É no dia 7 de Janeiro, após os Reis, que se desmancham as lapinhas e tudo volta á normalidade, mas algumas pessoas conservam os presépios armados até o dia 15, festa de Santo Amaro, que é, na opinião de alguns, quando devem ser dadas por findas as manifestações de regozijo do Natal, tanto do agrado do bom povo madeirense.

Vid. Lapinha.

Fernando Augusto da Silva, Elucidario Madeirense , vol. II, Funchal, 1965, pp.211, 406-407

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

RANCHO REGIONAL DA VILA DE LOBÃO - A COLHEITA DAS ESPIGAS E A DESFOLHADA.

Dois bonitos vídeos em que os elementos do Rancho Regional da Vila de Lobão(Santa Maria da Feira) mostram Tradições dos nossos antepassados.
O primeiro vídeo mostra a colheita das espigas e o transporte até a eira.
Quando as espigas estão maduras o pessoal da casa (incluindo os criados, quando os havia) e os vizinhos tiravam-nas e transportavam para a eira em carros de bois ou em gigas.


O segundo vídeo mostra a desfolhada.
A noite após a ceia todos se encaminhavam para junto da pilha , onde se sentavam a desfolhar as espigas.As mulheres vinham a desfolhada e quando chegavam escolhiam um lugar próprio,entoavam algumas cantigas com intuito de atrair rapazes das vizinhanças .
Logo que terminar a desfolhada das espigas as pessoas arrumam o folhedo e limpavam a eira ,enquanto que o dono ia buscar pão e vinho,e castanhas.depois de todos comer e beber, começava a esperada dança, apareciam cantadores e cantadeiras .dançava-se ao som do cavaquinho ,viola, ferrinho e concertina.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

LENÇO DOS NAMORADOS.

O lenço dos namorados é um lenço fabricado a partir de um pano de linho fino ou de lenço de algodão , bordado com motivos variados. É uma peça de artesanato e vestuário típico do Minho, sendo usado por mulheres com idade de casar.
Era hábito a rapariga apaixonada bordar o seu lenço e entregá-lo ao seu amado quando este se fosse ausentar. Nos lenços poderiam ter bordados versos, para além de vários desenhos, alguns padronizados, tendo simbologias próprias: Rosa quer dizer mulher, coração é amor, lírios simbolizam a virgindade, cravos vermelhos são sinónimo de provocação, e os pombinhos significam os namorados como não podia deixar de ser. Isto, só para fazermos uma breve idéia destes sinais de amor, pois há muitos mais.
Se bordava com erros ortográficos, isso era pormenor insignificante, o que contava - e conta - são os sentimentos:

"Bai carta feliz buando nas asas dum passarinho , cuando bires o meu amor dále um abraço e um veijinho"

'Meu Manél bai pró Brasil ,eu tamem bou no bapor , gardada no coração ,daquele qué meu amor".

Era usado como ritual de conquista. Depois de confeccionado, o lenço acabaria por chegar à posse do homem amado, que o passaria a usar em público como modo de mostrar que tinha dado início a uma relação. Se o namorado (também chamado de conversado) não usasse o lenço publicamente era sinal que tinha decidido não dar início a ligação amorosa.
É provável que a origem dos "Lenços de Namorados", também conhecidos por "Lenços de Pedidos" esteja intimamente ligada aos lenços senhoris dos séculos XVII - XVIII, que posteriormente foram adaptados pelas mulheres do povo, adquirindo os mesmos, consequentemente, um aspecto mais popular.
Existe actualmente uma comissão técnica que funciona como órgão avaliador e de certificação deste tipo de artesanato regional.