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sábado, 31 de março de 2012

BORDADO MADEIRA


A ilha da Madeira foi descoberta no séc. XV e julga-se que os bordados começaram desde logo a ser produzidos pelas fidalgas, como necessidade de decoração das roupas do lar bem como do vestuário, e ainda por influência dos trabalhos conventuais.
Até meados do séc. XIX não existem referências à venda ou exportação de Bordado Madeira. O ano de 1850 é um marco para uma nova fase do Bordado Madeira, data em que este produto ganha um cariz comercial. Neste ano foi organizada uma exposição das indústrias madeirenses, realizada no Palácio de S. Lourenço, onde se
tornou evidente o potencial económico do produto.

O interesse britânico por esta exposição foi tão grande que a Madeira recebe um convite para estar em Londres na Exposição Universal, que decorre no ano seguinte em 1851. Esta participação revelou-se um grande sucesso onde as peças apresentadas foram elogiadas pela sua pureza e perfeição artística.

Durante o Séc. XIX as principais exportações destinam-se a Inglaterra e Alemanha. No séculoXX exporta-se Bordado Madeira para todo o mundo. Itália, Estados Unidos, América do Sul e a Austrália tornam-se mercados importantes. França, Singapura, Holanda, Brasil e outros países contribuíram também para a expansão do comércio e da notoriedade do Bordado Madeira.Actualmente os maiores mercados de exportação são EUA, Itália e Inglaterra.
Reconhecidas internacionalmente, as peças de Bordado Madeira têm uma história e tradição ligadas ao segmento de luxo e muitas foram e são as mesas da aristocracia europeia cobertas com peças de Bordado Madeira.
Com cerca de 150 anos de história o processo de produção do Bordado Madeira continua com a mesma autenticidade desde o seu início – totalmente artesanal.A indústria deste Bordado fez uma opção muito clara em manter e valorizar a genuinidade de um trabalho desenvolvido com perfeição e rigor pelas mãos das
bordadeiras madeirenses.O Bordado Madeira é um processo em que cada um sabe o seu papel, salientando a bordadeira que desempenha uma função chave neste Bordado único no mundo.

Na Madeira, bordar não é apenas para enriquecer e embelezar o tecido mas uma forma de personalizar uma peça de linho, seda ou cambraia, tornando-o uma peça de arte a passar de gerações em gerações.As bordadeiras normalmente trabalham no campo com os seus maridos e apreenderam a bordar com as suas mães que por sua vez eram também bordadeiras.Hoje em dia existem cerca de 3000 bordadeiras na Madeira que se dedicam diariamente à arte de Bordar e todas elas têm direito à Segurança Social e pertencem ao Sindicato das Bordadeiras. Trabalhar em casa é opção das bordadeiras.
Nenhuma peça de Bordado Madeira é igual a outra. Cada trabalho tem o cunho pessoal das mãos da bordadeira que durante muitas horas a ele se dedicou, num trabalho perfeccionista e minucioso.




quarta-feira, 21 de março de 2012

ZAQUELITRAQUES OU TRIQUELITRAQUES

Os zaquelitraques, também conhecidos por triquelitraques, são idiofones usados na Quaresma, no Carnaval, Serrações da Velha...

São matracas de martelo que constam de uma tábua (+- 40 cm de comprimento) na qual estão aplicados pequenos martelos de madeira, cujo cabo gira num eixo passado entre dois suportes fixos à tábua.

Em Afife e Montedor, os zaclitracs têm várias séries de martelos, dispostos quatro a quatro ou cinco a cinco em duas e às vezes três linhas, e com a ponta do cabo enfiado num eixo de arame.

Os zaclitracs seguram-se com uma mão no alto e outra em baixo e sacodem-se fortemente e em cadência certa, de modo que os martelos batam na tábua todos ao mesmo tempo e num ritmo variado e regular, o que é por vezes um pouco difícil de realizar com perfeição.

Tocam-se em conjunto, por muitos rapazes, ao mesmo tempo.



SERRADA DA VELHA (OU SERRAÇÃO DA VELHA) - TRADIÇÃO DA QUARESMA.



A Serrada da Velha é uma antiga tradição popular, integrada nos rituais de passagem, ligada ao simbolismo da regeneração e renovação. A tradição tem lugar durante a quaresma em algumas localidades de Portugal.
um costume que se realiza a meio da Quaresma e é conhecido pelo nome de "Serra da Velha"(ou serração da velha).
"A Serra da Velha" é uma das tradições mais antigas. Durante a noite juntam-se os rapazes em grupos e por volta da meia noite começa a grande algazarra.
Isto é realizado numa quarta-feira da Quaresma e serram-se aquelas mulheres de idade relativamente avançadas e solteiras, e atribuem-se-lhes os respectivos "dotes".
A tradição consiste em percorrer a aldeia em cortejo, parando à porta das "velhas a serrar". Chegando aí cantam em tom fúnebre, através de um embude, uma espécie de funil em tamanho grande e dizem:
- ESTA NOITE SERRA-SE A VELHA
- TU QUE DIZES RAPAZ, DIABO?
- SERRA-SE A VELHA ESTA NOITE .......
- ENTÃO, QUEM HAVEMOS DE SERRAR?
- HAVEMOS DE SERRAR .......... HAVEMOS DE SERRAR ......... A MARIA ALICE
- QUEM LHE HAVEMOS DE DAR?
- HAVEMOS DE LHE DAR ...... HAVEMOS DE LHE DAR ...... O FRANCISCO FREITAS
- E ELA QUERÊ-LO-Á?
- ELA QUERO-O, PORQUE TEM UMA BURRA BRANCA PARA A LEVAR À MISSA
- ENTÃO SERRAI-A ....... SERRAI-A .... SERRAI-A
E segue-se a animadíssima "algazarra" pelas ruas da aldeia para casa de outra "velha".
O Abade Baçal na obra Memórias Arqueológico-historicas refere-se à "Serra da Velha" do seguinte modo:
" Estamos no meio da Quaresma já a páscoa vai chegando uns dizem serra-se a velha os outros a velha seja serrada"
Também encontramos uma pequena descrição da "Serra da Velha" no livro" Raízes da nossa terra - Cancioneiro transmontano" editado pela delegação da Junta Central das Casas do Povo de Bragança.
Aí se diz: " no carnaval era hábito também serrar as velhas, com uma serra e um cortiço à porta das senhoras mais idosas e diziam:
"Serramos a tia Emilia por já ser muito velhinha a madeira que ela dá só serve para uma aduela"
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Quadras da serrada da velha em Paredes de Coura:

Nós vamos serrar a velha
Na noite que nos é dado
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

Serra-se a velha para o forro
E a nova para o tabuado
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha


Minha mãe tem um pandeiro
E não sabe tocar
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

Só toca a minha tia
Ou toca a minha avó
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

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Reportagem sobre a serrada da velha em Tourém - Montalegre: