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quarta-feira, 23 de junho de 2010

TRADIÇÕES DO SÃO JOÃO NO PORTO


Em tempos idos, tal como hoje, os moradores dos bairros populares do Porto organizavam-se em comissões, para angariarem donativos, que revertiam para as despesas destinadas a enfeitar as ruas do seu bairro em homenagem ao Santo Precursor.

Festejou-se, entretanto, o São João da Corujeira, de Cedofeita, da Lapa (inicialmente o mais burguês), do Bonfim e do Palácio de Cristal (o eleito dos namorados) – supostamente, sendo em Cedofeita que o povo, primitivamente, se reunia para festejar o santo, com actos religiosos e pagãos (bailaricos, descantes, bombos e violas).

Já referenciados no século XIV, os festejos mudaram-se depois para a Lapa e o Bonfim, locais onde o São João, por volta de 1834, era festejado com a maior animação popular. Nas Fontainhas, por esses anos, começou por se fazer uma «cascata», que criou fama, dando origem a que se deslocassem ali diversos grupos – as rusgas – com roupas festivas, cantos e balões dependurados em ramos, numa afluência de gente ida de todos os cantos do Porto para se divertir e comemorar o santo.

Havia também o hábito de servir café quente, aguardente e aletria. Tanto bastou para que o povo (ainda por isso) acorresse às Fontainhas, aproveitando para lavar o rosto numa fonte existente no local.

Sempre antes de nascer o Sol no dia 24, a manter o ritual da água benta, propiciatória e purificadora.

Nos mercados do Anjo (hoje Praça de Lisboa) e do Bolhão era grande a procura das plantas e ervas sagradas e profilácticas (procura que se mantém), principalmente do indispensável «alho-porro» ou «alho de São João».

É com ele que se bate na cabeça de quem passa, a manter a tradição do desejo ritual de boa sorte e de fortuna. Desde os anos sessenta com o martelinho de plástico colorido a substituir a tradição da planta sagrada, que muitos, felizmente, teimam em levar à festa, no desejo de conservar a antiga praxe (atitude que o santo não deixará, por certo, de ter em conta). Actualmente (recuperado que foi o São João em 1924, após vários anos em que não se realizou), diz-se que “tudo começa e acaba na Ribeira”, estendendo-se às praias da Foz e à Boavista.

Todavia, parece ser no Bonfim que se concentra a maior parte do povo e se faz a grande festa são-joanina portuense, embora os pequenos arraiais dos bairros se espalhem por toda a cidade: Massarelos, Vilar, Miragaia, Entre-Quintas, São Pedro de Azevedo, Cantareira, Terreiro da Catedral, São Nicolau, Bairro da Sé, Cais da Estiva, entre outros.

Arraiais todos eles com ornamentações e iluminações festivas, tasquinhas de comes e bebes, fogueiras e bailaricos, num São João popular, folião, de convívio e alegria.

Por épocas mais antigas o São João no Porto contava já com iluminações e ornamentações nas ruas, música, descantes e danças, barracas de petiscos, diversões de todo o género, marchas dos bairros populares, colchas nas janelas, grandes ramos de carvalho encostados às casas ao longo das ruas, o chão coberto de juncos, espadanas, alecrim, rosmaninho e outras plantas aromáticas, que perfumavam a cidade, como acontece actualmente, ao juntarem-se às fogueiras.

O grande momento da noite é ainda o fogo-de-artifício, ou «fogo-de-São João», lançado da serra do Pilar (Cova da Onça), agora visto da Ribeira, lançado à meia-noite de 23 para 24 nas margens do rio Douro, junto da Ponte D. Luís.

Dos costumes antigos, nenhum se perdeu. Ganhou-se, isso sim, em 1911 o feriado municipal do Porto, instituído no dia de São João.
Os altares ao Santo Precursor, continuam também a armar-se dentro das igrejas, constituindo as imagens de São João Baptista, espalhadas em número considerável pelas igrejas do Porto (algumas de grande qualidade artística), assim como as preciosas pinturas onde ressalta a figura do santo, um património de valor inestimável.

As pequenas «cascatas» são-joaneiras, que povoam a cidade (com origem provável nos presépios), são erguidas num qualquer recanto, junto de uma parede, no passeio público ou nas soleiras das portas, geralmente pelas crianças. Embora surjam as «cascatas» mecânicas ou de grandes dimensões. Mas a mais importante, conhecida e tradicional é, sem dúvida, a da Alameda das Fontainhas, erguida, anualmente, há perto de setenta anos na fonte ali existente.

Outra alegoria a merecer a atenção dos Portuenses e de quem visita o Porto no São João, é a que se ergue ao cimo da Avenida dos Aliados, por deliberação da Câmara Municipal, frente aos Paços do Concelho.

Concebida sempre de forma diferente em cada ano, em 2008 a cascata da Câmara Municipal do Porto é constituida por uma espécie de labirinto que pode ser percorrido pelos visitantes.

As tradicionais «cascatas» – sinónimo de água, alusiva ao rio Jordão – com a figura do santo em lugar de destaque, incluem uma imensidade de enfeites e de figurinhas de barro, fabricadas outrora, como hoje, principalmente, em Avintes e Barcelos, pelos artistas oleiros dessas localidades.

Os manjares cerimoniais desta data continuam a ser o caldo-verde com broa e o carneiro ou anho assado. Se bem que a sardinha assada acompanhada com broa e salada de pimentos constitua o prato mais popular da noite da festa. Depois disso, manda a tradição que se beba o café com leite (a lembrar o antigo café servido nas Fontainhas) e saboreie o pão com manteiga – sem esquecer as «orvalhadas», que obrigam a que ninguém se deite antes de apanhar o orvalho bento «para ser feliz e ter saúde o resto do ano».

Devoção popular feita de alegria contagiante, a Festa de São João no Porto há quem a considere única no Mundo.

Fonte:“Festas e Tradições Portuguesas” Vol. V


----------------------------Alho Porro----------------------


-------------------------Cascata do São João---------------

-------------Fonte das Fontaínhas (final do sec.XIX).----------

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

RANCHO FOLCLÓRICO DO PORTO

O Rancho Folclórico do Porto foi fundado em 24/06/1982 com o objectivo de recolher, preservar

e difundir as antigas tradições da cidade do Porto, relacionadas com a cultura popular. Por isso tomou como lema ser "Sempre Leal" aos costumes que são Povo.A apresentação à cidade foi feita na Casa do Infante, no dia 24 de Junho de 1984. O seu reportório é constituído por danças e cantigas recolhidas por César das Neves, que as publicou no "Cancioneiro de Músicas Populares" no ano de 1895 e do livro "O Traje Popular em Portugal, século XIX" de Alberto de Sousa, reconstituiu os trajes que eram típicos no Porto, naquele século. É constituído por mais de cinquenta elementos divididos entre dançadores, cantata e tocadores distribuídos
pelos seguintes instrumentos: concertina, bombo, ferrinhos, cavaquinho, violão, viola braguesa e rabeca. Neste conjunto de pessoas, que se distribuem por diversas profissões, metade têm formação escolar superior: licenciados e bacharéis. O Rancho, que já se exibiu em todo o continente, na Madeira e nos Açores, fez digressões ao estrangeiro, já tendo estado presente em cerca de 30 países e gravou programas para as televisões alemã (ZDF), austríaca, brasileira (TVGLOBO e TVPROGRESSO), egípcia, escocesa, francesa (CANAL 5), galega (TV GALIZA) e portuguesa (RTP1 e TVI). A RTP produziu um filme -"Malhão, Triste Malhão" - com base nas músicas e danças do Rancho, e nele participou o próprio grupo. Para este canal televisivo também os seus elementos fizeram figuração para o documentário -"Os caminhos do romântico" , com trajes populares e burgueses daquela época, todos reconstituídos pelo próprio Rancho. Para que a música popular e folclórica do Porto fosse universalmente conhecida, gravou o Rancho dois LP, dois Single, duas cassetes e cinco CD. Algumas destas produções foram subsidiadas pela Câmara Municipal do Porto e Governo Civil do Porto. A par da sua actividade intrínseca, o folclore, desenvolve outras como: Grupo Rock, Canto Coral, Grupo de Fados de Coimbra, Tuna Académica, Teatro e Variedades.