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sexta-feira, 15 de julho de 2011

RANCHO FOLCLÓRICO PEIXEIRAS DA VIEIRA - MARINHA GRANDE


Vieira de Leiria, fica situada no Concelho da Marinha Grande, bem dentro da maior mancha de pinheiro bravo do País, que constitui o Pinhal Litoral, conhecido por Pinhal do Rei.


A sua Praia (Praia da Vieira) dista 3 quilometros da sede de freguesia e é por excelência uma magnífica estância balnear, com uma vida simples, mas dura e alegre da pesca artesanal (Arte Xávega) que ainda hoje se pratica.


Desde tempos remotos que os seus habitantes se aventuraram, em pequenos barcos (Meia Lua) enfrentando corajosamente o mar, quantas vezes bravio, o que lhes valeu o titulo de Lobos do Mar.Permanece ainda na memória colectiva o naufrágio do Salsinha, em 1907, onde perderam a vida 13 pescadores a poucos metros da praia, no contrabanco, perante o desespero das mulheres que gritavam e rezavam no areal.


Foram estes homens e estas mulheres, que ao cantarem a sua terra, a vida no mar, as suas alegrias e tristezas, nos deixaram as tradições, toda uma cultura virada para o mar. Mas não só. Vivendo numa relação directa e dependência do Pinhal do Rei, notório se torna que a influência deste se fizesse sentir e assim alguns tornaram-se Serradores. Neste seu mister percorreram vários pontos do País e até Estrangeiro.


Desta sua deambulação, conhecendo novos povos, novas culturas, foram trazendo novos costumes e as canções dessas terras distantes.

Foi assim que apareceram no nosso Folclore a “A Espanhola”, “O Corridinho”, “ O Barqueiro do Tejo” e tantas outras músicas. Durante a época do Inverno, quando o mar não permitia a pesca e a fome se fazia sentir, os pescadores migravam em busca de trabalho, rumo ao Tejo (Borda D’água), são estes Vieirenses que Alves Redol imortalizou no seu livro (Os Avieiros).


Não se conhece a data da criação do primeiro Rancho que existiu na Vieira, há porém noticia de que na viragem do século 19 para o 20, um grupo de senhoras se apresentou cantando e dançando pelas ruas da Vieira, denominando-se o Rancho das Silvérias e que em 1947 nas comemorações do oitavo centenário da conquista de Lisboa, se apresentou um grupo folclórico da Vieira, ficando em 2º lugar na classificação então feita pela organização. Este grupo manteve-se por vários anos sediando-se quer no lugar da Praia, quer na sede de freguesia.


Foi então que em 1979, estando o grupo inactivo e com vista à sua participação nas festas em honra de Nossa senhora dos Milagres, Padroeira da Vieira, nasceu o Rancho Folclórico Infantil Peixeiras da Vieira, sendo integrado na Biblioteca de Instrução Popular, Colectividade de Cultura e Recreio, fundada em 1932. Actualmente o Rancho deixou de ser infantil e é composto por tocadores, cantadores e dançarinos num total de cerca de 50 elementos. O seu repertório é constituído pelas danças e cantares mais característicos de Vieira de Leiria e sua Praia, canções que os Ranchos citados cantavam e outras que foram recolhidas nas pessoas mais idosas da freguesia. O traje é típico das gentes da beira-mar desta zona do litoral, vestindo as mulheres traje de trabalho e os homens traje de trabalho e domingueiro.


Desde a sua fundação, o Rancho Peixeiras da Vieira conta com um extenso palmarés com centenas de actuações em todo o País, tanto em festivais de Folclore, Nacionais e Internacionais, assim como em animações culturais e recreativas, participou em vários programas de televisão, tendo também actuado na Alemanha, França e Espanha. O Rancho Peixeiras da Vieira gravou no ano 2000 o seu repertório em CD o qual intitulou (Praia do Lis) “Recordar”, assim em conjunto com os seus antecessores, conta com 3 singles gravados, uma cassete e o presente CD.


A Biblioteca de Instrução Popular, Associação na qual se integra o Rancho Peixeiras da Vieira, organizou já 24 Festivais de Folclore em Vieira de Leiria, sendo dois destes de caracter internacional. O Rancho Folclórico Peixeiras da Vieira é membro efectivo da Federação do Folclore Português.




sexta-feira, 1 de julho de 2011

FESTA DOS TABULEIROS - TOMAR



Festa dos TabuleirosA Festa dos Tabuleiros, ou Festa do Divino Espírito Santo, uma das mais ricas e famosas romarias portuguesas, celebra-se em Tomar, de quatro em quatro anos. Inicia no Domingo de Páscoa com a Festa das Coroas e as restantes cerimónias vão tendo lugar em dias marcados até ao mês de julho. Na origem, era uma cerimónia religiosa de entrega de oferendas ao Espírito Santo, condenada pelo Concílio de Trento, provavelmente pelas suas reminiscências de festa pagã em tributo à Natureza como, por exemplo, as festas das colheitas, na época romana, em homenagem à deusa Ceres. Segundo consta, a Rainha Santa Isabel foi a responsável pela cristianização do evento. Hoje, é uma romaria popular de grande atração turística e o seu carácter cíclico suscita alguma expectativa e curiosidade, mas também um indiscutível empenho e criatividade na sua preparação. Da festa fazem parte várias cerimónias: o Cortejo das Coroas, o Cortejo dos Rapazes, o Cortejo do Mordomo (também apelidado de Chegada dos Bois do Espírito Santo), a abertura das Ruas Populares Ornamentadas, os Cortejos Parciais, os jogos populares, o Cortejo dos Tabuleiros e o Bodo (ou Pêza).A Festa dos Tabuleiros inicia com o Cortejo das Coroas que é composto por sete saídas, representando os dias que Deus levou para criar a vida na Terra e o dia do Seu descanso. Cada saída tem um dia marcado e todas elas vão sendo feitas até ao cortejo dos tabuleiros em julho. O Cortejo dos Rapazes consiste numa réplica do dos tabuleiros, mas feito por crianças vestidas a rigor.O Cortejo do Mordomo reside num desfile de bois, enfeitados com voltas de flores, pelas ruas da cidade, acompanhado de música e foguetes, e de charretes transportando os mordomos e cavaleiros. Realiza-se também num dia assinalado pela comissão de festas.As Ruas Populares Ornamentadas localizam-se essencialmente na zona histórica de Tomar e são fechadas ao público durante os meses de preparação até ao dia marcado para a respetiva abertura. A população encarrega-se de fazer as flores de papel que servem para a decoração. A comissão de organização das festas premeia o trabalho efetuado oferecendo placas às ruas concorrentes.No dia dos Cortejos Parciais, desfilam separadamente os tabuleiros representantes das freguesias do concelho, ficando depois em exposição até ao cortejo final.Também em dia previamente marcado realizam-se diversos jogos populares, entre eles, o corte de troncos e a gincana de burros.O Cortejo dos Tabuleiros é a cerimónia mais importante e representativa de todas as freguesias do concelho. Consiste no desfile de diversos tabuleiros ornamentados, em forma de torre, construídos à base de camadas de pão e decorados com ramos de espigas de trigo, malmequeres, papoilas e verduras. No topo, o ornamento termina em forma de coroa, onde repousa uma pomba branca, símbolo do Espírito Santo. Estes tabuleiros são transportados à cabeça por duas filas de raparigas que marcham pela cidade. Elas vestem vestidos brancos e faixas vermelhas e, segundo a tradição, os tabuleiros têm de ter a altura de quem os transporta e de pesar uma arroba, ou seja, cerca de 15kg. Ao lado das raparigas desfilam os seus ajudantes, homens vestidos de calças pretas, camisa branca, gravata encarnada e barrete preto de campino. À frente do cortejo, um fogueteiro abre passagem pelas ruas repletas de gente, seguido dos gaiteiros e dos tambores, atrás dos quais seguem homens com o pendor do Espírito Santo e as coroas das freguesias do concelho.Por fim, o Bodo, ou Pêza, a refeição sagrada instituída pela Rainha Santa Isabel, consiste na partilha de alimentos pão, carne e vinho pelos mais necessitados. Ocorre no dia seguinte ao desfile dos tabuleiros e marca o fim desta festa.